26.5.05

Celebração e Liturgia Numa Sociedade Pluralista


Uma das características dos tempos em que vivemos é a pluralidade. Este fenômeno se caracteriza pela imensa oferta de opções ao homem moderno. Opções a respeito de tudo. Ele pode escolher desde a cor da gravata até o sexo do bebê, passando pela quantidade de estrelas do seu macarrão ou índice de cafeína no seu "capuccino". Pode escolher entre centenas de marcas do sabonete (inclusive, adotar o estilo rústico de não-sabonete), orientações pedagógicas para seu filho, ideologia da sua revista semanal, o programa da noite, o sabor do chiclete (deste o tradicional tutti-frutti, até sabor picanha); pode escolher morar no campo ou na cidade, o presidente operário, caçador de marajás ou intelectual; viajar de jegue, de navio, ou de submarino; pode escolher entre diversos estilos de vida (tradicional-obtuso, tradicional-esclarecido, moderno, "prafrentex", revoltado, hippie, culto de esquerda, culto de direita, descuidado-charmoso, artístico-desligado etc.), ou mesmo seu próprio sexo, independentemente daquele de seu nascimento (esta escolha é chamada de "opção sexual").
A pluralidade se instala no homem moderno como uma inconsciente necessidade — ou compulsão, mesmo — de optar, alimentada pela mídia, e sustentada pela sociedade de mercado. Ao mercado interessa que o indivíduo esteja sempre pronto a experimentar algo novo, a mudar, a optar. Ele tem que viver em eterno estado de supermercado. A vida à sua frente tem que ser composta de prateleiras abarrotadas. E ele acha isso delicioso.
Este nosso cidadão também faz opções religiosas. Para isso também há prateleiras cheias de ofertas. Tem cristianismo tradicional (em bom estado), usado, avivado, renovado, recondicionado (mas com garantia de bênçãos); tem esoterismos (com poções ou sem poções mágicas); tem bruxas de meter medo (e bruxos simpáticos, também); tem até peças avulsas para seu "kit" religioso personalizado.
Ninguém escapa da força da pluralidade. Assim, quando acorda no domingo, o crente se predispõe a optar: — O que temos hoje, na prateleira? — lhe vem, inconscientemente ao espírito. E ele se dá conta que pode escolher como será sua manhã eclesiástica por diversos critérios à sua disposição: a igreja (templo, tenda, cinema, ar-livre, chácara etc.), o pastor (tradicional, falante, carismático, pedagógico, paternal etc.), a aula de Escola Dominical (em classes, sem classe, com ou sem professor, com auxílio audiovisual, flanelógrafo, revista etc.), o coral (ou conjunto de rock), os irmãos (fraternos ou arredios, distantes ou bisbilhoteiros etc.), o tipo de liturgia (dançante ou imóvel, "quente" ou "frio", com ou sem direito a arrepios, com corinhos ou com hinário, para assistir ou participar etc.).
Estabelece-se, assim, inevitavelmente, o mercado eclesiástico: o pastor acorda no domingo imaginando o que poderá oferecer de atraente aos seus "consumidores". Se ele não for criativo, começa a perder a concorrência. Se isso acontece, sua igreja perde em animação, perde em movimento; ele próprio perde prestígio no Conselho de Ministros da cidade (medido por número de membros ativos) e até na sua capacidade de influir na política local. Perde, inclusive, em dízimos e ofertas. Tudo fica comprometido. Desde os projetos missionários, até seu próprio sustento.
Este pastor precisa, portanto, estar constantemente atualizado sobre as novas tendências litúrgicas, para poder oferecer aos seus membros o que há de mais moderno e atraente. Ele precisa manter-se "na crista da onda". Se a "onda" é tremer, vamos tremer; se é roncar, que sejamos os primeiros; se é cair para trás, nosso povo já cai há muito tempo. Ah, o quente é redescobrir as formas litúrgicas medievais? Ora, já estamos até construindo uma catedral gótica, cheia de vitrais...
O leitor perdoe se o tom desta conversa vai ficando um pouco irônico. É que ele ajuda a ressaltar a parte ridícula de toda essa situação, no breve espaço de que dispomos. Não se trata de ser destrutivamente contra tudo o que é novo, mas de mostrar o perigo potencial embutido na situação. Na realidade, não me parece um mal em si o pastor se esmerar em oferecer uma liturgia dinâmica, atraente, viva e exuberante aos seus irmãos. O problema aparece, a meu ver, quando a lógica do mercado, acima esboçada, inverte a polaridade das relações no culto. Explico isto, com a metáfora da ópera.
Imagine um culto a Deus como uma sessão de ópera. Talvez esta seja a forma de expressão cultural mais evoluída e completa já alcançada por nossa civilização. Naquele momento mágico, há ambientação, há enredo; há drama, dança, música solada e sinfônica, há harmonia (entre músicos e atores-cantores), polifonia, sincronismo etc. e um público, que fornece o ambiente. Da conjugação destes e tantos outros fatores, resulta uma celebração completa, arrebatadora e bela. Nesse ambiente, todos celebram, de forma intensa, uma porção de seu patrimônio cultural.
Pois bem. Se um culto é semelhante a uma ópera, então temos um grande filão a explorar nesta metáfora. Por exemplo, o que podemos considerar como "harmonia" do culto (além daquela estritamente musical)? Quem são os apresentadores, no culto? Quem é o dirigente? Como se monta o enredo (o tema da peça)? Será ele uma comédia (no sentido de alegria) ou um drama? Quem decide? Quem participa?
De tantas perguntas, interessa-nos, aqui, uma, em especial: quem é a platéia? Na ópera, há um público que paga o bilhete. E no culto? Na ópera, esse público aplaude ou vaia, determinando a prosperidade ou o fechamento antecipado da temporada. E no culto?
Aí é que está. No culto, tanto o dirigente quanto a platéia são o próprio Deus. Todos os demais são apresentadores, atores, músicos, etc. Todos têm a responsabilidade de apresentar algo de belo a Deus. E este é o único que pode aplaudir ou vaiar. Os demais são parte do sucesso ou do fracasso.
À ovelha e ao pastor, cabe, no domingo pela manhã, perguntar-se: que opções tenho hoje? E escolher entre adorar ou não. "E todas as demais coisas vos serão acrescentadas..."
(Rubem Amorese)

25.5.05

A Culpa III

Recebendo o Perdão

Algo que verificamos amplamente com relação ao perdão é que é mais fácil obtê-lo do que dele desfrutar. Certas pessoas possuem uma consciência hipersensível. Elas encontram uma terrível dificuldade para sentirem que suas falhas foram perdoadas. Parece até que Deus está mais disposto a esquecer as suas ofensas do que elas mesmas. No fundo, não aceitamos que a solução para o sentimento de culpa não esteja em nossas mãos. Continuamos achando que é preciso fazer alguma coisa - pagar uma penitência, sofrer um castigo, ser vítima de alguma desgraça, penar o resto da vida. Achamos que podemos e devemos pagar pela nossa restauração! Não queremos ficar devendo nada a Deus! Mas o facto é que não podemos pagar nada. Somos absolutamente impotentes, tudo o que nos resta a fazer é receber, agradecidos, o perdão que nos é concedido pelas mãos que trazem o sinal dos cravos da cruz.
"Nem eu tampouco te condeno; vai e não peques mais", foram os dizeres finais de Jesus àquela mulher apanhada em adúltério. Tudo o que ela tinha a fazer agora era aceitar a realidade daquela mensagem divina e receber o perdão que ele lhe oferecia de graça. As palavras de Jesus produziram cura instantânea naquela alma marcada pela culpa, vergonha e temor. É dessa maneira que o Salvador se propôe a curar-nos de nossas culpas de nossas lembranças mais duras e vergonhosas. Não precisamos pagar nada. Ele já pagou tudo. Se nos arrependermos de nossas faltas e confessarmos a ele, pedindo o seu perdão, ele nos perdoará e apagará as nossas transgressões. A única coisa que precisamos fazer é crer nisso.
Aquela mulher foi levada aos pés de Cristo violentamente, arrastada pelos fariseus, sob gritos da multidão. Mas nós temos o privilégio de sermos conduzidos à sua presença pela voz firme e suave do Espírito santo. A voz do Espírito nos fala ao coração, toca nossa consciência, coloca diante de nós os pecados cometidos e aponta na direção daquele que morreu para pagá-los. Louvado seja Deus!
Texto adaptado

