29.4.05

Querer e Crer

"IAHWEH disse a Moisés: Por que clamas por mim? Dize aos filhos de Israel que marchem..." (Ex14:15).
Pouco depois de Israel ter saído do Egipto o povo apercebe-se que os exércitos de Faraó estão no seu encalce a ponto de os pegar. Diante do povo está o mar vermelho e o deserto, atrás Faraó com seus cavalos e carros de combate. Acampados, junto ao mar perto de Piairot, diante de Baal Sefon o povo teve grande medo. A palavra de Moisés ao povo busca passar tranquilidade e para que este se mantenha firme e observe o que Deus irá fazer. É Deus quem combaterá por eles, não havia o que temer.
Falar é extremamente fácil. Dizer palavras de ordem e incentivar os outros quando o problema é dos outros é igualmente fácil, desde que isso não nos afecte directamente. Mas quando estamos no mesmo barco a coisa pode mudar de figura. Podemos vacilar, podemos fraquejar, podemos deixar de ser aquele que todos achavam que nós éramos. O que chama a atenção aqui é o discurso de Moisés para o povo mostrando firmeza, coragem e esperança de que a libertação da parte de Deus era certa. Contudo, o texto nos mostra que essa confiança sofria de algumas lacunas que precisavam ser preenchidas com uma dose de clamor: " Por que clamas por mim?". Parece a coisa mais normal clamar a Deus quando nos encontramos em situações difíceis como esta. Na verdade clamamos por muito menos. Não há nada de errado em clamar, pelo contrário, mas quando confiamos verdadeiramente em Deus, agimos, não ficamos estáticos, a ação é reflexo de um clamor interior que não olha para trás. O mar na verdade é um obstáculo intransponível, assim como o deserto um lugar sem esconderijos sem hipóteses de se escapar.
Observamos que os verdadeiros inimigos não estão há nossa frente mas sempre atrás. Aquilo que vemos diante de nossos olhos são oportunidades de vermos coisas maravilhosas. Os desafios não estão nas nossas costas mas diante de nossos olhos. O inimigo sempre vem, tentando impedir a nossa marcha, ele apresenta-se sempre assustador e cruel, na verdade ele é mais forte do que nós. Mas Deus nos diz para marcharmos, caminharmos mesmo que nos pareça absurdo caminhar pelo mar e sabendo que do outro lado nada mais há do que um deserto de quarenta anos.

Roupa Nova

Estamos de roupa nova mas o conteúdo continua o mesmo. São daqueles dias em que um indivíduo acorda e pensa: cansei deste visual. Qualquer opinião contrária pode ser expressa aqui. Que os leitores fiquem à vontade, a casa ainda é vossa.

Perdão

Bruno e seu pai tiveram uma discussão feia. O relacionamento dos dois, na verdade, nunca havia sido fácil. O temperamento do rapaz era irrequieto e apaixonado; o do pai, bastante autoritário. Naquela discussão, palavras duras foram ditas de ambas as partes.
- Nunca mais quero vê-lo na minha frente, jurou um.
- Para mim, você morreu, gritou o outro.
Bruno saíu de casa batendo a porta, e não voltou. Ficaram sem se falar durante anos.
Certo dia, o rapaz recebeu um telefonema da mãe. Seu pai sofrera um derrame e encontrava-se hospitalizado, entre a vida e a morte. Bruno ficou num dilema. Iria visitá-lo ou não? Ele não sabia qual seria a reação de seu pai. Ainda assim, resolveu ir no hospital. Quando chegou à porta do quarto, ele se deteve, incapaz de dar mais um passo. Ficou pensando se aquela teria sido uma boa idéia. Talvez sua presença despertasse antigos aborrecimentos que fariam o estado do pai se agravar. Ou podia ser que ele o recebesse friamente, e até o ignorasse. Paralisado, ficou a contemplar o ancião que dormia, coberto de fios e tubos.
De repente, o pai acordou e avistou o filho ali, parado à entrada do quarto. Imediatamente, começou a chorar. O rapaz não pôde mais se conter. Sem pensar em mais nada, correu em direção ao leito e atirou-se ao pescoço do pai. Num segundo, toda a mágoa que os havia mantido afastados por tanto tempo desapareceu. Pai e filho estavam novamente juntos, abraçados, chorando e soluçando nos braços um do outro. As lágrimas que derramaram naquele quarto de hospital lavaram anos de ressentimentos e de lembranças amargas.
A experiência de perdão e reconciliação é das mais sublimes pelas quais um ser humano pode passar. Há algo de sagrado no acto de perdoar. Nunca o homem é tão parecido com Deus quanto na hora em que perdoa. Esse acto abençoa famílias, restaura casamentos e reaproxima amigos. Ele tem o poder de evitar guerras. Ao perdoar, abençoamos nosso próximo e somos, ao mesmo tempo, abençoados. O perdão é um remédio eficaz para todos os males da alma: depressão, complexo de inferioridade, medo, rejeição e assim por diante.
Contudo perdoar pode ser algo extremamente difícil. Quando nos colocamos diante da perspectiva de desculpar uma ofensa, nosso interior se agita de revolta. Por isso, há um número incontável de indivíduos que vivem tristes, escravizados e doentes. Se quisermos desfrutar dos benefícios do perdão, teremos de ser corajosos . Talvez necessitemos travar uma luta que nos leve às lágrimas, como no caso de Bruno e seu pai.
A Bíblia nos ensina que o perdão faz parte do viver dos filhos de Deus. O perdão é um sinal inequívoco dos salvos. Se afirmamos nossa salvação, baseados no amor de Deus, certamente deduzimos que não foi pela nossa justiça, éramos indignos, Cristo nos justificou. Todas as nossas certezas estão Nele que nos adotou e nos tornou seu herdeiro juntamente com Jesus Cristo seu Filho Unigénito.( Rm5:1-11; 2.Co2:5-11). Que Deus possa mexer connosco a este respeito.

28.4.05

A fé na pós-modernidade

Nos dias de hoje, a fé só terá sentido se for compreendida como o meio de nos tornar agradáveis a Deus

Estava conversando com um amigo, com quem freqüentemente discuto sobre a vida, teologia, Igreja, e ele comentou sobre a necessidade que temos hoje de reconsiderar alguns princípios e valores bíblicos à luz da realidade pós-moderna em que vivemos. As verdades continuam as mesmas, mas a realidade mudou e torna-se necessário perguntar mais uma vez sobre a forma como estas mesmas verdades e princípios serão relevantes para nossa cultura. Ele apresentou algumas de suas preocupações. O que significa, por exemplo, para um cristão inserido num mercado altamente competitivo, tecnológico e consumista, ser “pobre de espírito” ou “manso”? Ou, como é que um cristão, trabalhando como executivo ou empresário, pode incorporar em sua experiência espiritual o conceito bíblico da simplicidade e da confiança?
Alguns preceitos bíblicos precisam ser repensados à luz da nova realidade – inclusive, aqueles que considero básicos para a experiência cristã. Qual o significado da fé para um cristão pós-moderno? O que ela significa para alguém que vive cercado de recursos tecnológicos e científicos, que tem uma boa renda e um padrão de vida saudável? Num passado não muito distante, o exercício da fé acontecia em virtude das limitações que tornavam a vida insegura e frágil. Os pais, por não saberem onde os filhos se encontravam, aflitos, oravam para que Deus os guardasse do perigo e do mal. Hoje, ao invés de orar, tomam o celular, ligam e, imediatamente, são tranqüilizados. Diante de um problema de saúde, nossos avós oravam e exercitavam a fé na esperança da intervenção divina. Atualmente, antes da oração, os cristãos pós-modernos buscam o melhor especialista no seu plano de saúde e depositam na ciência e na competência do profissional o cuidado e a cura do enfermo.
As situações de risco e limite vão se tornando cada vez menores, requerendo de nós uma nova abordagem sobre a compreensão da fé. Para muitos cristãos, fé é aquilo que nos faz crer no impossível, que nos ajuda a enfrentar o improvável ou que nos faz acreditar no sobrenatural. Pensando assim, a fé é aquilo que acionamos em situações onde se requer uma ação divina sobrenatural; é aquilo a que recorremos quando se esgotam nossos recursos. Parcialmente, isso é verdade. O problema é que, para muitos cristãos pós-modernos, os recursos tecnológicos e científicos trazem possibilidades inimagináveis – logo, muitos vivem toda sua existência sem a necessidade de “acionar a fé” para atender a uma situação que efetivamente foge ao controle.
No entanto, quando o autor de Hebreus nos fala que “sem fé é impossível agradar a Deus”, ele não se refere à fé como o recurso que usamos nas situações críticas da vida. Ele não diz que “sem fé é impossível realizar milagres”, mas que “sem fé é impossível agradar a Deus”. Para ele, é a fé que nos torna agradáveis ao Senhor. Neste sentido, a fé envolve a totalidade da vida, e não apenas aquelas situações limites onde nossos recursos não têm soluções.
Sabemos que a única pessoa que agradou plenamente a Deus foi seu Filho Jesus Cristo por causa de sua vida de absoluta entrega e obediência e da oferta perfeita que apresentou ao Pai, entregando-se para cumprir seu propósito redentor. Diante disso, não fica difícil entender que a fé, num sentido mais amplo e bíblico, tem a ver com a forma como vivemos e respondemos aos propósitos de Deus e nos tornamos agradáveis a ele.
Quando as Escrituras falam da fé, referem-se a um conjunto de realidades espirituais que se interagem na experiência cristã. O conceito bíblico de fé sempre envolve convicções, confiança, obediência, coragem e perseverança. É por meio da fé que verdades são compreendidas e cridas. Podemos então considerar que a fé em ação é a a obediência e a perseverança naquilo que cremos e que nos é revelado por Deus. É neste contexto que podemos compreender melhor o valor e significado da fé para o crente de hoje. Se, por um lado, vivemos numa sociedade que cada vez mais dispensa a fé, por outro, reconhecemos que nunca ela foi tão requerida para o viver perseverante e obediente como percebemos hoje.
Se reconhecemos o valor da fé em termos apenas funcionais, caminharemos rapidamente para a falência do cristianismo – afinal, temos os recursos tecnológicos e científicos que atendem com eficiência grande parte das demandas e necessidades pessoais e comunitárias. Acabaremos nos tornando ateus funcionais. Contudo, se reconhecemos o valor da fé em termos relacionais, iremos considerá-la como uma virtude que, junto com o amor e a esperança, caminharão conosco até o fim numa longa jornada em direção a Cristo. A fé é o fundamento da perseverança e da confiança. É por meio dela que iremos prosseguir naquilo para o qual fomos chamados.
O testemunho bíblico da fé é a perseverança na nossa caminhada. Amar apenas as pessoas que nos amam é natural, mas amar aquelas que não merecem nosso amor requer fé e perseverança, confiança e obediência. Experimentar a alegria e a paz em situações de tranqüilidade e conforto também é natural – contudo, permanecer alegres e cheios de paz por causa da salvação em Cristo e da certeza de sua presença redentora, mesmo quando caminhamos pelo vale de sombra e morte e quando tudo conspira contra a alegria e paz, é um ato de fé e perseverança. Prosseguir buscando o Reino de Deus em primeiro lugar e nos consagrando a Jesus e ao seu chamado, dedicando o melhor que somos e temos a ele na promoção da redenção, justiça e liberdade, é a fé em ação.
Num mundo globalizado e tecnológico, a fé só terá sentido se for compreendida como o meio de nos tornar agradáveis a Deus. Agradá-lo é trilhar o mesmo caminho de perseverança, auto-entrega, serviço, sofrimento e obediência que seu eterno Filho trilhou. É preciso reconhecer que fé e perseverança são faces diferentes de uma mesma moeda. Se por um lado é pela fé que conhecemos e experimentamos a graça de Deus, por outro, se não perseverarmos até o fim, não seremos salvos. Uma fé não perseverante é apenas uma ferramenta funcional de nenhum valor. Já a fé que persevera é um recurso relacional poderoso.
Viver pela fé ou andar pela fé é prosseguir no caminho da obediência e da coragem evangélica em direção à conformidade com a imagem de Jesus Cristo.
Ricardo Barbosa de Souza é conferencista e pastor da Igreja Presbiteriana do Planalto, em Brasilia

27.4.05

Mourinho

José é de Setúbal, da terra do carrapau, o meu distrito. Tem mais dois anos do que eu e se calhar já nos encontrámos em alguns jogos da Associação de Futebol de Setúbal, nos tempos de iniciados, juvenis ou mesmo juniores. Sempre achei que este distrito era rico em termos desportivos, não somente em jogadores mas treinadores também. Conheci alguns que enxergando muito de futebol nunca saíram do anonimato. O que tinha este José que tantos Josés dessa vida futebolística nunca tiveram? Poderíamos responder que talento, boa aparência, estabilidade psicológica e saber ouvir, foram ítens que ajudaram este José a chegar ao topo. Pode até não ganhar a próxima liga dos campeões, mas o respeito que conquistou pelo seu carisma e resultados, fazem que nós portugueses nos orgulhemos, além de que, serve a sua determinação e profissionalismo para dizer que afinal nós não somos tão burros assim, no que diz respeito ao futebol e outras maneiras de estar na vida. O importante é estarmos no lugar certo. Gostar do que se faz. Se não nos sentimos realizados naquilo que fazemos, quem perde, além de nós, são todos aqueles que nos rodeiam.Trabalhadores frustados viram pais mal humorados, maridos ausentes, nações pobres. O segredo e truque da vida é termos a coragem de seguirmos a nossa direção sem atrapalhar os outros, ao contrário, aprender com eles. Assim chegará um dia em que teremos nosso próprio estilo e método. Seremos imitados, alguém pretenderá ser igual a nós, mesmo que não sejamos lá grande coisa. O José ensina-nos que é possível atingir o nosso sonho mesmo que esse sonho nada mais seja o de ser um treinador de futebol. A questão não é ser bem remunerado, mas chegar lá.