24.5.05

A Culpa II

Mas a mulher foi levada à presença de Jesus sozinha. " E na lei nos mandou Moisés que tais mulheres sejam apedrejadas", disseram os fariseus (v.5). Na verdade, o que a lei estipulava é que ambos os envolvidos no pecado fossem mortos (Lc20.10). Então, por que o homen não foi também? Provavelmente, ele não se sentia culpado. Amparado por uma consciência cauterizada e por uma sociedade machista, seu raciocínio era: Por que devo ser corrigido ou julgado? Não fiz nada mais. Sou homem, e dos homens esperam-se atitudes desse tipo. As mulheres, sim, devem ser recatadas e fiéis. Ela cedeu não tive culpa." Ele fazia uso de um mecanismo psicológico conhecido como"negação". Negava qualquer culpa para si mesmo, privando-se, assim, de qualquer perdão.
O segundo grupo de personagens interessantes nessa história é o dos fariseus. Cada um deles tinha lá os seus pecados e culpas ( e o fim do episódio deixa isso muito claro !). Mas não foram a Jesus a levando os próprios erros e, sim, o da mulher. " Vejam a culpa dela", gritaram eles para quem quisesse ouvir. Esperavam com isso que, enquanto a multidão estivesse olhando para o pecado daquela infeliz, não olharia para os deles. A psicologia dá a esse mecanismo o nome de "projecção" - atribuir aos outros os defeitos que não gostamos de admitir em nós mesmos, desviando assim, para outra direção, os olhos vigilantes da censura. Todos conhecemos pessoas que estão sempre prontas a apontar pecados em outrem, talvez porque, no próprio coração, abriguem pecados inconfessáveis..., como disse Paul tournier " todos os homens se defendem, e se defendem atacando".
Confessando o pecado
Ao contrário dos demais, a mulher adúltera não tentou negar, justificar ou transferir suas responsabilidades, embora pudesse tentar fazê-lo, como os outros personagens da história. Assumiu a culpa, confessando-a com seu silêncio. Não ouvimos sair de seus lábios uma única palavra no sentido de defender-se, ou de retribuir as acusações que lhe faziam todos aqueles hipócritas. Apresentou-se humilde e maleável diante do Senhor Jesus.
Aquela mulher tinha, de facto as suas culpas, E fez com elas o que de mais saudável um ser humano pode fazer: confessou-as. A Bíblia diz: " O que encobre as suas transgressões jamais prosperará; mas o que as confessa e deixa alcançará misericórdia."(Pv28.13) continua

SINAIS

Evangélicos gays participam de Marcha para Jesus
"A Comunidade Cristã Nova Esperança e a Igreja para Todos, dois núcleos de evangélicos homossexuais da cidade de São Paulo, vão participar da Marcha para Jesus na próxima quinta-feira, identificando-se como 'igrejas para a diversidade'.
De acordo com o pastor Kim, da CCNE, eles não temem ataques homofóbicos por parte dos demais participantes. 'Vamos com camisetas que trazem estampadas dois meninos e duas meninas e eu vou abraçado com o meu namorado como faço em todo lugar', declarou para a reportagem do Mix Brasil.
As duas igrejas alegam que têm o direito de participar da marcha pelo fato de serem cristãos como os demais. 'Vamos conquistar nosso espaço com o tempo, mostrando aos outros evangélicos quem nós somos', disse Kim.
O evento é mundial. No Brasil, está sendo organizado pela Igreja Renascer em Cristo."
Marcha em NY pede aprovação de casamento gay
"Duas mil pessoas fizeram uma passeata pela ponte do Brooklyn, em Nova York, ontem, pedindo a aprovação do casamento entre pessoas do mesmo sexo. A manifestação foi patrocinada pela Marriage Equality New York e teve a participação de vários casais, alguns com filhos.
Os manifestantes levavam placas com os dizeres 'O amor é um valor da família', 'Deus nos fez gays' e 'A supremacia hétero é imoral'. Apesar da chuva, a multidão estava empolgada cantando versos que pediam a igualdade de direitos.
Esta foi a segunda Marcha pelo Casamento na cidade e contou com mais participantes que a anterior, realizada ano passado. Liderava a marcha o casal Gustavo Archilla, 90, e Elmer Lokkins, 86. Os dois estão juntos desde 1945."
Central de notícias do site www.uol.com.br

23.5.05

A Culpa

"Erguendo-se Jesus e não vendo a ninguém mais além da mulher, perguntou-lhe: Mulher, onde estão aqueles teus acusadores? Ninguém te condenou? Respondeu ela: Ninguém, Senhor! então lhe disse Jesus: Nem eu tampouco te condeno; vai e não peques mais."(Jo8:10-11)

Não é difícil pecar, decepcionar a Deus e a nós mesmos. Não é difícil mentir, adulterar, exceder-se no namoro, ser desonesto, ceder à lascívia, maldizer, magoar, quebrar promessas, render-se a um vício. Difícil é conviver com a culpa que o pecado traz.
O sentimento de culpa é uma das forças mais poderosas que podem agir sobre nossas emoções. E ele está, de alguma forma, presente em todas as enfermidades interiores. Para resistir ao seu peso esmagador, o ser humano toma as atitudes mais diversas e radicais. Todas as pessoas vêem-se às voltas com a culpa e tentam lidar com ela; muitas vezes, da maneira errada. Constatamos isso na experiência dos personagens bíblicos e também na do homem moderno. Diante da culpa, alguns
esquivam-se como Adão(Gn3.11,12);
endurecem-se como Caim(Gn4.8,9);
fogem como Moisés(Ex2.11-15);
enloquecem como Saul(1Sm16.14);
consomem-se como davi(Sl32.1-5);
choram como Pedro(Mt26.75);
suicidam-se como Judas(Mt27.3-5).
A experiência da mulher adúltera, no entanto, ensina-nos a forma adequada e saudável de lidarmos com esse sentimento. Com ela aprendemos que só aos pés de Jesus podemos obter o alívio para esse peso.
Reconhecendo a Culpa
O primeiro passo para superar o sentimento de culpa é reconhecer o pecado. É por relutar em admiti-lo que a maioria das pessoas afunda-se no remorso e na manipulação, em vez de crescer com seus erros e livrar-se deles. No episódio da mulher apanhada em flagrante adultério, estiveram envolvidas algumas pessoas que não estavam dispostas a reconhecer sua culpa, e por isso saíram dali sem a bênção e sem o perdão.
O primeiro personagem que nos chama a atenção nessa história é o adúltero. Ele merece destaque pelo simples facto de não aparecer no texto. Onde está ele? Obviamente o adultério é o tipo de pecado que não dá para se cometer sozinho! (continua)

20.5.05

A Triste Figura de Figo

Graças ao regresso de Figo à selecção portuguesa descobri que Portugal não tem um mas dois seleccionadores brasileiros Luiz Felipe Scolari e Vanderlei Luxemburgo. Pode parecer que foi Scolari quem convocou Figo, mas na verdade foi Vanderlei, ao enfiar o seu valioso rabiosque no banco de suplentes do Real Madrid. Consumido pelo tédio, o nosso herói achou por bem vir até cá dar uns pontapés na bola contra os rapazes da Eslováquia. Para Figo, representar Portugal é ligeiramente melhor do que não representar o Real Madrid. Eu curvo-me perante tamanha generosidade.E agora que já me curvei, devo dizer que isto me perturba a úlcera - é preciso ser-se muito banana para colocar uma selecção de futebol inteira à disposição dos caprichos de um único jogador. Figo é um dos melhores futebolistas portugueses de todos os tempos? Sem dúvida. Figo tem ainda um lugar indiscutível entre os titulares da selecção? Com certeza. Mas há princípios que se devem sobrepor às habilidades com uma bola de futebol. A sua convocatória é uma tremenda injustiça, e ao elevarem Figo, Luiz Felipe Scolari e Gilberto Madaíl rebaixaram todos os outros jogadores, meros peões diante da chegada do rei.A forma como Figo anunciou a sua saída da selecção após o Europeu foi tristíssima de ver - ficava a ideia de que ele não estava para se cansar nas qualificações mas admitia regressar em caso de apuramento para o Mundial, a tempo de embolsar mais uns contratos de publicidade. A sua vinda agora, quando não joga no seu clube e já sabe que o Real Madrid não conta com ele para a próxima época, confirma o pior para Figo, a selecção é uma montra para exibir a sua pessoa. Na verdade, ele não vem jogar - ele vem mostrar-se. E se o Figo futebolista nunca me cansou, há muito que enjoei do Figo que assinou em simultâneo por dois clubes italianos, do Figo que trocou Barcelona por Madrid, do Figo peseteiro. Mais não, obrigado.
João Miguel Tavares ( in Diário de Notícias)

A Bola e o Kenkica

Eu tenho um priminho chamado Marco que sonha com a bola. Marco mora em Torres Novas e é do Kenkica. Este moleque é bom da "bola", pois ser do Kopotin ou do Kópoto no mínimo revela algum desvio bolístico. Tanto o kenkica (Águia) como a bola (visão relacionamentos significativos) são boas opções. A Águia, símbolo de garra, de visão apurada, determinação, são características fundamentais para entender este mundo e viver nele. Já a "bola" fala-nos da amizade do conhecimento de nós mesmos e dos outros. Ensina-nos entre muitas coisas a conhecer nossos sentimentos, aquelas emoções que muitas vezes nem nós conhecemos.
Um beijão para a Susana( mãe do Marquinho) Bia e priminhos. Um abração e beijão especial para o Marquinho. Viva o Kenkica.