Oi

Considerando a Bíblia pelo seu aspecto literário, não se compreende bem como intelectuais poderão permanecer indiferentes à grande fonte em que abeberaram os que fizeram a nossa literatura eminentemente Bíblica e deram a maciez voluntária, o tom suave e carinhoso ao nosso meigo idioma.
Erasmo Braga (professor, escritor e ministro evangélico)

26.4.05

Uma visita muitas bênçãos

Hoje pela manhã visitei um casal de nossa igreja. Ninguém diria que estes crentes já passaram do 80 anos de existência. Não é a primeira vez que os visito e tomo o café da manhã com eles. Sempre podemos orar e falar de assuntos que dizem respeito à igreja ou a lutas da vida que todos nós enfrentamos. O importante destas visitas é que sempre podemos esclarecer, através da Palavra, as dúvidas ou mal entendidos. Apaziguar os corações e contribuir para o crescimento dos outros, mesmo que estes aparentemente já sejam crescidos na fé, faz parte integral do ministério de cada um. Nestes cafés e encontros é fundamental saber remir o tempo que significa aproveitar bem a oportunidade que Deus nos concede de ser bênção e não maldição. O inimigo, conhecedor de nossas fraquezas, sempre irá tentar incutir em nossas mentes a discórdia. A maledicência, um pecado muito comum entre nós evangélicos, vem despertando aquele lado carnal e fomentador de todos os tipos de males que acontecem entre nós. Um pecado leva a outro, e quando queremos dizer basta a "coisa ruim" já ganhou raizes.
Vivemos uma época difícil para satisfazer construtivamente nossa aguda fome espiritual. A velocidade inaudita da mudança social produziu um colapso maciço de sistemas tradicionais de crenças, símbolos, significados e valores religiosos para milhões de pessoas no planeta terra. Os mais velhos em meio a avalanche de modernismos e pensamentos liberais sentem-se deslocados e tentados muitas vezes a enveredar por caminhos de ausência de amor. A maioria dos problemas vêm da falta desta percepção, de que o amor é que deve prevalecer. Se o amor prevalecer veremos o errado dar lugar ao certo e pessoas agindo correctamente de acordo com os princípios bíblicos. Os frutos do Espírito aparecerão, mesmo naquelas pessoas que duvidávamos de sua salvação. Uma visita e uma oração, pode ajudar em muito a vida espiritual dos outros e nossa, desde que haja esse espirito de paz e reconciliação em nosso coração.

25.4.05

A crise da transmissão da fé

A transmissão da fé em nossa cultura secularizada requer de nós novos cuidados e preocupações que nossos pais não tiveram

Uma preocupação que vem crescendo e provocando muitas conversas tanto dentro da Igreja Católica como na Evangélica é o da transmissão da fé para as futuras gerações. Na Europa, alguns estudiosos já demonstraram isso em trabalhos como o do espanhol Juan Martin Velasco, que escreveu La transmissión de la fé en la sociedad e do bispo alemão J. J. Degenhardt, com seu livro Crisis of the transmission of the faith, em que ambos apontam um fenômeno, não só europeu, mas ocidental, envolvendo principalmente as igrejas cristãs.Existem várias causas para isso, mas a secularização da sociedade ocidental é apontada por todos como a causa primeira desta crise. Olhando para o Brasil, vemos uma Igreja que ainda cresce numericamente, mas que tem perdido sua relevância cultural, social, política e econômica. E vem perdendo também suas raízes históricas e teológicas. Uma Igreja que oferece uma infinidade de programas, atividades e várias formas de entretenimento religioso, mas que tem perdido a capacidade de criar, principalmente nas novas gerações, um grau de compromisso e fidelidade para com a verdade bíblica. O que os membros fazem no domingo tem pouca ou nenhuma relação com o que fazem nos outros seis dias da semana. Nossas tradições foram descartadas, nossos valores relativizados e nossas convicções se transformaram em discretas e frágeis impressões religiosas. Vemos também, inclusive dentro da Igreja cristã, a intensificação do individualismo como resposta à secularização e o crescente movimento da moderna psicologia, que valoriza o “indivíduo autônomo” em sua busca pela auto-realização.
Diante de um cenário assim, ao olhar para o futuro do cristianismo, somos tomados por um sentimento de apreensão e perplexidade. Por um lado, sabemos que a Igreja é de Cristo e é ele quem a sustenta e guarda – no entanto, a história da Igreja é dinâmica e, em muitas nações e até continentes onde ela já foi viva e forte, hoje não é mais. Portanto, temos que refletir sobre nosso papel nesse processo e como será o processo de transmissão da fé para as novas gerações.
A transmissão da fé em nossa cultura secularizada requer de nós novos cuidados e preocupações que nossos pais não tiveram. No passado, com a centralidade da religião e da família na cultura ocidental, o processo era natural. Hoje, nenhuma das duas ocupam mais este lugar. Antigamente, os valores e convicções cristãs eram claramente definidos e aceitos socialmente. Eram eles que estabeleciam uma fronteira clara entre o que era certo e errado ou entre o que era pecado e o que não era. A identidade do cristão era socialmente bem definida, o que lhe dava também uma certa segurança e responsabilidade. Agora, não – falta essa identidade clara e os valores e convicções evaporaram. A grande pergunta que se coloca diante de nós é: como iremos transmitir para nossos filhos e netos os valores e princípios da fé cristã?
A nova preocupação com a “espiritualidade” pode ser uma resposta à crise da transmissão da fé. Muitos têm confundido espiritualidade com uma forma de intimismo religioso que surge como resposta ao individualismo secularizado, intensificando a alienação e não promovendo um relacionamento real e verdadeiro com o Deus triúno da graça. Para ser relevante, a espiritualidade precisa oferecer uma resposta à crise da transmissão da fé, fundamentando-se na revelação bíblica de Deus como uma Trindade (Pai, Filho e Espírito Santo).
Uma espiritualidade fundamentada na Trindade nos conduz a um relacionamento pessoal com Deus-Pai que não é fruto de uma compreensão particular e intimista, mas da revelação que Jesus, o Filho unigênito nos apresenta. Conhecer a Deus Pai não é o resultado das projeções das nossas melhores intenções paternas, mas o resultado exclusivo da relação única que o Filho eterno tem na comunhão com o Pai. Somente Cristo é quem nos revela a natureza paterna de Deus. Conhecer a Cristo é conhecer aquele que nos foi enviado pelo Pai e que realizou por nós, na cruz do Calvário, a gloriosa obra da reconciliação através da justificação e do perdão dos nossos pecados. Compreender o que Jesus fez na cruz e responder ao Pai em comunhão, obediência e adoração só nos é possível pelo poder do Espírito Santo, que abre nossos olhos, levando-nos a compreender nosso pecado e a necessidade de redenção. E que também nos abre para Deus por meio de Cristo e para a comunhão com os santos.
O caminho para enfrentar a crise da transmissão da fé passa por uma espiritualidade centrada na Trindade e nas Sagradas Escrituras. Somente a partir de um relacionamento pessoal com o Deus trino da graça é que poderemos recuperar o valor daquilo que é verdadeiro e resistir à subjetividade da cultura secular. Compreender a realidade a partir da revelação de Deus em Cristo, e não através da psicologia e sociologia modernas, nos libertará da percepção reducionista da cultura secular e nos conduzirá a uma compreensão profunda e realista da natureza humana, da nossa condição social, dos propósitos da criação e da comunhão com o Senhor e com o próximo.
Olhar para a realidade a partir da auto-revelação de Deus em Cristo nos conduzirá a uma nova dinâmica de vida e fé onde todos os eventos, encontros, experiências, desejos, ações e paixões serão holisticamente absorvidos em Cristo. É isso que nos tornará mais verdadeiros e nos conduzirá à vida abundante prometida pelo Senhor. O legado que precisamos deixar para as novas gerações envolve um caminho de fé que nos conduza a uma completa rendição e entrega, da mesma forma como o Filho de Deus se entregou por nós em amor e obediência ao Pai. Somente através de uma conversão real e dinâmica é que as novas gerações irão reconhecer o valor pessoal, histórico e social da fé cristã e responderão a ela numa vida de obediência, amor, comunhão e serviço.
Ricardo Barbosa de Souza é conferencista e pastor da Igreja Presbiteriana do Planalto, em Brasilia

24.4.05

Uma Bênção

Todos nós já participamos de cerimónias fúnebres e sentimos o peso da perda. Existem enterros contagiantes de gritaria e choro ao ponto de assustar os mais novos. Sabemos que funerais e cemitérios não são propriamente um "bom programa". Existem pessoas que não entram nem participam de velórios mesmo que o falecido tenha relação de sangue.
Hoje participei de uma cerimónia fúnebre de uma irmã de nossa igreja. Os cânticos do coral e a mensagem do pastor Elhiabe, trouxeram à minha mente não só a realidade da morte mas a verdade que a morte encerra. Alguns textos foram lidos e palavras foram bem ditas. Mas uma pergunta do apóstolo Tiago ficou na retina:" Que é a nossa vida? Neblina (ou um vapor) que aparece por um instante e logo se dissipa". A esperança que faz toda a diferença e isso é notório em alguns enterros é que nós eleitos de Deus , salvos por Jesus Cristo, não gritamos e choramos de desespero, não ficamos assustados. Cristo venceu a morte; trouxe a cada um essa esperança; que não está no mundo, mas em uma pátria que é eternamente nossa por adoção (filiação) e herança. Essa promessas são visíveis nos rostos dos eleitos na hora da morte "que é preciosa aos olhos de Deus", diz o salmista. Participar de um funeral de salvo é reconfortante, ouvir a Palavra de Deus e participar dos hinos é um privilégio, um milagre da presença de Deus.

23.4.05

Sabath

Como podemos descansar sem comtemplar? Existem detalhes escondidos na Criação que nos fazem deslumbrar, mas nem sempre os percebemos devido a uma agenda lotada de compromissos e rotinas. Às vezes são as pessoas que nos rodeiam, com suas agitações e crises menores, que nos afastam daquele momento a sós com Deus. Daquele instante único, que jamais se repetirá... Deus quer falar e nós nos afastamos, porque a urgência do fútil fala mais alto, enquanto a voz de Deus é quase silenciosa. A oração sempre será a minha resposta àquilo que Deus fala. Para isso eu preciso estar em silêncio. Mas o que acontece é que na maioria das vezes me distraio. Na maioria das vezes as minhas orações falam de mim e não de Deus, ora, jamais irei conseguir mudar Deus. Eu sim, preciso ser mudado. Descanso e oração são disciplinas cada vez mais difíceis de praticar nos dias de hoje, por isso existem tantos crentes doentes e desanimados. Quando resgatarmos o Sábado como aquele dia em que escolho olhar o que Deus fez e aqui podemos nos incluir e meditar sobre a bondade e graça. Quando soubermos viver não só para nós e nossos queridos, saberemos de certeza perceber muito mais Deus e seu amor, em coisas simples como olhar o céu ou o mar.