19.5.05

E não vos Con - formeis

Vivemos um tempo de supermercado e de zoológico. O supermercado é a metáfora para pluralidade, em que crescem as opções sociais para tudo o que o cidadão possa imaginar. Já o zoológico é a imagem da privatização, onde me refugio dos outros para poder ser eu mesmo e gozar minhas opções. É o espaço das indiferenças.(Rubem Amorese)
Rubem está falando daquilo que perdemos. Naquele ambiente cheio de significado, de convívio, de estabilidade e outros valores antigos. Como consumidores desta época vamo-nos tornando em "borboletas relacionais". Pousando numa flor já pensando em outra. E o tempo no solo, como dizem as companhias aéreas, será o menor possível. É o reflexo de pousar numa prateleira já pensando na próxima. É o efeito zapping, pelo qual, com um controle remoto na mão, nós trocamos de canais mais rápido que a vista. Num mundo de prateleiras, diz Rubem, impera a volubilidade, o charme, as cores, o novo. Há uma grande ansiedade por experimentar tudo - agora.
Nos nossos relacionamentos não somos diferentes. O descompromisso, a indiferença, a ausência de valores públicos, a falta de solidariedade e tantos outros subprodutos desse supermercado que se manifesta em toda a actividade humana, esfacelando as instituições mais sólidas, entre elas a família.
As pessoas, passo a passo, vão desaprendendo a conviver. Vão cuidando das próprias vidas e guardando distância das outras, vivendo em tocas. Paradoxalmente, essas pessoas que se sentem sós, procuram o casamento. E levam essas deformações, como uma espécie de bagagem maldita, para dentro do sonho de viver em família, com estabilidade, filhos, ideais, projectos de vida e conforto emocional. Resultado: pobreza, num sentido profundo. Lares desestruturados provêm de lares desestruturados e geram, embora nem sempre, lares desestruturados. E tudo o que a pessoa haverá de ser na sua vida trará as marcas desse ambiente original, ou da falta dele.

Rolando e Mexendo

A bola sempre foi o meu brinquedo preferido e realmente significativo que tive em minha infância. Pode ser por isso, que ainda hoje, ao ver os garotos jogando na rua sinto vontade de me misturar e participar. A bola tem um fascínio sobre mim, não tenho dúvidas, mas também me traz algumas decepções. Quando estamos longe, algo acontece de extraordinário, sofremos mais. Sofrimento desportivo. Sofrer com a seleção de Portugal e Benfica é uma coisa mas sofrer com o Sporting e Porto etc, é outra. Mas é isso que acontece. Fiquei muito aborrecido e triste com a derrota do Sporting. Quando estamos longe da nossa terra, somos mais de todos e não tanto torcedores fanáticos e doentes de uma cor ou símbolo. Somos mais Portugal. Até é possível torcer pelos rivais e ficar feliz pelas suas vitórias. Esta é uma perspectiva daqueles que enxergam de longe onde os sentimentos nem são maiores nem menores, são simplesmente mais claros e definidos. Sendo assim, a bola não só rola, mas mexe com a gente, trazendo à tona muitos sentimentos que nos ensinam a olhar o desporto e o futebol de forma muito sadia e relevante para os dias de hoje. No entanto as claques com seus discursos racistas e xenófobos vêm arrastando cada vez mais adeptos, fruto não só da rivalidade imposta pela própria competição, mas também por fenómenos acelerados provenientes da época, tais como: a falta de sentido da vida; rejeição; desemprego e solidão...
Uma visão mais otimista a este nível não é possivel, até porque o que está movimentando muitos destes fenómenos é o dinheiro, muito dinheiro - o amor ao dinheiro é a raiz de todos os males.

18.5.05

CSK 3 X SPORTING 1


Portugal tem passado pela crise do "quase". É de segundo em segundo lugar. Mais uma vez não foi dessa vez.

Olhando para Nós curando os Outros

Nossas igrejas estão repletas de "experts" da vida alheia, porém são poucos os que sabem da sua própria vida. É muito comum encontrarmos "profecias" sobre a vida dos outros, mas são poucos os profetas que olham e conhecem o seu próprio coração. "Os moralistas mais intolerantes e implacáveis no seu julgamento e condenação para com o próximo geralmente carregam alguma tara ou desvio moral inconfessado". Não gostamos de nos confrontar com o nosso pecado, então fazemo-lo com os outros. O apóstolo Tiago escreve:"Confessai , pois, os vossos pecados uns aos outros, e orai uns pelos os outros, para serdes curados. Muito pode, por sua eficácia, a súplica do justo"(Tg5:16). Eis a solução para os doentes de nossa igreja. No entanto, falta coragem para por em prática esse tipo de intimidade uns com outros, a não confiança no nosso irmão tem nos levado a sofrer sozinhos, a perder a possibilidade de cura, para tantos males (físicos e espirituais) que nos têm assolado.

Práticas cristãs

Quando conseguimos reconhecer diante de Deus, da igreja e do próximo que temos andado por caminhos tenebrosos, amado mais a mentira do que a verdade, demonstra que a luz e a verdade, triunfaram sobre a mentira e as trevas. A confissão é o desmascaramento da falsidade e a exaltação da verdade que é Deus. Este esforço por tornar a confissão sincera e verdadeira levará o pecador a um profundo conhecimento de si mesmo. Francisco de Assis, certa vez orou dizendo:"Eu oro por uma santa humildade, a habilidade de ver e aceitar a mim mesmo como sou".
A preocupação pelo estético (a forma é o mais importante do que o conteúdo) e o sentir-se bem (a centralização do homem e suas emoções) têm, substituído sistematicamente elementos litúrgicos como a confissão, ou mesmo a leitura da Palavra de Deus. Não podemos ter um culto onde a liturgia aponta tão somente para as coisas positivas como: ações de graças, testemunhos de vitória e cânticos triunfalistas.
" Gratidão e confissão são como a expiração e inspiração na respiração. Pertence um ao outro". Estes dois lados da moeda são absolutamente imprescindíveis no acto do culto. Através da confissão eu conheço a mim mesmo e através da gratidão e louvor conheço a Deus e seu amor. Blaise pascal disse:"O homem que conhece a Deus, mas não conhece sua própria miséria, torna-se orgulhoso. O homem que conhece sua própria miséria, mas não conhece a Deus, termina em desespero"O culto cristão deve resgatar estes dois aspectos do coração. Autenticidade e verdadeira adoração é alcançada quando permitimos que o amor de Deus que nos conhece e sabe quem somos resida em nós.

16.5.05

Amar É Ser Radical

O mundo em que vivemos, não está de jeito nenhum, virado para a pessoa de Jesus Cristo. Outras pessoas e outros nomes têm ocupado a mídia e as mentes dos homens. O descaso e a indiferença tomou conta das sociedades que vivem cada vez mais divididas entre si, refugiando-se nas distrações e distorções da época. As lágrimas vertidas são na maioria de raiva e de ressentimentos, culpas que se tornam cada vez mais pesadas com as experiências e dificuldades do dia a dia." E peguntou: Onde o sepultaste? Eles lhe responderam: Senhor, vem e vê! Jesus chorou. Então, disseram os judeus: Vede quanto o amava."(Jo11:34-36)
Há cerca de dois mil anos, Jesus o Verbo Encarnado, derramou lágrimas... O pranto de Cristo fala-nos eloquentemente a respeito de seu carácter. Ele nos descortina as profundezas do seu coração. Ensina-nos verdades sobre o Salvador que não poderíamos comprender de nenhuma outra forma. Desse modo, as lágrimas de Jesus também conseguem tocar-nos no mais íntimo da alma, levando-nos ao arrependimento, à conversão e à paz.
A idéia de um Deus amoroso era estranha aos povos da Antiguidade. Nos versos da Ilíada, Homero disse que "os deuses ordenam que a sorte dos homens é sofrer, enquanto eles mesmos são livres de preocupações". Os gregos acreditavam que a principal característica dos deuses era a apatheia, ou seja, uma total indiferença para com os sentimentos dos mortais. Mesmo entre os judeus - que tinham preceitos religiosos mais elevados - Iahweh era visto como alguém distante, que se relacionava com os homens tão-somente por meio da lei. Ao apresentar o Senhor como um Pai que se envolvia com os dramas de seus filhos, Cristo escandalizou os escribas e os fariseus.
No livro Cartas do Diabo ao Seu Aprendiz, C.S. Lewis imagina como seria a correspondência entre um demônio experiente e seu sobrinho novato. Em meio a uma série de "conselhos" sobre a melhor forma de semear tentações, o velho diabo Screwtape deixa escapar uma dúvida. Como pode o Criador(a quem ele chama de "Inimigo") amar suas criaturas e sacrificar-se pelo seu bem? Ele considera isso o maior dos mistérios, algo que a mente infernal não é capaz de entender.
Jesus chorou porque se entristece como os homens se entristecem. Ele caminha com os sofredores, no entanto, as lágrimas de Jesus não são em tudo iguais às nossas. É que não encontramos nelas traço de fraqueza, limitação ou desespero. Como no cemitério de Betânia, Cristo sabe que tem as coisas sob controle, e que por fim triunfará plenamente. Às vezes choramos porque não podemos fazer mais nada, porque chegamos ao nosso limite. Tal não se dá com Jesus. Suas lágrimas não são sinal de impotência, mas de um amor que se apressa a socorrer os aflitos com incrível suficiência e poder.
"Atraí-os com cordas humanas, com laços de amor; e fui para eles com quem alivia o jugo de sobre as suas queixadas, e me inclinei para dar-lhes de comer" (Os11;4).

Ansiedade

Algo que nos pertuba é sentir o céu em silêncio. Se oramos e não obtivermos resposta, se não sentimos paz, se não ouvimos uma palavra que nos dê solução ou conforto, então sobrevêm-nos uma ansiedade que nos consome, uma solidão que nos massacra.
"Quando o Cordeiro abriu o sétimo selo, houve silêncio no céu cerca de meia hora."(Ap8:1)
Vemos na Bíblia que muitos homens e mulheres de Deus tiveram seus momentos de ansiedade, angústia e desânimo. Em alguns casos, a depressão alcançou propoções tão graves, que esses nobres personagens bíblicos chegaram a desejar a morte - e mesmo a pedi-la a Deus. Foi vivendo um momento desse que Moisés disse:"Se assim me tratas, mata-me de uma vez, eu te peço, se tenho achado favor aos teus olhos, não me deixes ver a minha miséria".(Nm11:15)
Elias, ameaçado por Jezabel, " foi ao deserto, caminho de um dia, e veio e se assentou debaixo de um zimbro; e pediu para si a morte e disse: Basta; toma agora, ó Senhor, a minha alma, pois não sou melhor que meus pais".(1Rs19:4)
Jonas e Jeremias, este foi mais longe: desejou nunca ter nascido(Jr20:14,17,18). Até o apóstolo Paulo, admirado como modelo de firmeza de perseverança, esteve perto de desistir:" Porque não quero, irmãos, que ignoreis a natureza da tribulação que nos sobreveio na Ásia, porquanto foi acima das nossas forças a ponto de desesperarmos até da própria vida"(2Co1:8)
Mas o que acontece quando Deus não fala? Quando há silêncio no céu, preparam-se grandes coisas. Quando há silêncio no céu as orações são recebidas. Quando há silêncio no céu ouve-se barulho na terra. Quando há silêncio no céu Deus envia a sua resposta.
A coragem não consiste na ausência de medo e ansiedade, mas na capacidade de prosseguir, mesmo quando temeroso. Gary Collins

14.5.05

Eu já sabia

Benfica campeão? Ao fim de tantos anos, pode ser... O campeonato foi equilibrado. O Porto não esteve bem e Sporting irá ficar com a Copa Uefa. Viva o Benfica.

Heróis da Areia

Heróis do mar, nobre povo... Foi assim que Portugal entrou na arena de Copacabana e venceu o Brasil, mostrando que raça e talento não são características exclusivas dos brasileiros. Madjer o maior em todos os aspectos. Foi bom demais poder calar os meus vizinhos e içar a bandeira pela primeira vez na janela de minha casa. Amanhã é a França. Temos umas contas a ajustar.

13.5.05

13 de maio de 1888 - Abolição da escravatura no Brasil


É um assunto sério e complexo. Sabemos de muitas crueldades cometidas contra os escravos vindos para o Brasil (pelos traficantes, pelos feitores ou pelos senhores). Com o fim da escravatura surgiram vários problemas sociais como desemprego, falta de moradia e outras necessidades. Vieram então os trabalhadores de várias partes da europa e também do oriente. E isso fez de nós essa mistura, essa "raça" de pessoas tão bonitas e criativas devido às combinações raciais e culturais. O brasileiro é antes de tudo um forte. Temos essa mancha em nossa história, mas soubemos como ninguém reverter essa situação triste em um povo alegre e diversificado. Quantos podem dizer que tem em seu sangue a força do negro, a delicadeza do oriental, a simpatia do indígena e a determinação do europeu?

Renata

12.5.05

Comentário ao post Neblina que não se Dissipa

Os obscurecidos de entendimento, talvez, sejam aqueles que procuram o conhecimento para saber mais - os curiosos; ou aqueles que desejam conhecer mais para ser conhecidos - os vaidosos; ou aqueles que procuram o conhecimento para o vender - os pouco honestos; ou, contrariamente (os não obscurecidos), aqueles que procuram o conhecimento para edificação de outros - os que amam. Como o homem é o único ser intelectual à face da terra, tem a obrigação moral de levar uma vida intelectual - para edificação dos outros. E quem "pensa que pode levar uma vida de estudo da verdade enquanto continua a viver uma vida iníqua, continua no erro." (Santo Agostinho). Portanto, conhecer e fazer, ouvir e obedecer são conceitos completamente interligados para aqueles que têm convicções fundamentalmente cristãs.
Fernanda Marques da Silva

Duas Mentes

Ando a ler Inteligência Emocional de Daniel Goleman, e estou curioso para saber aonde este livro vai me levar. Agradeço à Fernanda (minha irmã) a oferta deste livro. Goleman diz que: "Num sentido muito real, temos duas mentes, uma que pensa e outra que sente. Uma, a mente racional, é o modo de compreenção de que temos tipicamente consciência: mais proeminente em matéria de atenção, pensativo, capaz de ponderar e reflectir. Mas ao lado deste existe um outro sistema de conhecimento: impulsivo e poderoso, ainda que por vezes ilógico - a mente emocional." A propósito desta tensão entre razão e emoção, Erasmo de Roterdão, o grande humanista de século XVI, (que Calvino muitas vezes discordou) escreveu numa veia satírica a respeito desta velha batalha.
Para que a vida humana não fosse totalmente triste e enfandonha, Júpiter concedeu-lhes muito mais paixões do que razão, na proporção de um asse ( isto é, de 24 para 51) para meia onça. Além disso, relegou a razão para um canto estreito da cabeça, deixando todo o resto do corpo entregue ao domínio das paixões. Por fim, opôs à razão isolada a violência de dois tiranos: a Cólera, que domina a cidadela do peito, com a fonte da vida, que é o coração, e Concupiscência, cujo império se estende até ao baixo-ventre. Como conseguirá a razão se defender-se destes dois inimigos, para mais reunidos? A vida comum dos homens mostra-o com bastante clareza. A razão apenas consegue gritar, até enrouquecer, as leis da honestidade. É rainha de quem os homens troçam e injuriam até que, cansada, se cala e se confessa vencida.