20.4.05

Eles Têm Papa

Era já esperado que Ratzinger fosse eleito, até porque era o desejo de João Paulo II. Por tudo aquilo que temos ouvido, sabemos que Bento 16 não é apologista de uma aproximação ao protestantismo (ainda bem) e considera todas as igrejas cristãs não-católicas como "filhas" e não "irmãs", como declarava seu antecessor. Trocar uma irmã velha por uma mãe velha e caduca é uma escolha difícil..., no entanto, os filhos legítimos católicos, ganharam uma mãe (igreja) mais discreta e um pai (papa) conservador. Se isso é bom para eles, creio que sim. Existem algumas posições deste novo papa que merecem nossa consideração: a firmeza conservadora em relação a temas como o homossexualismo e casamento e adoção por gays, a eutanásia, aborto, clonagem, feminismo, ego e individualismo, superstição. Uma das coisas que me traz alguma indignação é a ilusão de unidade da Igreja Católica. A eleição deste homem para líder, revela a preocupação de ter alguém mais habilitado do que todos os outros cardeais, em defender a doutrina clássica católica dentro do seu próprio quintal e lutar contra a expansão do luteranismo ou calvinismo e principalmente o neo-pentecostalismo que é o seu inimigo number one. Para mim acho até bem, pois não encontro grandes diferenças entre os neo-pentecostais e católicos. As preocupações e motivações parecem-me as mesmas ( sobre isto falarei mais tarde). O que nos resta agora é esperar para ver qual a estratégia que este papa vai adotar para que o catolicismo não perca mais fiéis. Pois nós cristãos evangélicos iremos continuar a pregar a Verdade que é somente encontrada na pessoa de Jesus Cristo e nos seus ensinamentos.

19.4.05

Você entende o que está lendo?

Se o livro que estamos lendo não nos desperta, como uma primeira martelada em nosso crânio, por que o lemos? Para ficarmos felizes? Bom Deus, seríamos felizes do mesmo modo se não tivéssemos livros, e, se eles nos pudessem fazer felizes, se necessário, poderíamos nós mesmos escrevê-los. Mas o que precisamos de ter são aqueles livros que vêm até nós como má-sorte, e nos desagradam profundamente, como a morte de alguém a quem amamos mais do que a nós mesmos, como o suicídio. Um livro tem que ser um machado de gelo a quebrar o mar congelado que há dentro de nós.( Kafka)

Não Temos Papa ( que problema ! ! ! )

Neste momento em que a Igreja de Roma está envolvida na eleição de seu líder, o mundo parece indefinido, não pela falta de um Papa, mas pela ausência aparente de um Pai." Por breve momento te deixei, mas com grandes misericórdias torno a acolher-te; num ímpeto de indignação, escondi de ti a minha face por um momento ; mas com misericórdia eterna me compadeço de ti, diz o Senhor, o teu Redentor." (Is54:7-8). Cada vez é mais notório a incapacidade de percebermos (como filhos de Deus) não a distância mas a fé que permite estarmos mais perto de Deus. Disfarçamos bem. A nossa fezinha é mecânica sem relevância. Vivemos os dias dando sinais errados, até parece que não temos um Pai. Temos um Pai . Não somos orfãos. Pensar em coisas do alto é conceder ao nosso coração a paz que o mundo não dá, tampouco um novo Papa. Conhecer as promessas de Deus e orar de acordo com elas é a oração sábia e eficaz. Deus é fiel e certamente iremos ver em nossa vida o seu cumprimento. Ajuda Senhor a minha fé é a oração que devemos fazer a cada manhã.
"Os aflitos e necessitados buscam águas, e não as há e a sua língua se seca de sede; mas eu, o Senhor, os ouvirei, eu, o Deus de Israel, não os desampararei. Abrirei rios nos altos desnudos e fontes no meio dos vales; tornarei o deserto em açudes de águas e a terra, em mananciais. (Is41:17-18).

18.4.05

Citações

O Senhor da linguagem é também o Senhor do acto de a ouvirmos. Karl Barth.

As Escrituras Sagradas são o traje que nosso Senhor Jesus vestiu e no qual se deixa ser visto e encontrado. Essa roupa é completamente entretecida, unida de tal forma que não pode ser cortada ou separada. Martinho Lutero.

Ouvir é Intimidade com Deus

"Sacrifícios e ofertas não quiseste; abriste os meus ouvidos; holocaustos e ofertas pelo pecado não requeres." (Sl40:6 ).

Imagine uma cabeça humana sem ouvidos. Um bloco compacto. Olhos, nariz, boca, mas sem orelhas. No lugar em que, comumente, elas estão, apenas uma superfície lisa, impenetrável, osso duro. Deus fala, não há reação. Literalmente a parte em negrito, está escrito: "o Senhor cavou ouvidos em mim". É estranho que nenhum tradutor haja produzido a sentença exactamente assim. Perder a metáfora é inaceitável, porque o verbo hebraico é "cavar". A metáfora ocorre no contexto de uma actividade religiosa apressada, surda à voz de Deus: "Sacrifícios e ofertas não quiseste... holoucastos e ofertas pelo pecado". Como essas pessoas sabiam sobre as ofertas, e de como fazê-las? Tinham lido e seguido as instruções de Êxodo e Levítico, tornando-se religiosos. Seus olhos leram as palavras na página de Torá e os rituais tomaram forma. Leram cuidadosamente as palavras das Escrituras e adotaram o ritual adequado. Que aconteceu para que não atentassem para a mensagem "não os requeres"? Deve haver mais envolvido do que seguir instruções sobre animais sem defeito, altar de pedra e fogo sacrifícial. E há: Deus está falando e tem que ser ouvido. Mas o que adianta Ele falar, sem que existam ouvidos humanos para escutar? Por isso, Deus toma uma picareta e uma pá e cava o granito craniano, abrindo passagem que dará acesso às profundidades interiores, à mente e ao coração. Ou, talvez, não imaginemos uma superfície lisa de crânio, mas algo como poços entupidos de lixo: Barulho cultural, fofoca descartável, conversa suja. Os ouvidos estão cheios de tal forma que não ouvimos Deus falar. Ele os cava de novo, retirando o lixo sonoro, assim como Isaque abriu de novo os poços que os filisteus haviam entupido. O resultado é a restauração das Escrituras: olhos transformados em ouvidos.

17.4.05

Poderia...

Quando pensamos naqueles sonhos que não se realizaram e inúmeras pessoas que apertamos a mão e não conhecemos, lugares e culturas que não pisámos e sentimos, entramos em crise.Crise sem desgosto, sem ressentimentos. Afinal, eu sou eu, ou outro?Nós somos aquilo que somos e não podemos fugir da realidade de nós mesmos a não ser que queiramos ser alguém que nunca seremos. Pior do que eu é não ser o que sou e ser aquilo que poderia ter sido.

16.4.05

O Mercado

Todos os sábados de manhã é costume ir jogar futebol, contudo, devido ao calor e falta de conversa o jogo ficou adiado. Fui ao mercado com a minha Renatinha e a minha simpática sogra. A minha sogra conhece todo o mundo pois ela tem trabalhado durante alguns anos na venda de frutas e legumes. Os vendedores do mercado municipal já a conhecem de "ginja" (de outros carnavais), afinal ela é um deles. Os peixeiros dão-lhe peixe e camarão - às vezes - as senhoras das bancas de verduras sorriem e sempre perguntam: - Vai alguma coisa dona Iolanda? Dona Iolanda a minha sogra é um espectáculo e muito popular no mercado municipal. Eu e Renata parecemos uns turistas (duristas ou tesos) caminhando nas calçadas de Angra debaixo de um sol abrasador. Água de côco e guaraná natural são bebidas que nos dão coragem para subir o morro carregados com legumes e peixe e vontade de coçar os olhos molhados de suor. Chegando a casa entramos numa estufa, logo os ventiladores e chuveiros começam a funcionar. Isto tudo antes de começar a fazer o almoço, que por incrível que pareça será 100% português: bacalhau cozido com batatas, brócolos e cenouras.

15.4.05

Um Livro Impressionante

" Um Pastor Segundo o Coração de Deus ", Editora Textus, de Eugene Peterson, um antídoto para algumas práticas superficiais, empresariais e, essencialmente seculares que fazem parte do ministério pastoral da actualidade. Peterson afirma que os pastores estão abandonando seus postos..., o seu chamado. Aquilo que fazem e alegam ser ministério pastoral não tem a menor relação com as atitudes dos pastores que fizeram história nos últimos 20 séculos. Existem perguntas que Peterson faz e responde de uma forma bem clara e chocante, mostrando a realidade que muitos de nós pastores novos e velhos tentamos esconder.
Você quer que seu ministério agrade aos membros de sua igreja ou a Deus?
O ministério é para você apenas um emprego ou uma vocação que Deus lhe confiou?
O ministério tem sido algo muito pesado e diferente daquilo que você imaginava?
Você tem alguma dúvida quanto à sua chamada ao ministério?
Você não entende por que a igreja que prega meias-verdades está sempre cheia e a sua está sempre vazia?
Que Deus pensa dos que são considerados pastores bem -sucedidos hoje?
Uma das questões que Peterson levanta, é de que alguns pastores estão confusos quanto ao modelo pastoral a ser adotado. Seus modelos acabaram falhando caindo e ficando pelo caminho. Isto diz ele, traz desapontamento e frustação e ao mesmo tempo insegurança quanto ao ministério e ao chamado de Deus e alguns dos que nunca foram grandes modelos estão de pé, com suas igrejas cheias, seus cultos alegres e repletos de milagres. Finalmente a pergunta chave: Qual é o verdadeiro modelo bíblico para um pastor que deseja ser segundo o coração de Deus?
Recomenda-se este livro com certa urgência. Ofereça este livro ao seu pastor. Particularmente estou sendo perturbado por este livro.

14.4.05

Realidades Distintas?

Quando vivemos observando e participando do que acontece em dois países(Portugal e Brasil), não podemos evitar as comparações. As pessoas têm os mesmos problemas, mas maneiras diferentes de reagir a eles. As pessoas riem e choram, praguejam e esquecem ou não. Caiem e levantam-se mais depressa ou devagar.Também sempre nós virados para o "eu imperial" procuramos não ficar mal, não pensamos nos outros e suas razões, nas suas perguntas e limitações, não nos suportamos. O perdão, como remédio para os males do coração, o riso que abrilhanta o nosso rosto não é mais usado, preferimos os comprimidos ou as defesas que criamos conscientemente em proteção ao nosso ego. Não percebemos que todas as nossas quesílias um dia ninguém mais vai se lembrar delas, ninguém mais perguntará nada a respeito, são coisas passadas que estão destinadas ao esquecimento, porque não têm relevância a não ser no momento que acontecem, e aí aprender alguma coisa. Estamos em desvantagem nos tempos que correm, o Inimigo de nossas almas deve estar "numa boa" a nossa carne está desgatada e o mundo vai se tornando insuportável, precisamos de uma revolução em nossas vidas, estabelecer prioridades e renovar nosssos relacionamentos, tornando-os significativos ao nível da relação com Deus. A mensagem de Cristo é sempre a de correr certos riscos de ir mais além.

13.4.05

Calor Somente Calor

Em Angra dos Reis o calor chega a ser insuportável. Por dia são três banhos e às vezes quatro, é o melhor momento do dia diz a Renata. O meu cão passa até mal, mas fazer o quê? Apreciar uma brisa fresca vinda do mar é algo estimulante. Bebemos água sem parar e temos sempre sede. Ficamos sonolentos e suamos até no duche. A praia aqui bem perto e eu sem vontade de descer o morro. O calor tem as suas vantagens é que quando não queremos fazer nada, este calor é uma boa desculpa.

12.4.05

Cheguei

Chegar a casa, rever a minha Renatchinha, abraçar a minha filhota, ainda na barriga de sua mãe é uma experiência maravilhosa. Sentir o quanto o meu cachorro gosta de mim... Bem, talvez poucos percebam do que estou falando. No entanto, deixar aqueles que nós amamos também nos deixa em um outro estado o da perda, perda temporária, mas perda. Agradeço a todos que me receberam e me deram palavras de incentivo. São estes que fazem a diferença.

2.4.05

Escrever Por Escrever

O que poderia dizer, quando há tanta coisa para dizer. Reconheço que ás vezes sou pródigo nas palavras, desligo-me do seu significado, penso apenas no final se a frase faz sentido ou não. Nestes casos de seca intelectual e de preguiça resta-me esperar que olhando algo novo surja aquele detalhe que me inspire. Sou avesso a certas imagens e conceitos que predominam as mentes vulgares, eu que sou muitas vezes escasso e chato. Enfim, talvez seja a falta de calor e humidade que o cérebro já estava habituado que gerou esta crise de reflexão.

31.3.05

Ainda Em Portugal

Nós humanos somos um bicho difícil de entender. Os desejos que alimentamos e a vontade de os ver realizados são setas apontadas ao íntimo de nosso ser. Desejei estar aqui em Portugal de uma forma quase doentia e agora acontece o mesmo em relação ao Brasil. Saudades da minha cara metade do meu cachorro da minha igreja das minhas coisas que são poucas dos meus irmãos em Cristo.

21.3.05

Em Portugal

Hoje está chovendo e isso é um milagre. Quando cheguei achei tudo triste, não havia verde, tudo seco, sem cor nem graça. Talvez seja um pouco o estado da alma de muitos que vivem sem alegria sem aparentes motivos para celebrações ou a sensibilidade para perceber a benção da chuva. Creio que a chuva é um bom prenúncio de coisas boas que vêm por ai. Assim seja.

10.3.05

Férias

Amanhã, querendo Deus, estarei viajando para Portugal. A chegada está prevista para 6.30 horas. Este blog irá ficar em stand by durante um mês. Convido a todos a visitar o arquivo e comentar. Até lá.

9.3.05

Visões Distorcidas

"Atam fardos pesados [e difíceis de carregar] e os põem sobre os ombros dos homens; entretanto, eles mesmos nem com o dedo querem movê-los" (Mt23:4).
Tenho pensado acerca da interpretação que fazemos do Texto Sagrado. Muitas vezes uma interpretação rodeada de conceitos meramente pessoais e dúbia. A coerência entre aquilo que sou e aquilo que penso pode estar bem longe da verdade do texto bíblico. Por isso, para procurarmos a verdade do texto, devemos saber em primeiro lugar lidar com os princípios de interpretação isto é, recorrer à disciplina de Hermenêutica. Além de gozar de um relacionamento correto com Deus, o princípio mais fundamental da interpretação bíblica consiste em colocar em prática o que fazemos inconscientemente todos os dias de nossa vida. A hermenêutica não é primariamente uma questão de aprender técnicas difíceis. O treino especializado tem o seu lugar, mas é, na verdade, bastante secundário. Poderíamos dizer que o que importa é aprender a "transpor" nossas rotinas interpretativas costumeiras para a nossa leitura da Bíblia. É justamente aí que começam nossos problemas. Existem histórias na Bíblia que podem nos confundir devido há nossa visão míope e "pré-conceituosa". Quando olhamos o texto de Oséias e ouvimos Deus mandar o próprio profeta tomar uma mulher prostituta e casar com ela e ter filhos, sabemos que: os caminhos de Deus e pensamentos estão bem acima de gestos morais e valores que consideramos imprescindíveis. Na verdade hoje muitos pastores têm dificuldade em aceitar a mulher prostituta e recebê-la como membro de sua comunidade. Jesus ao contrário não a condenou, disse-lhe o que ela tinha que fazer "vai e não peques mais". Esse conselho, hoje é substituído por regras e preceitos que escondem outras histórias. Tanto Oséias como a mulher prostituta e outros anónimos, carecem de amor , não de leis. O mundo que Deus amou necessita de pastores e líderes mais amorosos como também de profetas chamados por Deus. Profetas para hoje. Que no entender de Calvino nada mais são do que correctos interpretadores da Palavra de Deus.

8.3.05

Inquietações

Diz-se que cada um tem seu deserto para atravessar, e para alguns este é o deserto da fé. Sem falar imediatamente de religião, pode-se depositar a fé, a confiança em uma pessoa que se vai considerar ponto de referência, mestre, guru, autoridade... Mas de repente esta se revela como uma decepção; ela já não corresponde às nossas expectativas, isto é, às nossas projecções e, de modo particular, a esta projecção do Si-mesmo, o Si-mesmo esquecido ou mal integrado em nós e que projectamos inconscientemente sobre um ser finito que passa então a revestir todas as qualidades de uma perfeição que nos falta. Essa retirada das projecções pode ter efeito salutar, e libertar-nos de uma alienação nascente. Jesus neste ponto, era radical: "Por que me chamas de bom? Um só é bom!" " não chamem ninguém de mestre! Não chamem ninguém de pai!" E Àqueles que pretendiam fazer dele o taumaturgo, que os libertaria de todo o mal, recordava que Ele não era a fonte da cura que operava: "A tua fé te curou".
Afirma-se às vezes que Deus se retira, que Ele nos abandona. Mas não é Deus quem nos abandona; são nossas ilusões, nossas projecções. Não se perde a fé; pelo o contrário, começa-se a entrar mais fundo na fé quando se perdem todas as crenças, quando se deixam de lado os apoios das nossas representações. O que nos revela o deserto é que não existe entre nós muitos verdadeiros homens de fé, mas sim muitos idólatras. Foi no deserto que Satã tentou o Mestre com propostas sedutoras. É no deserto que iremos dizer o que somos e juntamente com isso de quem somos.

7.3.05

Palavras Jogadas ao Vento

Moendo e remoendo os dias dou-me conta da rapidez com que evelhecemos. O tempo implacável, visto no espelho a cada manhã. Sem dó, o reflexo mostra-nos o que realmente somos:cabelos brancos ou a falta deles. Enfim, pó. As ansiedades e preocupações tornam-nos dependentes. Serei um eterno dependente. A liberdade como a entendemos não tem nada a ver com a liberdade de Deus, visto que Deus sempre faz o certo e nós não. Alguém perguntou por que os mortos pesam tanto. A resposta foi que eles carregam palavras não ditas, silêncios. Quanto a mim eu acho que sou mais pesado vivo e que morto serei leve. Não adianta fugirmos daquilo que nós somos, mais cedo ou mais tarde nos encontraremos de novo em algum deserto, eu e o Outro.

4.3.05

CONSTRUINDO UMA IGREJA SAUDÁVEL

Colaboração Pr. José Carlos
Para construir uma igreja saudável é preciso ter em mente que isso é fruto de famílias saudáveis. Como já vimos anteriormente, famílias saudáveis são e serão responsáveis por gerar e construir igrejas saudáveis, fortes e operosas.
Outro princípio que temos que ter bem claro é que igreja não é a construção física (templos, salas, banheiros, etc...) mas sim a reunião dos santos. “Quando estiver dois ou três reunidos em meu nome ali estarei”, disse Jesus. Quando há esta reunião, ali há uma igreja do Senhor exercendo o seu ministério. Mas partiremos do princípio que trabalhando incansavelmente para obtermos este êxito nas nossas famílias, poderemos avançar na construção de igrejas saudáveis. Assim, passaremos a esboçar alguns princípios básicos e fundamentais para estabelecermos a nossa igreja. Princípios elementares mas que são indispensáveis a qualquer construção.
Começaremos pelas bases. As fundações são a garantia do sucesso e permanência de qualquer construção. Sem elas nenhuma construção pode permanecer diante das adversidades que lhe aparecerão. Portanto, quais são as bases da igreja saudável?
A primeira e principal base é a Palavra de Deus (Bíblia Sagrada) sem a qual não teríamos qualquer conhecimento de Deus e da obra redentora de Jesus Cristo. A igreja tem que estar fundamentada nos mandamentos do Senhor para as nossas vidas e para a realização da sua obra.
Outra base importante é reconhecermos o senhorio de Jesus sobre a igreja. Jesus é o cabeça da igreja assim como o homem é o cabeça da mulher e da família, e Deus é o cabeça de Cristo, conforme nos fala Paulo. Sendo Jesus o cabeça estamos sob a sua orientação e direção. Portanto é muito importante a igreja se submeter ao senhorio de Jesus e à sua direção espiritual. É exatamente seguindo a direção dada por Jesus que a igreja poderá desenvolver eficazmente o seu ministério aqui na terra. Quanto ao ministério da igreja saudável falaremos mais adiante. O senhorio e orientação de Cristo se dá entre nós pela ação do “Consolador”, o Espírito Santo de Deus que habita em nós, em cada servo e serva do Senhor Jesus. É o Espírito Santo que está conosco até a consumação de todas as coisas que nos orienta e nos leva a fazermos a vontade de Deus.
Assim avançamos para a terceira base que queremos destacar neste estudo, é o “fato” de procurarmos estar no centro da vontade de Deus. Por que esta base que provém da volição (vontade) do homem e não de Deus é de suma importância também para a construção de uma igreja saudável? É exatamente baseado no princípio do livre arbítrio que Deus age na vida do homem. Em nenhum momento Deus nos forçou a aceitá-lo como Deus e Senhor das nossas vidas, antes fomos atraídos pela sua irresistível graça e assim fomos reconciliados novamente com Ele. Esse passo importante foi dado conscientemente por cada um. Da mesma forma esta base é importante por isso. Pela nossa vontade buscamos estar no centro da vontade de Deus, para realizarmos a sua obra e correspondermos ao seu chamado.
A igreja saudável existe para desenvolver certos objetivos que Deus determinou no seu coração. Um deles é congregar os santos em Cristo. Aqueles que foram lavados e remidos pelo sangue do cordeiro. Nunca devemos nos afastar da comunhão da igreja, ainda que esta comunhão não seja perfeita e ideal como nós almejamos. Porque quando nos afastamos estamos nos expondo como presas fáceis para o nosso adversário. Sozinhos não conseguiremos resistir às investidas do maligno na nossa vida. Precisamos da comunhão dos irmãos, irmãos que são homens e mulheres falhos e cheios de defeitos como nós, mas que são nossos irmãos em Cristo, temos um elo muito forte que nos une, somos filhos do mesmo Pai e fomos gerados todos em Jesus Cristo.
Outra finalidade é ser uma agência proclamadora do evangelho do Senhor Jesus, transmitir as boas novas de salvação, a todos os moradores do mundo. Esta é o que nós poderíamos chamar de missão da igreja saudável. Se uma igreja proporciona comunhão aos santos mas não proclama o salvador, ela perdeu a sua missão e conseqüentemente a sua finalidade como igreja do Senhor Jesus. Temos diversas maneiras e meios de realizar esta tarefa. Pregação nos cultos públicos dominicais e semanais, programas de rádio, televisão, cartas, panfletos e tudo o mais que o Senhor nos der oportunidade. Mas sem nenhuma dúvida o meio mais eficiente e arrebatador é o nosso testemunho individual. Com ele conseguimos mostrar na prática o que o Senhor diz nas Escrituras. Isso exerce um poder tremendo nas vidas dos ouvintes.
E o terceiro objetivo como igreja é proporcionar desenvolvimento espiritual aos santos em Jesus Cristo. O nosso desenvolvimento nos é concedido mediante a utilização dos nossos dons. Dons estes que foram dados pelo Senhor para que a igreja funcione de forma ordenada e completa. Cada qual com seu dom exercendo o seu ministério pessoal diante de Deus através da igreja. Quando buscamos nos desenvolver através do exercício dos nossos dons, o Espírito Santo age de forma soberana nas nossas vidas e nós passamos a nos submetermos à sua direção. Daí ser tão importante este desenvolvimento. Somente seremos uma igreja saudável quando todos os nossos irmãos, que fazem parte deste grande corpo chamado igreja, começarem a exercer os seus dons e ministérios. De outra forma, nunca conseguiremos atingir um desenvolvimento saudável e desejável por estarmos atrofiados e parados, sem desenvolvimento e saúde espiritual.
Que o Senhor Jesus, Senhor nosso e da Igreja, nos faça repensar as nossas posições acomodadas e que lhe desagradam.