Neblina que não se Dissipa

"Obscurecidos de entendimento, alheios à vida de Deus por causa da ignorância em que vivem, pela dureza do seu coração".(Ef4:18)
Retira o véu se és capaz! Afasta o nevoeiro que te impede de ver o que está bem na tua frente!
Deus não se encontra "tateando", tão pouco na introspecção do "conhece-te a ti mesmo" dos filósofos gregos da antiguidade. Deus não se encontra, nem se deixa achar. Ele está aí em todo o lugar e em parte nenhuma, pois os olhos da razão não conseguem penetrar nas trevas a não ser que haja Luz. Os corações de pedra são quebrados pela Palavra, pelo milagre são transformados em carne. A simplicidade e descoberta nos torna sensíveis e desejosos por ser o que Ele é. Despojando-nos de toda a impureza e malícia, nos vestimos de uma roupa criada segundo Deus e não segundo as boas intenções desta época. Somos constantemente iludidos pelos sentidos, pelos pensamentos envaidecidos, que nos dizem que por de trás da neblina não há nada, somente eu e o meu intelecto, que afinal não é suficiente para entender o que só pode ser discernido espiritualmente. Paul Tillich disse que: "O homem só pode enxergar a majestade de Deus quando descobrir sua miséria e só pode ver sua miséria quando descobrir a majestade de Deus."

11.5.05

Nuno o não Anônimo

"Há gestos que nos dizem mais que as palavras, de facto, mas quando o gesto acompanha e confirma as palavras é muito melhor."

Vidas banais

Será que podemos avaliar uma pessoa pela sua produtividade? Será que podemos medir os outros por aquilo que eles fazem? Quem pode dizer que controla sua vida, suas decisões, seu destino?
Quanto mais vivo menos sei a respeito. Talvez não tenha frequentado, ou vivido aquela escola em que os homens são forjados para serem vencedores - conquistadores. Ouço falar há muito tempo, que existem caminhos que devem ser trilhados, isto é, rotas que nos levam ao sucesso e independência. Se assim é, devo ser um fracasso completo, um rebelde inconformado. Nunca consegui encontrar essas estradas ao contrário os labirintos e os becos sempre acabavam por me atrair. Olhando agora de longe todo o trajecto percorrido, vejo a mão de Deus me carregando, os anjos, ministros ao serviço dos santos, me protegendo e enviando inúmeros sinais de sua dedicação. Os caminhos que andamos e insistimos em andar, que aos olhos da sociedade não passam de caminhos maus, são transformados em algum lugar da história em caminhos de conquista e vitória. Deus é o Único que pode fazer isso, mas Ele o faz através de homens e mulheres. O senso de impotência e indiferença é algo assustador. Achamos que não podemos fazer nada pelo o outro, pois nos ultrapassa, não temos nada a ver com isso, cada um escolhe seu caminho, dizemos nós. E a verdade é que perdemos a oportunidade de experimentar um pequeno vislumbre do amor de Deus.
Uma vida banal aos olhos de quem? Do mundo? Da sociedade? Da família?
Tenho sentido que a maioria de nós somos como aqueles que passaram do outro lado da estrada e fingiram que não viram aquele que estava prostado. Deus sempre nos conduzirá para estradas e becos que não queremos, não para sair de lá doentes, mas, extraordinariamente deslumbrados, abençoados com o que lá vimos e sentimos. Viver e morrer, sem ter a experiência de ajudar alguém a levantar-se, de ser instrumento de cura e libertação, de ser um "samaritano", pode no final da vida nos entristecer. Olhemos o outro lado da estrada, há sempre alguém que espera por nós, pode até ser um anjo que precisa de ser hospedado.

10.5.05

O Deserto e a Enfermidade

" Os doentes e sofredores são os favoritos de Deus"


O autor do Salmo 102 talvez atravessasse o deserto em uma de suas viagens quando, de repente, se deparou com uma cena trágica e insólita. A visão inesperada, quase absurda, de um pelicano solitário fraco e doente, morrendo de sede em pleno ermo, ficou registrada indelevelmente em sua memória. Assim, alguns anos mais tarde, quando ele experimentou um momento difícil na própria vida - ficou enfermo, vulnerável e só - lembrou-se da pobre ave e, com a voz embargada declarou: "Sou como o pelicano no deserto".
O salmo 102 foi escrito por um homem enfermo e angustiado. Ele é conhecido como "A oração dos aflitos". O autor se indentificou com o pelicano no deserto, e nós podemos nos identificar com ele e aprender lições importantes.
A enfermidade é um desafio. A tranquilidade da vida pode ser interrompida quando uma pessoa adoece. Costumamos dizer: "Com saúde, tudo vai bem". Se estamos bem, temos condições de enfrentar os desafios e superá-los com a graça de Deus. Entretanto, e quando o desafio é exactamente a falta de saúde? A doença gera uma série de sentimentos e reações, que pode ir , desde a ansiedade e solidão ao isolamento. A raiva, mágoa e desconfiança pode se instalar dentro de nós a tal ponto de virarmos num repente um "bicho a evitar". Quando estamos doentes, não só o corpo, mas também o espirito se abate.
O salmista ao lembrar-se do pelicano, em seu leito de enfermidade, descreve com clareza essa conjução de sofrimentos físicos e emocionais:
Os meus ossos ardem como em fornalha v.3. Ele padecia de uma febre intensa e contínua.
Até me esqueço de comer o meu pão v.4. Não tinha apetite.
Os meus ossos já se apegam à pele v.5. Perdeu peso rápidamente.
Por causa do meu dolorido gemer v.5. Sentia dores fortes, que os remédios não eram capazes de aliviar.
Não durmo v.7. A insônia tornava as horas passadas sobre a cama ainda mais longas e penosas.
Não me ocultes o teu rosto no dia da minha angústia v.2. Achava que sua doença já havia se prolongado muito, e estava impaciente.
Ferido como a erva, secou-se o meu coração v.4. Sentia-se desanimado, deprimido, irritado. Parecia que sua fé estava se avaporando.
Sou como um pelicano no deserto.
Um pelicano necessita de água para viver e um ser humano precisa de saúde para ser feliz. Por isso quando o nosso estado físico se assemelha a um lago que secou, nós nos sentimos como um pelicano no deserto. Nessas horas, a pergunta que se faz a Deus é? Por quê? Por que essa doença, Senhor? Por que comigo?
As causas da enfermidade é um assunto muito discutido nos dias de hoje. As perguntas que fazemos são antigas. Infelizmente, muitos ignorantes e exploradores têm se aproveitado desse facto. Antes de responderem às questões, trazem ainda mais sofrimento para os doentes. Existem pregadores que ensinam que toda a doença é resultado do pecado ou falta de fé. Precisam ler a história de Jó; e também joão 9:2-3. Esse tipo de discurso leva os doentes a ficarem mais doentes, pois além de se sentirem doentes, eles passam a se sentirem culpados. A Palavra de Deus pode nos esclarecer no que diz respeito às causas da enfermidade. A Bíblia ensina que a morte não estava nos planos de Deus para o homem, tampouco a doença. Foi como resultado de desobediência que as pessoas começaram a adoecer e morrer. Deus nos diz que só no céu estaremos livres dela, pois ali, mais uma vez, a humanidade terá acesso à árvore da vida, cujas folhas " são para cura dos povos" Ap 22:2. Assim, quando nos perguntamos por que as pessoas ficam doentes, a Bíblia aponta 5 possíveis causas: 1) Adoecemos por causa da fraglidade humana, Sl103:14; Gl4:3; 1Tm5:23. 2) Adoecemos por causa dos nossos hábitos, Sl104:14-15;Is55:12. 3) Adoecemos por causa dos nossos pecados, Nm12:9-10;Sl32:3-5. 4)Adoecemos por causa da vontade de Deus, Is:10;; 11:14-15. 5) Adoecemos por causa da perseguição do diabo, Jó2:7; Lc13:10-16; At10:38.
Já que existem tantas causas possíveis para as enfermidades devemos evitar conclusões apressadas e nos abster de fazer julgamentos. Quando somos atingidos por uma enfermidade, devemos investigar, com oração e sabedoria, qual a causa. Não devemos esquecer, nesse processo, de consultar os médicos e de buscar conselho com os irmãos mais experientes. Esse é o procedimento normal. Contudo pode acontecer de, em certos casos, não conseguirmos encontrar o motivo de uma doença, (Cf Sl37:4-5). Jesus nos responde: "O que eu faço não o sabes agora; compreendê-lo-ás depois" Jo13:7. Resta-nos a difícil e ousada decisão de confiar no Senhor.

9.5.05

Comunicar

Num século cada vez mais imediatista, consumista e superficial, a conformação com os sistemas deste mundo tiram-nos a visão do outro. Outro, que pode ser um velho, um jovem ou até mesmo uma criança barulhenta. No convívio com outros irmãos é belo poder ser abraçado e abraçar como fruto de uma relação cristã profunda que ultrapassa em muito os contactos superficais e cronometrados do dia a dia. A amizade sem interesse despida de preconceitos é visível quando visitamos uma igreja pela primeira vez. Aí, podemos sentir e perceber as razões do amor que nos une: Jesus Cristo. Ao conversar com os velhinhos e velhinhas mesmo que estas muitas vezes não me ouvissem bem, eram um sinal bem evidente para mim, que era eu que deveria ouvir. Depois os abraços sentidos que recebi, são respostas mais que satisfatórias às minhas carências e ansiedades. Dialogar sem usar palavras é uma experiência espiritual que precisamos resgatar. Saber olhar nos olhos do outro e entender o seu sorriso ou a sua mágoa sem dizer uma palavra é comunicar.

7.5.05

A Bíblia

A Bíblia não nos foi dada para sabermos como é o céu, mas como irmos para o céu.

Galileu Galileu - 1564-1642

Um Dia Especial

Este domingo estarei visitando nada menos que a terceira igreja congregacional mais antiga fundada no Brasil, a I.E.C. em Passa Três organizada em 1897. É uma igreja histórica tradicional. Estarei pregando de manhã e de noite. Neste domingo comemora-se também o dia das mães. Sei que Deus nos reserva grandes bênçãos neste dia especial.

Ivo e os Charros

Ivo Ferreira, um jovem realizador, buscava no Dubai inspiração. O deserto e umas "ganzas"(baseados), era tudo o que precisava para ter momentos de grande criatividade. A não ser que o produto fosse ruim. Até aqui, tudo estava correndo como Ivo planejara. Só que a ignorância ou menosprezo pelas leis e costumes de outras nações deixaram Ivo em situação difícil. Neste caso, consumo de haxixe daria os 5 anos de xadrez. Em outros países não muito longe dos Emirados, a pena é bem maior. Um dos grandes produtores de haxixe é a Líbia e Marrocos, sabendo que nestes países a hipocrisia é tanta, ao ponto de que só os estrangeiros é que sofrem este tipo de perseguição (consumo). Os próprios Xeques e seus príncipes escondem em seus buracos muita droga. Vejamos o caso de um dos filhos de Sadam que era consumidor de heroína. A imagem que alguns países querem passar de moralista, é enganadora. Eles têm os mesmos problemas que os ocidentais e aqui incluímos a China que não trata seus doentes, assim como a maioria das nações árabes. Uma posição radical declara que os chineses e os árabes é que estão correctos ao lidarem com o problema do consumo de droga, no entanto quando o "feitiço se vira contra o feitiçeiro", é que são elas. Muitos hoje tem uma opinião diferente porque o problema já não é somente dos outros, agora ele existe em sua casa também. Nestas coisas de interceder pelos os outros, parece que o Figo já fez a sua parte( este um dia vai virar político), até porque dá-se bem com aquela gente. O empresário Barbosa o próprio presidente da república já manifestaram a sua solidariedade com o Ivo. Salta há vista que a influência dos portugueses não é tão significativa, os interesses portugueses não são relevantes com esta nação e vice-versa. Se fosse os ingleses... O fim disto tudo é a libertação de Ivo, pairando no ar depois a sensação que o gesto de magnitude extrema foi de uma misericórdia inaudita. Os telhados de vidros que fazem parte da estética dos "soberanos" sempre acaba por quebrar só que na maioria das vezes a gente não sabe. Ainda bem.

6.5.05

Herodes o Matador de Meninos

Eusébio de Cesaréia (IV séc), em sua História Eclesiástica, cita Josefo narrando os últimos dias de Herodes. Este ordenou mediante um edito matar os meninos de Belém de peito e redondezas, de dois anos para baixo. O alvo era Aquele que o profeta Miquéias tinha falado. Mas Jesus o menino, levado para o Egipto, adiantou-se ao plano. (Mt2:1-7; 16:13-15)
As consequências da ação de Herodes em relação ao infanticídio que cometera e perseguição ao Salvador, foram terrivelmente descritas e explicadas extensamente por Josefo em seus relatos históricos: A doença de Herodes fazia-se mais e mais virulenta. Deus vingava seus crimes. Com efeito, era um fogo suave que não denunciava ao tacto dos que apalpavam um abrasamento como o que por dentro aumentava sua destruição; e logo uma vontade terrível de comer algo, sem que nada lhe servisse, ulcerações e dores atrozes nos intestinos, e sobretudo no ventre, com inchaço úmido e reluzente nos pés. Em torno do baixo ventre tinha uma infecção parecida; mais ainda, suas partes pudendas estavam podres e criavam vermes. Sua respiração era de uma rigidez aguda e extremamente desagradável pela carga de supuração e por sua forte asma; em todos os seus membros sofria espasmos de uma força insuportável...Depois, torturado, também pela falta de alimento e por uma tosse espasmódica e abatido pelas dores, tramava anticipar a hora fatal. Além destes detalhes mandou que matassem outro de seus filhos legítimos, terceiro que somou aos outros dois já assassinados anteriormente, no mesmo momento, de repente e entre enormes dores, expirou. Aos setenta anos, provavelmente em março ou abril de 4 a.C.
A narração de Josefo (que é muito extensa), leva-nos a olhar as Escrituras e lembrar de como "Terrível coisa é cair nas mãos do Deus vivo".

Qual será nossa Ocupação na Eternidade?

Esta é daquelas perguntas sem resposta. Só podemos especular. Há quem diga que vamos cantar louvores a Deus, com a mente mais desenvolvida. No entanto parece-me pouco diante da eternidade. A Glória e Majestade de Deus e a presença de nosso Senhor como Aquele a quem prestamos honra e adoração, deve ter outras formas de adoração e expressões que desconhecemos. As Escrituras neste e outros casos dá-nos a resposta:"As coisas encobertas são para o nosso Deus e as reveladas para nós e nossos filhos.(Dt29;29)

"Soberbo" (nome deste local)


Entrada da cidade de Teresópolis. Região serrana do Rio de Janeiro.Um dos lugares mais altos e por isso com temperaturas mais próximas do nosso Portugal. A 2.30h de Angra dos Reis. Belas paisagens e cahoeiras. No inverno dá até para usar a lareira. A 1hora do centro da cidade do Rio.Estou esperando por vocês.Esta foto mostra os "chifres do diabo" e o "dedo de Deus", coisas das lentes dos homens.

5.5.05

Fantasmas

Você acredita em fantasmas? Eles existem ou não? É verdade que moram em cemitérios, assombram casas, arrastam correntes?
De certa forma, os fantasmas existem sim. Eles existem dentro de nós. No nosso coração, na nossa mente, na nossa imaginação. E ali eles são muito reais e tremendamente assustadores. Nossos fantasmas são lembranças dolorosas de um passado que não conseguimos esquecer. São temores ocultos de males que possam nos sobrevir. São desconfianças profundas que nos tornam inseguros e solitários. São expectativas catastróficas de coisas que acontecerão se ousarmos ser nós mesmos. São segredos guardados que machucam nossa consciência. São pecados inconfessados que guardamos a sete chaves com medo de que alguém os descubra. Os fantasmas são temores que abrigamos no mais íntimo do nosso ser, trancados no porão da nossa alma, mas que, de vez em quando, escapam de lá e vêm assombrar nossos passos. Existe algum fantasma em tua vida? Se existe, precisas enfrentá-lo e expulsá-lo. Não fingir que não existe. Essa é a fórmula. Espera em Deus. "Eis que os olhos do Senhor estão sobre os que o temem, sobre os que esperam na sua misericórdia, para livrar-lhes a alma da morte, e, no tempo da fome, conservar-lhes a vida." (Sl33:18-19)

4.5.05

A Capela


Esta é a capela do Seminário onde estudei. Lugar de lutas e grandes vitórias. Momentos de ouvir a Palavra através de colegas e outros homens de Deus que tive oportunidade de conhecer. Já agora esta seria uma boa idéia para uma capela no nosso ABS. Não acham?

Dilemas

Ele julgará entre muitos povos e corrigirá nações poderosas e longínquas; estes converterão as suas espadas em relhas de arados e suas lanças, em podadeiras; uma nação não levantará a espada contra outra nação, nem aprenderão mais a guerra. (Mq4:3)
Este é o versículo que está escrito na entrada da sede da ONU. A iniciativa passa a idéia que a Organização Das Nações Unidas tem a responsabilidade moral (como intermediária) de guiar os povos na direção da paz e prosperidade. A questão é saber até que ponto isso é verdade. Saber se é uma manobra subtil de Satanás ou a mão de Deus agindo através dos lideres das nações para cumprimento de seu propósito. Onde fica a Igreja no meio de tudo isto?