Manejar ou Manipular

O apóstolo Paulo escrevendo a Timóteo acerca de falsos crentes e falsas doutrinas, dá a este algumas dicas de como deve agir diante das mais diversas situações que são comuns acontecerem numa igreja. Uma das recomendações de Paulo é para que Timóteo demonstra na prática ser alguém zeloso pela Palavra. Ao deparar-se com os desvios e vacilos da comunidade, Timóteo teria que se impor na Palavra e pela Palavra afim de que não fosse envergonhado na frente dos "inimigos da cruz" que sempre têm seus lugares nas igrejas. Quando Paulo aconselha o jovem pastor a se apresentar como um trabalhador que maneja bem a Palavra, usa a metáfora do arado, fazer uma linha recta, ou construir uma estrada em linha recta. Uma outra tradução diz : "que dispensa com rectidão a palavra da verdade", que divide com o objectivo de esclarecer ou simplesmente de colocar um fim a discussões "inúteis e profanas". Às vezes pervertermos a Palavra manipulando-a em vez de cedermos à sua orientação. Não manejamos (dividimos), manipulamos com outros fins que não são a construção duma Igreja mais sábia. Este tipo de manipulação negativa esconde naturalmente motivações ou razões que são meramente pessoais e interesseiras. Fujamos disso.

3.3.05

Quer pagar quanto?

Colaboração Pr. José Carlos
Esse refrão que está na boca do povo, que foi usado numa propaganda de TV, por incrível que pareça, também pode ser aplicado a nós. Quanto estamos dispostos a pagar por uma vida frutífera e cheia de felicidade? Quanto estamos dispostos a pagar pela harmonia do nosso lar e pela estabilidade emocional das nossas vidas? Quanto estamos dispostos a pagar pela salvação e vida eterna com Deus?
Talvez isso soe como uma heresia: "Pagar pela salvação". Mas o que nós estamos querendo falar na verdade é que todos nós temos que pagar um preço se quisermos todos aqueles benefícios. Como disse o salmista: “Que darei ao senhor por todos os benefícios para comigo?” O preço podemos pensar que seja alto, mas na verdade Jesus Cristo foi quem pagou o mais alto preço por nós, preço de sangue. Ele se deu primeiro por amor a cada um de nós para que depois nós pudéssemos nos dar por Ele.
De fato, há um preço a ser pago para conquistarmos tudo aquilo que falamos no início. Uma vida feliz, cheia de paz e alegria. Uma família que tenha harmonia e segurança. Tudo isso tem um preço. A palavra do Senhor nos fala que se não buscarmos a santificação, não veremos Deus. E se não veremos Deus, significa que não iremos habitar nos céus. E isso indica uma coisa muito ruim, infelicidade, angústia e pesadelo eterno.
A santificação é o processo pelo qual todo cristão tem de passar para se achegar mais e mais ao Senhor. Se consagrando diariamente, buscando fazer a sua vontade e abandonando as práticas das coisas erradas e pecaminosas. Por isso é um processo. Um processo lento muitas vezes, pois nos leva a lutar em primeiro lugar conosco mesmo. É uma luta interior, contra os meus maus pensamentos e desejos contrários à vontade de Deus, tudo isso faz com que eu viva um conflito interno. Como Paulo afirma: “o bem que desejo fazer, este não faço, mas o mal que não quero fazer, este está sempre diante de mim.” Esta verdade sobre nós mesmo, nos leva a concluir algumas coisas que podem nos ajudar neste processo de santificação.
1) Somos falhos, pecadores e inteiramente dependentes de Deus.Quando assumimos isto, damos o primeiro grande passo para a nossa santificação. Reconhecemos que precisamos do Senhor nas nossas vidas e que sem Ele não seremos capazes de viver um só dia. Esta dependência é sadia e inevitável. Precisamos do Senhor para que através do seu Espírito possamos receber graça e misericórdia para reconhecermos o pecado que está em nós e então sermos fortalecidos em Deus para lutarmos e vencermos o nosso adversário.
2) Não podemos nos afastar da comunhão dos irmãos na Igreja.Ao contrário do que muitos pensam, a união e comunhão trás mais benefícios do que confusão. E é exatamente através dela que Deus estabelece seus parâmetros para nos fortalecer e nos guiar quando as coisas nos parecem difíceis e complicadas. Vocês já perceberam que quando uma pessoa começa a ir mal na sua vida espiritual, a primeira coisa que ela faz é se afastar da comunhão da Igreja? Isso é estratégia do diabo e de seus subalternos. Ele usa a acusação, a vergonha e outras coisas semelhantes para fazer com que o indivíduo se afaste cada vez mais da presença do senhor e de seus irmãos.
3) Não podemos deixar de nos alimentar com a Palavra de Deus e com as orações.
A palavra de Deus é o combustível para a nossa vida. Ela é que mantém a chama do nosso espírito acessa. Quando nos alimentamos diariamente com ela nos matemos fortes e somos revestidos de poder por parte de Deus para enfrentarmos as dificuldades e tentações. Quando abandonamos a leitura da Bíblia começamos a ficar vulneráveis e enfraquecidos, sujeitos à ação do inimigo. Não mantemos forças suficientes para resistirmos as suas investidas e assim, acabamos caindo nas suas ciladas e armadilhas.
Queridos leitores, lutemos, não como que desferindo golpes no ar, mas tenhamos bem claros nossos objetivos. Saibamos que nosso adversário está pronto a nos tragar, basta darmos oportunidade. Esteja pronto a pagar o preço pela santificação e por uma consagração, para que você possa ver o Senhor agindo poderosamente na sua vida e na sua família.

Lutero

Ontem na minha igreja assisti o filme Lutero. Lutero impressiona. Entre muitas de suas qualidades a sua determinação em conhecer a Verdade realça o carácter e a personalidade de um homem talhado para ser uma das personagens da história mais marcante. Lutero desafia-nos hoje a buscarmos respostas às incertezas da experiência religiosa e da própria teologia. A vitória de Lutero se firma sobre estacas eternas. A justificação pela graça mediante a fé é a Verdade mais significativa para o cristão. Todo o resto que é maravilhoso assenta neste incompreensível e grandioso acto de Deus.

2.3.05

Morro do Carmo

Eu vivo num morro. De uma de minhas janelas vejo um pouco do mar. As casas se provocam amontoadas nas encostas. Não existe padrões estéticos, cada um constrói mostrando um pouco de si. Todos os morros devem ser barulhentos. O meu tem dias. Os sons são vários. Galinhas cacarejando, batidas e serras elétricas acompanham as aparelhagens de som a ritmos diversos que vão de samba, sertanejo a musica evangélica para todos os gostos. Quem tem o som mais potente ganha, isto é, obriga os outros a ouvir as suas músicas de eleição. O Morro do Carmo é um pequeno mundo cheio de oportunidades. Repleto de cor de vida.

Sedentos

Cada um pensa de si sempre algo mais, ou menos do que é. Cá por mim eu acho que não passo de um sedento. Preciso de abrir o meu coração com Deus. Cantar canções de nostalgia e de esperança. Os problemas e ansiedades ocupam demais os meus pensamentos. Já não sei para onde vou. O deserto é a minha vida é a minha solução. Talvez apareça uma fonte, um oásis e possa debaixo de uma árvore olhar o céu finalmente azul. A corça suspira por correntes e eu por Deus. "Sei que uma rosa é uma rosa, que o deserto é um lugar de solidão; sei que o mar traz nostalgia e que do céu desceu a salvação" (Myrtes Mathias).

1.3.05

Parabéns

Hoje a cidade do Rio de Janeiro fez 440 anos. O seu fundador o português Estácio De Sá. Não podemos saber ao certo o que este homem sentiu quando se deu conta da beleza deste lugar. O mar, as montanhas, a baía e as penhas enormes, o verde e as cores diversas, devem ter provocado nestes homens a certeza de ser este o lugar ideal para se viver. Infelizmente esse privilégio custa muito dinheiro nos dias de hoje.

Estou De Volta

Foi uma luta bem ganha esta mudança de cidade. Angra dos Reis é uma cidade superlotada de pessoas de vários Estados, muito desemprego e poucas chances para aqueles que procuram o primeiro emprego. A violência é tanta ( não propriamente na cidade mas na periferia), que os jornais da cidade só falam disso. Entre alguns problemas, destaca-se pela positiva a beleza extrema das ilhas e das praias, o delicioso peixe e camarão que abunda por aqui. Tudo isto e muito mais pode ser apreciado em visitas guiadas em um dia. A juntar a esta beleza tem a beleza dos irmãos congregacionais que já alguns anos nos cativaram com a sua simpatia e amizade. Sinto-me honrado em ser membro da Igreja Congregacional de Angra dos Reis e participar do crescimento e das lutas, que na verdade fazem parte integrante do ministério pessoal e comunitário. A nossa igreja tem aproximadamente 5oo membros, 9 classes de escola dominical, ministério de louvor composta de vários músicos, grupo de coreografia e outras actividades que envolvem os vários departamentos da igreja. Tem um pastor presidente(Eliabe 35 anos na mesma igreja) o pastor auxiliar (José Carlos) e mais dois pastores em duas congregacões e o pastor Guimarães como cooperador. Eu como cooperador e membro estou de volta e com vontade de trabalhar. A Renata é membro há 13 anos e muito querida entre os irmãos que sempre nos têm apoiado. Esperamos que Deus nos dê sabedoria e ânimo para mais esta missão.

25.2.05

Mudança

Estamos mudando da cidade de Teresópolis para Angra dos Reis. Este blog por enquanto vai ficar parado até terça -feira. Me aguardem.

23.2.05

Confirmado (viagem)

Já tenho o bilhete na mão. Se Deus quiser estarei chegando ao aeroporto de Lisboa no dia 12 de Março às 6.30 da manhã. Ficarei 1 mês. Espero poder passar bons momentos com aqueles que sempre estiveram no meu coração. Estarei na Farinha Branca, contactem-me.

"Amas-me!?"

Colaboração: Samuel Nunes

O filme "Um Violino no Telhado" (Fidller on The Roof - seria melhor traduzido violinista no telhado), tem uma cena amorosa entre o patriarca da família e a sua esposa. Pergunta ele a certa altura à mulher: "Amas-me?" "Que pergunta parva" - diz ela - "estás com indigestão". Ele insiste: "Éramos tímidos quando casámos, não falávamos muito!", e ela desabafa: "25 anos a criar-lhe os filhos, a lavar-lhe a roupa, a fazer-lhe a comida e a limpar a casa, e agora ele pergunta-me se o amo!" "Bom, então amas-me?" - pergunta ele. "Suponho que sim!" - exclama ela. "Ainda bem!" - suspira ele.
Cristo também faz essa pergunta crucial a Pedro, em João 21: "Amas-me!?". Crucial em três áreas para Pedro, e para mim.
1 - Fisicamente, Cristo faz a pergunta à beira dum churrasco na praia. Fora também perto dum fogo em casa de Caifás que Pedro sentira o seu mundo desabar. O fogo da traição. E eu penso nos "fogos" que ateei no meu percurso de vida, e nas vezes que traí o meu Mestre!
2 - Emocionalmente, a pergunta mexia com Pedro. Pois já provara que o seu carácter tinha sombras e era volúvel. Para mais, Cristo esfregava sal na ferida ao tratá-lo por "filho de Jonas", que é como quem diz "filho de pomba" - instável, frágil e assustadiço. Como ele desejava ser "petra" de sentimentos! Firme como a rocha. E eu penso nas vezes que tenho sido "pomba", e no desejo não concretizado de ser "petra".
3 - Espiritualmente, Pedro vivia num pesadelo, povoado por galos a cantar, e galináceos a debicarem na sua cabeça ... a meio da noite acordava alagado em suor ... cometi o pecado imperdoável! Entretanto, Cristo restaura Pedro. Primeiro dá-lhe a garantia de que o perdoa, e assim, com a sua confiança de novo energizada, Pedro recebe uma missão: "Apascenta as minhas ovelhas". E há nesta frase todo o perdão que viaja da negação para a afirmação. E eu penso nos momentos em que Cristo serenamente me perdoa levando-me ao colo para que a minha atitude espiritual seja de lúcida afirmação.