3.5.05

Frestas na Igreja do Séc XXI

O movimento evangélico está em crise. Esta é uma frase, que virou clichê nos discursos dos palestrantes. A crise, resulta, segundo os profetas do nosso tempo da invasão, ou melhor, intromissão do mundanismo no culto, na vida, afectando a doutrina, tornando-a frágil e sem relevância .
Todos nós passamos por mudanças significativas ao longo da nossa vida, sabemos que essas mudanças têm haver com certas experiências, que nos influenciaram, que formaram a nossa maneira de pensar, ou que nos conformaram a uma realidade distorcida. Essa perda de visão ou a ilusão, tem levado a maioria acreditar que faz parte de uma geração de “renovados”, ou “ungidos”, ou “proféticos”, na verdade não percebem que estão sendo levados a afastarem-se cada vez mais do real sentido de ser Igreja.
.Já não existe uma teologia sadia que seja bem entendida, o povo já não adora e serve a Deus, porque não sabe como fazê-lo. No entanto, experiências vêm acontecendo, variedade de novos elementos no culto tais como: dança, encenações dramáticas ou humorísticas, algumas vezes recursos visuais como faixas, slides e filmes, até actividades pentecostais, incluindo desde ser morto no Espírito a risos santos, estão na moda e em alta. Também muitas igrejas viram alterações na área da música, o estilo mudou. Os velhos hinos deram lugar a cânticos de louvor, as melodias clássicas tradicionais já não servem mais, os estilos agora variam do rock ou pop ao sertanejo cristão Parece até que para alguns a música tornou-se um sacramento ou intermediário a uma experiência mística entre Deus e o adorador. O que nós precisamos perguntar é se todas estas novidades tem nos tornado mais maduros, mais perfeitos diante de Deus, mais humanos, mais próximos dos outros, mais próximos de Deus.

2.5.05

Ermida do Senhor do Bonfim


Localizada em frente a praia do Bonfim em cima de uma ilhota, foi construída por Manoel Francisco Gomes, em 1780. O charme da ilhota é completado pelas diversas pitangueiras atrás da igrejinha. Este minúsculo paraíso já foi palco de diversas telenovelas e campanhas publicitárias. Pode-se ir à nado partindo da praia do Bonfim ou da praia das Gordas (assim chamada provavelmente por ser uma praia "escondidinha" e com muita sombra) . Esta praia fica a cerca de 3 km do centro da cidade de Angra dos Reis.

O Servo de Senhor

"Não esmagará a cana quebrada, nem apagará a torcida que fumega..." (Is42:3).
Jesus Cristo é aquele de quem Isaías fala. Aquele amado do Pai; Aquele que o Pai se compraz; Aquele que é sustentado pelo Pai; Aquele que não desanimará, nem se quebrará.
Caminhando pelas ruas e becos, virando esquinas, nos deparamos sem querer com solitários e doentes que abandonaram a vida. O que me incomoda às vezes não é tanto o estado degradante em que se encontram estas pessoas, mas a minha indiferença, a minha falta de compaixão, e disposição para agir. Já nas igrejas as ruas e becos e as esquinas dos vários departamentos estão cheias de movimento e saúde, alegria e alguma disfarçada prosperidade, visível nas roupas de marca e outras ostentações. No entanto o que vemos na realidade de seus rostos, são expressões precoces de novos solitários e futuros doentes. A não ser que haja a coragem de enfrentar a vergonha e a culpa que carregamos ou outros sentimentos nocivos, somos sérios candidatos a novos inquilinos daquelas ruas e becos que falei no princípio.
O Servo do Senhor jamais pisará aquele que está quebrado pelos erros ou por um destino aparente de infelicidade. Jamais nós servos de Deus devemos contribuir para que o outro seja extinto. No entanto sem saber, talvez tenhamos "apagado" alguém ou "esmagado". Existem pessoas que podem ressuscitar para uma nova vida através de nós, sejamos abertos a esta possibilidade, podem ser pessoas da rua ou da igreja, às vezes pode ser um parente próximo. Concertar e destruir está ao nosso alcance. O que vamos escolher?

Você está preparado para ouvir a voz de Deus à noite?

Charles Spurgeon, num sermão sobre um sonho que havia tido declarou: É preciso ter cuidado para que não negligenciemos avisos celestiais por causa do medo de sermos considerados visionários; não vacilemos nem mesmo pelo receio de que nos chamem de fanáticos, ou loucos. Pois reprimir um pensamento de Deus não é um pecado pequeno.
Qual a vossa opinião acerca dos sonhos e visões? Na Bíblia lemos que Deus falou através de sonhos com Abraão, Zacarias, José, João, Pedro e outros. Deus falou também com Agostinho, com John Newton, com William Booth, e com Charles Spurgeon. Deus ainda fala por meio de sonhos ou não?

1.5.05

Ilha de Cataguases


Uma das 365 ilhas de Angra dos Reis. Um paraíso perto de nossos olhos e acessível para alguns. É possível mergulhar aqui e mais na frente almoçar em outra ilha. O peixe e o camarão são pratos bem confeccionados.Em qualquer esplanada nas ilhas, podemos ser bem recebidos e apreciar as belezas naturais, onde o verde, o azul e outras cores nos deixam deslumbrados.Visitem-nos.

30.4.05

Praia de Mambucaba, Angra dos Reis


Irmãos unidos pelo Atlântico

És aquilo que pensas e que ouves

"Não havendo profecia, o povo se corrompe; mas o que guarda a lei, esse é feliz." (Pv29:18).

A tradução da Bíblia De Jerusalém dá-nos uma idéia mais clara deste versículo: "Quando não há visão, o povo não tem freio; feliz aquele que observa a lei."A "visão" parece referir-se à actividade dos profetas. A lei(tôrâh), pode também designar o "ensino", aqui dos profetas. Profecia e visão podem significar a mesma coisa, no entanto para os dias de hoje podem ter conotações diferentes. Segundo Calvino, os "profetas" de hoje têm o entendimento correcto das Escrituras e sua interpretação. Já a visão, depende daquilo que queremos ser, de nossa posição diante de Deus e dos homens.
Nos dias que correm a verdade bíblica tem sido atacada. O relativismo e liberalismo procuram destituir a Verdade naqueles que foi implantada. O inimigo procura através de sistemas bem elaborados e discursos retóricos, induzir as pessoas em erro. E tem conseguido. A mensagem de Salvação e Esperança deixou de ser relevante para a maioria do povo ocidental globalizado, tecnológico e consumista. Não há profetas? Não há visão? O grito de Deus deixa-se ouvir na boca do profeta Amós:"Aborreço, desprezo as vossas festas e com as vossas assembléias solenes não tenho nenhum prazer..., Afasta de mim o estrépito dos teus cânticos, porque não ouvirei as melodias das tuas liras."(Am5:21,23). Tem sido fácil dar ouvidos a tantas vozes que se levantam. Vozes aparentemente inofensivas, vozes até ilusoriamente frágeis. Elas vêm de todos os lados entram em nossas casas sem pedir licença. As mentes conformadas dão lugar a mentalidades anestesiadas e inclinadas a ceder diante do pós- modernismo com seus vírus e bactérias mortais. Precisamos de uma reforma em nossa forma de olhar o mundo e viver nele, sem nos excluirmos dele. Para isso precisamos ouvir aqueles "profetas" que têm a visão correcta das Escrituras e uma posição diante de Deus e dos homens." os espíritos dos profetas estão sujeitos aos próprios profetas; porque Deus não é de confusão e sim de paz." (1Co14:32-33).

29.4.05


O homem é valente...