21.2.05

Consequências

O governo britânico anunciou hoje a aprovação de casamentos de pessoas do mesmo sexo. Não será de todo absurdo prever que logo a mesma lei seja aprovada em Portugal. Um país como a Inglaterra, há muito que abandonou aqueles valores que a fizeram uma nação abençoada e marcante na história do cristianismo mundial. E como a Inglaterra sempre foi o nosso maior aliado... A europa tradicional já não existe. Desapareceu o temor e tremor de Deus. Resta-nos seguir a derrocada não só da estrutura familiar tradicional, como também, aguentar toda hora o pensamento progressista como sendo legítimo, moderno, livre etc. O que iremos ver mais lá na frente é nada mais do que aquilo que é semeado hoje.
"Ora, conhecendo eles a sentença de Deus, de que são passíveis de morte os que tais coisas praticam, não somente as fazem, mas também aprovam os que assim procedem" (Rm 1:32).

Pontos Nos is

Acompanhei os resultados e comentários destas eleições. Pude sentir que os portugueses estão cansados e desconfiados em relação ao futuro. As mudanças fazem-se de duas maneiras: equilibradamente ou em desespero. Parece-me que este é o caso. Quando as ideologias de esquerda e extrema esquerda passam a ter a primazia entre a maioria, isso traz concerteza desequilibros, reações diversas, não só na economia como no aspecto social e ético. Esperamos que certas propostas contrárias ao cristianismo possam morrer não somente na gaveta mas também nas mentes. Sócrates não me diz absolutamente nada a não ser quando pertencia a JSD e que depois mudou sendo influenciado por um amigo. Tem gente grande que muda com muita facilidade. Resta-nos esperar. Não pode haver desculpas, o homem tem tudo para governar. Ele disse várias vezes que não assume compromissos mas objectivos (interessante). Paulo Portas reconheceu que falhou objectivos partidários e pessoais, quatro ao todo e pediu demissão. Vamos ver as desculpas que Sócrates nos dará se não cumprir os "objectivos" que a meu ver se derem errados a responsabilidade não será somente dele mas de muitos. Como português espero que algo melhore ao nível do emprego, oportunidades para os jovens e reformas mais justas, acesso ao crédito com juros mais baixos (e que o benfica seja campeão). Uma palavra sobre Paulo Portas, um homem sensível e com idéias bem claras. Não posso deixar de assinalar aqui que foi o único homem que mencionou Deus passando a idéia que crê Nele como sendo soberano e seu Senhor. Deus manda-nos respeitar as autoridades, porque elas são instituídas por Ele. É por isso que todos nós devemos obedecer desde que essas autoridades não se choquem com a autoridade de Deus."Todo homem esteja sujeito às autoridades superiores; porque não há autoridade que não proceda de Deus..." (Rm13:1-7). No entanto, uma vez que nem sempre as autoridades civis estão em acordo com a vontade de Deus " importa obedecer a Deus e não aos homens". Não tenho ilusões a respeito do mundo e das alianças dos homens. Se a nossa esperança se resume às coisas deste mundo Paulo diz que "somos os mais miseráveis dos homens"(1Co15:19). Vivemos no mundo e é aqui que tomamos decisões, mas precisamos enxergar o mundo e seus sistemas do ponto de vista bíblico e tomar decisões com consciência ou mentalidade cristã.

19.2.05

Cinema

Ontem fui ao cinema com a Renata assistir o filme Million dollar baby. Gostei, apesar de ser fã dos filmes que terminam bem, que não foi o caso deste. O filme levanta questões como esfacelamento familiar consequência da pobreza, doença e indiferença. Mostra também o conflito de alguém frustado que teve a chance de realizar seu sonhos (Morgan Freeman). Um pai que não é correspondido pela sua filha(Clint Eastwood) e tem o boxe impregnado em sua alma. Um padre sem paciência. A juntar a este cardápio a personagem principal convida-nos a pensar sobre o que é determinação. No entanto, tudo isto e muito mais, logo fica para segundo plano quando o final do filme se aproxima. E aí, entramos no dilema do problema ético e cristão da Eutanásia. Complicado. O que nós faríamos numa mesma situação? O que nós pensamos fora do problema pode ser bem diferente vivendo dentro do problema. Vão ver e digam qualquer coisa.

17.2.05

Para onde Senhor?

Quando Deus chamou Abraão e lhe disse para ir para uma terra que ele desconhecia, Deus deu-lhe uma única ordem:" Sê tu uma bênção" (Gn 12:2). Nos dias de hoje é comum vermos pessoas andarem de igreja em igreja em busca de bênçãos. Pode ser a busca frenética pela cura de alguma enfermidade, pode ser a busca de realização profissional ou prosperidade financeira, pode ser o pedido de libertação de vícios ou opressão psicológica. Sabemos pela experiência que o homem muitas vezes passa por dor e sofrimento por ignorar a vontade de Deus ou simplesmente não aceitar essa vontade. Por outo lado, também acontece que Deus em seus sábios planos nos leva por caminhos que jamais andaríamos, e aí, nos mostrar algo maravilhoso de Seu poder e graça. Seja como for, o nosso chamado individual é ser uma bênção. Fazemos parte de uma sociedade nova que está sendo criada em Jesus Cristo que se relaciona através de gestos e afectos. Ao invés de procurarmos bênçãos devemos ser bênção. Os nossos problemas ofuscam os problemas dos outros.Tornamos as nossa vidas áridas e secas porque não buscamos o oásis mais além. Somos águias que desaprenderam a voar a enxergar do alto. Olhamos para nós mesmos e ficamos satisfeitos ou então nos vemos tão pequenos que fugimos e nos escondemos em cavernas de alvenaria. A vida é extremamente difícil quando o medo nos paraliza e nos impede de ser bênção. "Remir o tempo" significa aproveitar as oportunidades.

16.2.05

O QUE É A VERDADE?

Vivemos uma época em que a cultura no geral afirmou um compromisso com a antiverdade. O mundo moderno faz guerra à própria noção da verdade. A visão científica de mundo do naturalismo suplantou a noção do Criador e criação. O surgimento de filosofias críticas atacou a revelação e a inspiração. A ascendência do humanismo varreu para longe as idéias de pecado e limitações. A arrogância humanista da época afastou a providência e o governo divino. A imergência do eu imperial levou à rejeição de todo o temor do juízo e da ira divina. O assalto da modernidade contra a verdade fez o seu estrago - não que a modernidade tenha enfraquecido a verdade, porque a verdade é inviolável. Mas esse assalto e consequente prejuízo pode ser medido na secularização crescente da cultura e das igrejas, no testemunho contemporizado de muitos crentes, nas mensagens acomodadas pregadas em muitos púlpitos e na confusão mortífera da época. Como podemos lutar pela verdade muma Era de antiverdade? Primeiro, precisamos admitir que muito do que enxergamos é uma espécie de verdade distorcida. Os filósofos gregos começaram por buscar a verdade ou o verdadeiro, diante da falsidade, da ilusão, da aparência, etc. No entanto, a verdade das coisas não é, então, a sua realidade am face da sua aparência, mas a sua fidelidade em face da sua infidelidade. Para o hebreu, verdadeiro é, pois, o que é fiel, o que cumpre ou cumprirá a sua promessa, e por isso Deus é o único verdadeiro, porque é o único realmente fiel. Agostinho diz haver uma fonte para todas as verdades: essa fonte é Deus ou a "Verdade". Mas como compreender? Ou na linguagem filosófica capturar essa verdade, que é realmente a "Verdade"? Uns dirão que é a inteligência que a capta, outros a intuição, outros, por fim, que é captada através das sensações. A Bíblia diz que o homem vive em escuridão "Apalpamos as paredes como cegos, como os que não têm olhos, andamos apalpando. Tropeçamos ao meio-dia como nas trevas e nos lugares escuros somos como mortos" (Is 59:10).
A religião secularizada sem coração não passa de uma instituição de condutores cegos de cegos (Mt 15:14). A falsidade e a heresia mostram o evangelho sendo usado como fonte de lucro e vantagens - um evangelho pesado e terrorista "Atam fardos pesados [e díficeis de carregar] e os pôem sobre os ombros dos homens; entretanto, eles mesmos nem com o dedo querem movê-los" (Mt 23:4). Paulo fala de sentidos "embotados", "obscurecidos" (2Co 3:14).
A verdade que o mundo não quer ver, tem um presente anestesiado pelas emoções passageiras. Em alguns corações existe "bem estar" ilusório, inconstante, medo de conhecer a verdade, por outro lado, em alguns corações existe o descaso a "vulgarização do poder de Deus" (Ec 5:2). A filosofia deste mundo vem travando uma batalha contra Deus, procurando pôr em dúvida a "Verdade", conforme Pilatos o fez. A verdade não é deste reino terreno. A verdade vem de longe de lugares longínquos, inacessíveis " Nem os olhos viram, nem ouvidos ouviram, nem jamais penetrou em coração humano o que Deus tem preparado para aqueles que o amam" (1Co 2:9).

15.2.05

Irmã Lucia

É impressionante a reverência aos mortos explícita na cerimónia que envolveu a irmã de Francisco e Jacinta. Em certo sentido nossa irmã. Francisco de Assis tratava todas as criaturas de Deus com sendo seus irmãos, nós ao contrário, muitas vezes tratamos as pessoas como objectos e os animais com desprezo e a natureza de uma forma geral. Leonardo Boff escreveu que: "... vivemos uma espécie de lobotomia cerebral. A cultura dominante é mecanicista e dualista, trata a pessoa humana como coisa e não como sujeito". Podemos achar que esta mulher que viveu a vida toda na clausura e no silêncio deve ter sofrido bastante. Não creio. Foram 97 anos de vida e isso só pode ser bênção de Deus. Não sei o que estes três irmãos viram, nem isso é relevante para mim, no entanto, o que viram ou acharam que viram, teve grande influência na história e na vida de milhões de pessoas. Podemos ainda imaginar o dia a dia desta mulher, privada do mundo, vivendo no mundo, longe das distrações e prazeres. Certamente, podemos conceber que algo de extraordinário aconteceu, não é possivel viver tantos anos contra vontade. Como cristãos discernindo o "mistério", esclarecidos, devemos no entanto, seguir o conselho do Apóstolo Paulo:"Portanto, nada julgueis antes do tempo, até que venha o Senhor, o qual não somente trará à plena luz as coisas ocultas das trevas, mas também manifestará os desígnios dos corações; e, então, cada um receberá o seu louvor da parte de Deus " ( 1Co 4:5). Paulo apela à sensatez e prudência. Saibamos respeitar a irmã Lucia como exemplo raro em extinção, de alguém que se privou de tantas coisas (que ninguém mais quer abrir mão), escolhendo a intimidade e o silêncio com Deus.

Planos (viagem)

Provavelmente irei a Portugal passar umas férias. Partirei no dia 10 de Março e retornarei no dia 10 de junho. Aproveitarei para ganhar uns trocados (se tiver a chance de arrumar um trabalho) para pagar a viagem. O dólar baixou consideravelmente e os preços são mais acessíveis nesta época, mesmo assim o negócio fica por 900 dólares . A Renata querendo Deus irá ganhar nénem em Agosto. Já faz 3 anos e meio que estou aqui , as saudades são grandes. Se assim Deus permitir e vier-se a confirmar a viagem espero rever os meus amigos e termos oportunidades de estarmos juntos de-batermos uma bolinha ou conversarmos, partilhando experiências. Como devem calcular estou ansioso. Vamos ver se é desta. Nem sempre planejamos bem, mas quem vai saber?

14.2.05

Aceita-me!

Tenho observado que uma das coisas mais difíceis para nós é aceitarmos as pessoas como elas são. O gajo é do porto e ninguém entende porquê (forçaTiagão), um outro é do P.S para grande indignação de uma parte de seus conhecidos e amigos, um outro tem idéias mais conservadoras e defende uma política de centro direita. Tem gente do benfica, sporting e do porto que participam das mesmas rodas brigando por pagar a conta (uma questão de honra para uns a pior coisa para outros). Enfim, até aqui tudo bem. Mas quando as diferenças passam dessas coisas secundárias, subjectivas para algo mais profundo, afectivo, como um amigo que contraiu sida (aids), alguém de pele escura, pobre, cheirando a cigarro ou álcool que se senta ao nosso lado, um antigo colega de escola que tinha uns jeitos efeminados e que passados alguns anos o encontramos e que nos abraça no meio da rua. Estas coisas podem nos pertubar ao ponto de nos constranger dependendo da situação. Hoje somos mais cautelosos em relação a novas amizades, na verdade muitas de nossas amizades são interesseiras. Fazemos amizades buscando algum retorno alguma vantagem. Não é comum fazermos amizades com pessoas pobres e problemáticas, essas pouco ou nada têm para nos oferecer. Quando conhecemos outra pessoa queremos saber em primeiro lugar o que ela faz, se a profissão não for compatível com o nosso padrão, simplesmente descartamos. Aceitar o outro é mais do que simplesmente dar esmola ou compreender o seu drama. Aceitar o outro é fazê-lo participante da minha roda de amigos. É convidá-lo a ser nosso hóspede. Na Bíblia e para o judeu, a hospitalidade assume importância vital para a construção de famílias e comunidades sadias. Hoje perdemos muito, por que não sabemos mais conversar, de modo aceitar as diferenças como forma de crescimento mútuo ao nível do raciocínio e identificação colectiva. Somos na maioria das vezes alienígenas usando roupa da mesma marca. Creio que um grande desafio é procurarmos ser autênticos, pacientes e esperançosos em relação aos outros, no que diz respeito às suas idéias e posições. Nem todos podem ser do benfica, pois pode ser afinal uma questão de cor. Nem todos podem ser do P.S , pois o símbolo é meio suspeito, nem todos podem ser do porto, pois "dragão" pode sugerir coisa de capeta, nem todos vão com as idéias do C.D.S, por que isso deve ter alguma coisa a ver com xenofobia, racismo, Hitler, essas coisas... Porém, podemos ser mais humanos e esforçados para aceitar e ver os outros do jeito que Deus vê.

Um grito

Está na hora de olharmos a vida como ela é... De clamarmos a Deus ainda que Ele pareça longe. Precisamos de libertação. Somos reféns de nós mesmos e dos outros. Vivemos enclausurados, acorrentados a coisas banais. É certo que não somos os personagens principais, nem sequer representamos bem, somos figurantes procurando nos dar bem nesta Terra decadente e atraente. A nossa vida é isso mesmo. Tentativas de conseguirmos estabilidade, créditos da sociedade. A opressão e frustação são sinais evidentes de nossa vacuidade. Somos por assim dizer frutos de uma época, de uma genética inculta, simples, sofredora. Não temos a experência de dividir uma sardinha por três, de andar descalço, de surras intermináveis e outros jeitos de ser e de ter. Todavia, conhecemos adversidade, que no dizer de Normam Vincent Peale,"... ou engrandece a pessoa, ou a diminui; nunca a deixa do mesmo tamanho". Dizem que quando se chega aos quarenta ficamos mais sensíveis e mais ternos. Talvez seja verdade. Mais cautelosos, mais determinados, assim esperamos.

12.2.05

Tendências

Cresce a cada dia o número de crentes afastados de suas igrejas. O próprio pecado não confessado ou a desilusão de liturgias e grupos (panelinhas), que se formam, fragmentando a comunhão de um corpo há muito dilacerado. Além dessa realidade, existe um outro grupo talvez ainda maior: Os afastados nas igrejas. São aqueles que não abandonaram o costume de ir aos cultos dominicais, mas há muito tempo já perderam a alegria de assistir e participar deles. Já não gozam de uma íntima comunhão com Deus. Deixaram aquilo que o Apocalipse chama de "Teu primeiro amor".
Como pastor enfrento a realidade do vai e vem de pessoas que procuram simplesmente alguma vantagem ou distração. Ir à igreja para muitos é um programa como outro qualquer. Assim, encontramo-nos uns com os outros (superficialmente) menos com Deus. Já não adoramos incondicionalmente, somos interesseiros, buscamos apenas sentirmo-nos bem naquelas duas horas. Quando falamos de pecado, porque essa é a nossa realidade, as pessoas torcem o nariz. Quando pregamos doutrinariamente as reações são aquelas no dizer Paulo: "Pois haverá tempo em que não suportarão a sã doutrina; pelo contrário, cercar-se-ão de mestres segundo as suas próprias cobiças, como que sentindo coceira nos ouvidos".
Que fazer? Seremos guias espirituais e corremos o risco de sermos dispensados ou guiados a ponto de cedermos diante das exigências dos associados? Afinal, na maioria das vezes somos mais uma espécie de dirigentes de um clube do que pastores.

Rotinas

Certa vez um ganso selvagem foi morar com alguns gansos domesticados. E resolveu libertá-los de suas vidas medíocres. O ganso selvagem morou com os gansos domesticados durante um ano, e ficou apreciando muito a alimentação saudável, o abrigo confortável e a vida fácil. A cada ano, quando os gansos selvagens passavam voando lá em cima, o ganso selvagem batia as asas, preparava-se para juntar-se a eles, mas acabava ficando mesmo na fazenda. Dez anos passaram-se. O ganso tornou-se um ganso domesticado, e se esqueceu como um ganso voava. (Soren Kierkegaard)
A vida para muitos limita-se a seguir um programa ou um padrão. A idéia de ter que mudar e recomeçar é extremamente assustadora. Acostumaram-se a certos gestos a certos horários e certos rostos, sentem-se realizados e de alguma maneira felizes com o que têm e o que são. A rotina do dia a dia chega-lhes como resposta positiva a suas inseguranças. Não arriscam "grandes saltos", preferem saltos pequenos, repetitivos, mas seguros.
Hoje sou confrontado com as rotinas que criamos e nos habituamos. Rotinas que controlam o nosso tempo de forma implacável ao ponto de perdemos a liberdade de sermos o que somos, liberdade de sermos mais acessíveis, mais comunitários e menos "eu". É verdade que precisamos de "rotinas", como disciplina e métodos na vida, no entanto se perdemos a nossa identidade e história deixamos de ser referência para nós mesmos e os outros. O mais certo é ficarmos doentes e pobres em todos os sentidos.
Precisamos descobrir a alegria do trabalho. William Tyndale disse que: "Para agradar a Deus, não há trabalho que seja melhor que o outro: verter água, lavar pratos, consertar sapatos, ser um apóstolo, todas essas coisas são iguais, no tocante aos actos, no que toca a agradar a Deus". É um tremendo desafio este. Estou nessa.

11.2.05

Palavras e Silêncios

Na novela de Chaim Potok, O Escolhido, o filho de um rabino hassídico e líder espiritual, um tzaddik (santo), reflectia sobre sua criação; seu pai nunca lhe falara, excepto através da torah, as Escrituras Sagradas.
Meu próprio pai nunca conversava comigo, excepto quando estudávamos juntos. Ele me ensinava por meio do silêncio. Ele me ensinou a sondar o meu próprio interior, a descobrir minhas próprias forças, a andar por dentro de mim mesmo, em companhia de minha alma. Quando sua gente lhe perguntava por que ele se mostrava tão calado com o seu próprio filho, ele lhes dizia que não gostava de falar, pois as palavras são cruéis, as palavras armam ciladas, distorcem o que está no coração, ocultam os sentimentos, e que o coração fala através do silêncio. Ele costumava dizer que aprendemos a dor dos outros sofrendo a nossa própria dor, voltando-nos para dentro de nós mesmos, perscrutando a nossa própria alma... Durante anos o silêncio dele me deixou intrigado e assustado, embora eu sempre confiasse nele, e nunca o tivesse odiado. E quando eu já tinha idade suficiente para entender, ele me disse que, dentre todas as pessoas, um tzaddik é o que mais deve ter experiência com a dor.
Hoje gostaria de estar em silêncio. Que o meu coração se aquietasse de pensar o que já foi pensado e decidido. Apenas silêncio. Me afastar das pessoas e me tornar inteiramente disponível para Deus. Isaque de Nínive era um caminhante ou eremita, ele disse uma vez: " Todo homem que se deleita em uma multidão de palavras, embora diga coisa admiráveis, é uma pessoa vazia em seu interior. Se você ama a verdade, seja um amante do silêncio".

10.2.05

Super-Gafanhotos

Os gafanhotos são insectos pequenos, porém capazes de realizar grandes coisas, (cf Pv30:27). Quando Josué, Calebe e os demais espias enviados por Moisés entraram em Canaã para uma missão de reconhecimento da terra a ser conquistada, viram-se e foram vistos como gafanhotos. Depararam-se com cidades fortificadas, cercadas de muralhas espessas, altíssimas, que pareciam atingir o céu. Viram também cananeus gigantes, enaquins descententes de Enaque, um famoso gigante da antigüidade, os quais mediam cerca de três metros e eram guerreiros hábeis e cruéis. Diante disso, os espias se convenceram que aquela terra, tão diferente, seria capaz de engolir os seus próprios habitantes. E estremeceram... Apesar de haverem confirmado que ali existia leite e mel, frutas e solo fértil, concluiram que era impossivel tomar posse do lugar que Deus lhes prometera. O temor apoderou-se deles (v.31), a conclusão do relatório provocou reações de muito medo. Porém, Josué e Calebe eram corajosos (v.30), tinham visto as mesmas coisas que os outros dez espias, mas sua reação foi bem diferente. Também se sentiram pequenos diante as muralhas e dos guerreiros, também se sentiram gafanhotos. Mas lembraram-se de que esses insectos, apesar de pequenos, podem fazer grandes estragos. Eram super-gafanhotos.(texto: Nm13.25-33).
Tenho pensado acerca deste texto. Diante do medo dos gigantes que se levantam contra nós, (às vezes diariamente), novos e antigos, gigantes que nos dificultam a tomar posse das bençãos de Deus, como deveremos reagir? É verdade que na maioria das vezes nos sentimos como gafanhotos diante dos problemas, das ameaças dos inimigos.E aí o medo nos paralisa, deixamos de fazer coisas importantes por causa do medo. Agimos como aquele servo negligente da parábola contada por Jesus, que disse ao seu Senhor:"E, receoso, escondi na terra o teu talento..." (Mt25:25). John Whttier, escreveu:"De todas as palavras da língua ou da pena, as mais tristes são: Poderia ter sido".

9.2.05

Voto em branco e voto ético

Estamos chegando a mais uma eleição em todo Portugal, e surge a mesma pergunta de sempre. Em quem votar? Para que votar? Será que vai adiantar? As campanhas estão a tentar nos ensinar a votar eticamente. Isso quer dizer, se entendi bem, votar em um partido (preferencialmente ético) honesto, sério, com um bom programa, disposto a lutar pelo bem da comunidade e pela justiça; preocupando-se mais com os pobres, com os necessitados, do que com trocas, com favores, com politicagens.
Os candidatos estão por aí. Aos montes, se atropelando, como um bando de espermatozóides atrás da vitória da fecundação. A grande maioria, de pedigree conhecido. E, em que pese a alta linhagem, seus antecessores nos deixaram neste estado de penúria. Terra arrasada, aos cuidados da insegurança, do desemprego, das baixas pensões, do alto custo das moradias, das drogas (nas ruas, nos escritórios, no trânsito, nos hospitais, nas repartições, em todos os lugares). Mas eles, naturalmente, "não têm culpa": receberam suas administrações neste estado. A culpa é sempre dos antecessores. Aí a gente pergunta: se estava tão mal, ao ponto de não dar para fazer nada, por que aceitaram? Puro espírito de sacrifício? Desprendimento (estão nos chamando de otários, mais uma vez)?
Mas estão surgindo candidatos e partidos novos. E nos perguntamos: Qual será sua motivação? Honesta? Ingênua? Ou também querem se fazer na vida com nosso dinheiro?
Vou sugerir um critério só, aos meus compatriotas. Escolha um candidato que "governe bem a sua própria casa". Não precisa, necessariamente, ser um religioso moralista. Verifique como é sua vida doméstica. Porque se é um desastre conjugal, econômico, paternal (ou maternal), filial, administrativo etc., como poderá ser um bom político?
E se não der para verificar, ou encontrar nenhum, vote em branco (como sugeriu Saramago no seu recente livro). Estamos cansados dessa brincadeira.
Texto adaptado de Rubem Amorese

8.2.05

Refúgios

Foge do mundo, foge até da tua família, afasta-te até dos teus amigos mais íntimos... Aquele que deseja ouvir a voz de Deus, que se retire para a solidão... Esta voz não ressoa nas praças públicas... Um conselho secreto exige uma escuta secreta... Deus não fala com aqueles que vivem fora de si mesmos. (São Bernardo).
Na periferia das cidades a administração municipal deveria prever um lugar deserto, mais propriamente, um terreno baldio, um espaço vazio, como o era antigamente o dos templos e das igrejas, para que o homem fosse ali encontrar novamente o seu silêncio, melhor e mais que sua alma.

Ressacas

O carnaval como outras datas festivas trazem à tona muitos sentimentos. Se por um lado essas festas servem para extravazar ou justificar reações e excessos, por outro, levantam a poeira que esconde o que realmente somos, e que fica bem patente aos outros, principalmente aos mais próximos. De qualquer forma, o bom dessas experiências é que sempre aprendemos algo sobre nós e sobre as reações dos outros. Digo isso, porque vivemos uma vida quase inteira de brincar de "esconde-esconde", às escondidas, como falamos em Portugal. Não procuramos ninguém em especial e quando encontramos alguém não damos muita importância, pois não era essa pessoa que tinhamos em mente.E esse é um problema que já virou rotina. Nestas aventuras das festas, sempre achamos alguém que merece ser referenciado pela negativa, menos nós, pois quando agimos erradamente nos comparamos com um outro mais errado do que nós e parece que isso nos traz algum alívio saber que existem outros mais falhos do que nós. E essa é a vida de muita gente que anda por aí. Contudo, eu enxergo algo muito enriquecedor nesses finais de festas: Ou saímos melhores conhecedores de nós mesmos e dos outros e assumimos novos compromissos ou nos isolamos e damos início a uma travessia no "deserto", de onde um dia retornaremos mais fortes ou não.

7.2.05

O Discernimento

Um Jnani (conhecedor de Deus) e um Premika (amante de Deus) caminhavam certa vez em uma floresta. Enquanto caminhavam, viram um tigre a certa distância. Disse o Jnani: Não há razão para fugirmos; Deus Altíssimo certamente nos protegerá. Ao que replicou o Premika: Não, irmão, vamos fugir. Por que haveríamos de pertubar o Senhor por causa de algo que podemos fazer com os nossos próprios esforços?( Bhagavad Gita)

5.2.05

Pensamento

Não busque por enquanto respostas que não lhe podem ser dadas, porque não as poderia viver. Pois trata-se precisamente de viver tudo. Viva por enquanto as perguntas. Talvez depois, aos poucos, sem que o perceba, num dia longínquo, consiga viver a resposta.( Rainer M. Rilke)

Outros Carnavais

A cidade do Rio vive já desde ontem uma euforia inigualável. Em Salvador na Bahia a coisa já está detonando alguns dias. Chega a ser incompreensível tamanha movimentação e envolvimento das pessoas. Gente que passa um ano inteiro ajuntando dinheiro para gastá-lo nestes dias. Fazem-se dívidas, cumprem-se promessas de morte e no entanto a alegria as energias acabam por virar na maior parte tristezas, decepções e doenças de todo o tipo. O barulho da bateria e ritmos contagiantes levam à loucura os turistas e nativos. É claro que tudo isso de cabeça cheia, não existe lugar para caretas ou conservadores"é carnaval ninguém leva a mal". A indústria de camisinhas está em alta, as prefeituras fazem a distribuição às carradas, os foliões agradecem e lá vão naquela viagem com volta ou sem volta.
Nem tudo é naturalmente promiscuidade, extravagância e loucura. Existem outros carnavais, passados em casa na companhia da esposa ou dos filhos ou irmãos da igreja. Durante estes dias fazem-se retiros espirituais. A comunidade evangélica está activa e isso produz frutos, pessoas têm a oportunidade de ouvir que existe uma tristeza que produz a salvação e uma alegria que não decepciona e que cura aquelas doenças da alma e coração.
Os tempos de carnaval em Portugal já é passado, onde a farinha e os ovos eram desperdiçados na cara de alguém, onde laranjas podres serviam para amenizar velhas contendas. Também os retiros no A.B.S (Ai que saudade) eram levados a sério. Um tempo dedicado à oração à palavra ao convívio. Outros carnavais.

4.2.05

Outras Marcas

"Quanto ao mais, ninguém me moleste; porque eu trago no corpo as marcas de Jesus." (Gl. 6:17).

Paulo mostra que a ousadia de sua autoridade repousava nas marcas de Cristo, as quais ele levava em seu corpo. E que marcas eram essas? Prisões, cadeias, açoites, calamidades, apedrejamento e muitos tipos de maltratos que ele sofreu no decorrer do seu ministério. "Pois assim como as guerras terrenas têm suas condecorações com as quais os generais honram a bravura de um soldado, também Cristo, nosso General, tem suas marcas pessoais, das quais ele faz bom uso para condecorar e honrar a alguns de seus seguidores."(Calvino)

Marcas aqui significa ferroadas, não de abelhas mas de ferro, como era costume na época para marcar escravos. Paulo está falando de marcas permanentes.Ele é um estigmatizado.
A igreja é composta de pecadores-salvos e pecadores não-salvos. Na igreja convivem pessoas que carecem de cura, libertação, direcção. Pessoas que buscam "pão" mas só encontram pedras. Pessoas que em algum momento da vida foram jogadas, despojadas à beira de nossas modernas estradas de Jericó. Sem auto-estima e abatidas pelas crises e tragédias da vida, carregam suas feridas, na busca do Evangelho que cura e tem o poder de libertar. Ouviram dizer que o sonho de Deus e a Sua vontade é que tenham "vida em abundância". Mas existem feridas abertas, difíceis de cicatrizar, marcas de um modo de vida irresponsável, marcas de falta de amor na infância, marcas de perda de um ente querido, marcas de um divórcio, marcas de desemprego, doenças graves, marcas de conflito interior, marcas de um casamento tóxico ou de relacionamentos íntimos igualmente tóxicos, marcas de uma sociedade opressiva, de injustiças sociais e institucionais.

Vivemos uma guerra onde muitas vezes sequer sabemos de que lado estamos. Temos marcas dos dois lados, Paulo também as tinha, "espinhos na carne" que teria que se habituar a conviver( seja lá o que isso for), no entanto, é preciso saber que tipos de marcas carregamos, se essas são de Cristo porque já estão cicatrizadas, ou ainda feridas abertas que precisam ser fechadas.

Debate?

Hoje já ninguém "de-bate" em ninguém, foi uma decepção. Acompanhei o confronto pela rtpi e sinceramente nenhum dos dois estão à altura de governar Portugal. Um comentarista disse uma verdade, apenas, quem ficou a ganhar foram os candidatos que não participaram, infelizmente sabemos que iremos levar com um deles. Gostaria de ver um debate a 4, esses dois, mais o Portas e o Francisco Louçâ, isso é que iria ser. Continuo na minha se tivesse em Portugal certamente iria votar no C.D.S., alguns leitores dirão:" Ainda bem que não estás!".

3.2.05

Agitos

Alguém chamou os nossos tempos de "A Era da Aspirina". Se dissermos que nunca houve uma geração tão oprimida pelo stress, certamente não estamos afirmando nenhum absurdo. Para muitos de nós, já vão longe os dias de diversão, em que você podia brincar sem pensar em ser atropelado por um carro ou uma moto. Hoje já ninguém tem mais tempo para almoçar demoradamente em conversa agradável saboreando um bom prato. Vivemos hoje de refeições rápidas e de confecção instantâneas, ao lado de pessoas irritadas às vezes colegas de trabalho, esposa ou esposo, relacionamentos tensos, pouco sono e muita televisão. Acrescente-se a isso os problemas financeiros, problemas na escola, cartas não respondidas, obesidade, solidão, gravidez não planejada, drogas, alcoolismo e, ocasionalmente, uma morte. Existe um velho ditado grego que diz: " Você quebrará o arco se o mantiver retesado". Por outro lado, a ansiedade, angústia e desânimo são marcas cada vez mais presentes. E quando sentimos silêncio no céu isso nos desconcerta, ficamos à deriva, sem respostas, sem paz, sem palavras de conforto, somente a solidão que nos massacra a cada dia. Oramos e oramos e nada. E essa é a pergunta: o que acontece quando Deus não fala? Stress e ansiedade podem acabar com qualquer um, porém pode ser o início de grandes realizações e novas oportunidades. Precisamos parar e fazer perguntas, a respeito daquilo que é realmente importante. Precisamos saber também, que apesar do silêncio dos céus, pode bem ser a preparação para grandes coisas.

2.2.05

Escolhas

"Porém o Senhor disse a Samuel: Não atentes para a sua aparência, nem para a sua altura, porque o rejeitei; porque o Senhor não vê como vê o homem. O homem vê o exterior, porém o Senhor, o coração" (1Sm 16:7).

Tenho pensado nestes últimos dias acerca das nossas escolhas e os critérios que nos levam a decidir por isto ou aquilo. Certamente a maneira como os nossos olhos enxergam podem influenciar as nossas apostas. Mas são os estereótipos que acumulamos ao longo de nossa existência que determina as nossas escolhas. Aparentemente, Davi sequer foi cogitado para confrontar o gigante, mas era ele que morava no coração de Deus, não Eliabe, alguém com características exteriores mais adequadas para o desafio. "A aparência engana", o coração não. Infelizmente hoje não se presta mais atenção ao interior das pessoas, não estamos muito interessados em ouvir as suas históricas dramáticas e felizes. Abrir o coração é dar chances ao outro de me conhecer e magoar. Preferimos a "aparência" as maquilhagens as frases "Ninguém tem nada a ver com isso..." ou "isso é problema meu". É por isso que muitas vezes escolhemos mal porque as nossas apostas são motivadas por um julgamento pré-concebido, onde o coração nunca é avaliado porque ao entrar no íntimo do outro entramos no nosso e não gostamos do que vemos. Preferimos jogar pelo seguro, mantendo um relacionamento à distância, que mais tarde vira frustação, dor ou despesa. Foi isso que aconteceu com o povo de Israel. Buscou na aparência um rei( Saul) e agora cometia o mesmo erro ao iludir-se com perfil de Eliabe. Olhar como Deus olha é ver a verdade das pessoas é ver a capacidade que elas têm de enfrentar gigantes.

Linhas

Para mim só existe dois sistemas teológicos que fazem sentido: O sistema doutrinário calvinista e o católico -romano. Ou você tem um, ou outro ou então não tem nada. Apesar dos opostos, revelam-se ser aqueles que podem satisfazer as mentes. Mas como fazer teologia é um exercício constante, continuarei a esforçar-me procurando lacunas e respostas.

Geração Desiludida

A política e os políticos formam um sistema que me enfada. Já lá vai o tempo que esse sistema era uma novidade que atraía, lembro de uma época em que as pessoas faziam questão de apertar a mão dos políticos, eu próprio uma vez cumprimentei o dr. Mário Soares numa campanha do P.S em Paio Pires, foi uma espécie de conquista de adolescente no meio da multidão.
Talvez por viver num país onde todos os dias a corrupção descarada é notícia sem interesse, porque os protagonistas são sempre os mesmos algum prefeito, deputado ou membro do governo, sem falar dos polícias, claro, a política dos políticos deixou de ser uma arte de governar para ser um meio de promoção de interesses pessoais ou quando muito de uma elite. Os partidos fazem alianças porque não têm convicções, os interesses estão acima dos valores e a ideologia deu lugar à demagogia.
No entanto, apesar do quadro ser negativo, pois os políticos "modernos" desaprenderam a paixão e a vocação de olhar a nação, creio que há um que se destaca no meio de tanta mediocridade, Paulo Portas, pela sua visão e coerência, além dos valores cristãos que defende. Paulo Portas é daqueles políticos raros hoje em dia. Paulo Portas transmite confiança, inteligência, determinação, mostrando ser seguro nas suas idéias e no confronto, astuto mas leal.
É de lamentar sem dúvida as acusações pessoais que se fazem nesta altura, espero que Paulo Portas não embarque nessa, nem ele, nem outro do partido. Espero que este Sócrates pratique a introspecção como aconselhou outrora aquele que foi o divisor de águas na filosofia antiga.

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