Querer e Crer

"IAHWEH disse a Moisés: Por que clamas por mim? Dize aos filhos de Israel que marchem..." (Ex14:15).
Pouco depois de Israel ter saído do Egipto o povo apercebe-se que os exércitos de Faraó estão no seu encalce a ponto de os pegar. Diante do povo está o mar vermelho e o deserto, atrás Faraó com seus cavalos e carros de combate. Acampados, junto ao mar perto de Piairot, diante de Baal Sefon o povo teve grande medo. A palavra de Moisés ao povo busca passar tranquilidade e para que este se mantenha firme e observe o que Deus irá fazer. É Deus quem combaterá por eles, não havia o que temer.
Falar é extremamente fácil. Dizer palavras de ordem e incentivar os outros quando o problema é dos outros é igualmente fácil, desde que isso não nos afecte directamente. Mas quando estamos no mesmo barco a coisa pode mudar de figura. Podemos vacilar, podemos fraquejar, podemos deixar de ser aquele que todos achavam que nós éramos. O que chama a atenção aqui é o discurso de Moisés para o povo mostrando firmeza, coragem e esperança de que a libertação da parte de Deus era certa. Contudo, o texto nos mostra que essa confiança sofria de algumas lacunas que precisavam ser preenchidas com uma dose de clamor: " Por que clamas por mim?". Parece a coisa mais normal clamar a Deus quando nos encontramos em situações difíceis como esta. Na verdade clamamos por muito menos. Não há nada de errado em clamar, pelo contrário, mas quando confiamos verdadeiramente em Deus, agimos, não ficamos estáticos, a ação é reflexo de um clamor interior que não olha para trás. O mar na verdade é um obstáculo intransponível, assim como o deserto um lugar sem esconderijos sem hipóteses de se escapar.
Observamos que os verdadeiros inimigos não estão há nossa frente mas sempre atrás. Aquilo que vemos diante de nossos olhos são oportunidades de vermos coisas maravilhosas. Os desafios não estão nas nossas costas mas diante de nossos olhos. O inimigo sempre vem, tentando impedir a nossa marcha, ele apresenta-se sempre assustador e cruel, na verdade ele é mais forte do que nós. Mas Deus nos diz para marcharmos, caminharmos mesmo que nos pareça absurdo caminhar pelo mar e sabendo que do outro lado nada mais há do que um deserto de quarenta anos.

Roupa Nova

Estamos de roupa nova mas o conteúdo continua o mesmo. São daqueles dias em que um indivíduo acorda e pensa: cansei deste visual. Qualquer opinião contrária pode ser expressa aqui. Que os leitores fiquem à vontade, a casa ainda é vossa.

Perdão

Bruno e seu pai tiveram uma discussão feia. O relacionamento dos dois, na verdade, nunca havia sido fácil. O temperamento do rapaz era irrequieto e apaixonado; o do pai, bastante autoritário. Naquela discussão, palavras duras foram ditas de ambas as partes.
- Nunca mais quero vê-lo na minha frente, jurou um.
- Para mim, você morreu, gritou o outro.
Bruno saíu de casa batendo a porta, e não voltou. Ficaram sem se falar durante anos.
Certo dia, o rapaz recebeu um telefonema da mãe. Seu pai sofrera um derrame e encontrava-se hospitalizado, entre a vida e a morte. Bruno ficou num dilema. Iria visitá-lo ou não? Ele não sabia qual seria a reação de seu pai. Ainda assim, resolveu ir no hospital. Quando chegou à porta do quarto, ele se deteve, incapaz de dar mais um passo. Ficou pensando se aquela teria sido uma boa idéia. Talvez sua presença despertasse antigos aborrecimentos que fariam o estado do pai se agravar. Ou podia ser que ele o recebesse friamente, e até o ignorasse. Paralisado, ficou a contemplar o ancião que dormia, coberto de fios e tubos.
De repente, o pai acordou e avistou o filho ali, parado à entrada do quarto. Imediatamente, começou a chorar. O rapaz não pôde mais se conter. Sem pensar em mais nada, correu em direção ao leito e atirou-se ao pescoço do pai. Num segundo, toda a mágoa que os havia mantido afastados por tanto tempo desapareceu. Pai e filho estavam novamente juntos, abraçados, chorando e soluçando nos braços um do outro. As lágrimas que derramaram naquele quarto de hospital lavaram anos de ressentimentos e de lembranças amargas.
A experiência de perdão e reconciliação é das mais sublimes pelas quais um ser humano pode passar. Há algo de sagrado no acto de perdoar. Nunca o homem é tão parecido com Deus quanto na hora em que perdoa. Esse acto abençoa famílias, restaura casamentos e reaproxima amigos. Ele tem o poder de evitar guerras. Ao perdoar, abençoamos nosso próximo e somos, ao mesmo tempo, abençoados. O perdão é um remédio eficaz para todos os males da alma: depressão, complexo de inferioridade, medo, rejeição e assim por diante.
Contudo perdoar pode ser algo extremamente difícil. Quando nos colocamos diante da perspectiva de desculpar uma ofensa, nosso interior se agita de revolta. Por isso, há um número incontável de indivíduos que vivem tristes, escravizados e doentes. Se quisermos desfrutar dos benefícios do perdão, teremos de ser corajosos . Talvez necessitemos travar uma luta que nos leve às lágrimas, como no caso de Bruno e seu pai.
A Bíblia nos ensina que o perdão faz parte do viver dos filhos de Deus. O perdão é um sinal inequívoco dos salvos. Se afirmamos nossa salvação, baseados no amor de Deus, certamente deduzimos que não foi pela nossa justiça, éramos indignos, Cristo nos justificou. Todas as nossas certezas estão Nele que nos adotou e nos tornou seu herdeiro juntamente com Jesus Cristo seu Filho Unigénito.( Rm5:1-11; 2.Co2:5-11). Que Deus possa mexer connosco a este respeito.

28.4.05

A fé na pós-modernidade

Nos dias de hoje, a fé só terá sentido se for compreendida como o meio de nos tornar agradáveis a Deus

Estava conversando com um amigo, com quem freqüentemente discuto sobre a vida, teologia, Igreja, e ele comentou sobre a necessidade que temos hoje de reconsiderar alguns princípios e valores bíblicos à luz da realidade pós-moderna em que vivemos. As verdades continuam as mesmas, mas a realidade mudou e torna-se necessário perguntar mais uma vez sobre a forma como estas mesmas verdades e princípios serão relevantes para nossa cultura. Ele apresentou algumas de suas preocupações. O que significa, por exemplo, para um cristão inserido num mercado altamente competitivo, tecnológico e consumista, ser “pobre de espírito” ou “manso”? Ou, como é que um cristão, trabalhando como executivo ou empresário, pode incorporar em sua experiência espiritual o conceito bíblico da simplicidade e da confiança?
Alguns preceitos bíblicos precisam ser repensados à luz da nova realidade – inclusive, aqueles que considero básicos para a experiência cristã. Qual o significado da fé para um cristão pós-moderno? O que ela significa para alguém que vive cercado de recursos tecnológicos e científicos, que tem uma boa renda e um padrão de vida saudável? Num passado não muito distante, o exercício da fé acontecia em virtude das limitações que tornavam a vida insegura e frágil. Os pais, por não saberem onde os filhos se encontravam, aflitos, oravam para que Deus os guardasse do perigo e do mal. Hoje, ao invés de orar, tomam o celular, ligam e, imediatamente, são tranqüilizados. Diante de um problema de saúde, nossos avós oravam e exercitavam a fé na esperança da intervenção divina. Atualmente, antes da oração, os cristãos pós-modernos buscam o melhor especialista no seu plano de saúde e depositam na ciência e na competência do profissional o cuidado e a cura do enfermo.
As situações de risco e limite vão se tornando cada vez menores, requerendo de nós uma nova abordagem sobre a compreensão da fé. Para muitos cristãos, fé é aquilo que nos faz crer no impossível, que nos ajuda a enfrentar o improvável ou que nos faz acreditar no sobrenatural. Pensando assim, a fé é aquilo que acionamos em situações onde se requer uma ação divina sobrenatural; é aquilo a que recorremos quando se esgotam nossos recursos. Parcialmente, isso é verdade. O problema é que, para muitos cristãos pós-modernos, os recursos tecnológicos e científicos trazem possibilidades inimagináveis – logo, muitos vivem toda sua existência sem a necessidade de “acionar a fé” para atender a uma situação que efetivamente foge ao controle.
No entanto, quando o autor de Hebreus nos fala que “sem fé é impossível agradar a Deus”, ele não se refere à fé como o recurso que usamos nas situações críticas da vida. Ele não diz que “sem fé é impossível realizar milagres”, mas que “sem fé é impossível agradar a Deus”. Para ele, é a fé que nos torna agradáveis ao Senhor. Neste sentido, a fé envolve a totalidade da vida, e não apenas aquelas situações limites onde nossos recursos não têm soluções.
Sabemos que a única pessoa que agradou plenamente a Deus foi seu Filho Jesus Cristo por causa de sua vida de absoluta entrega e obediência e da oferta perfeita que apresentou ao Pai, entregando-se para cumprir seu propósito redentor. Diante disso, não fica difícil entender que a fé, num sentido mais amplo e bíblico, tem a ver com a forma como vivemos e respondemos aos propósitos de Deus e nos tornamos agradáveis a ele.
Quando as Escrituras falam da fé, referem-se a um conjunto de realidades espirituais que se interagem na experiência cristã. O conceito bíblico de fé sempre envolve convicções, confiança, obediência, coragem e perseverança. É por meio da fé que verdades são compreendidas e cridas. Podemos então considerar que a fé em ação é a a obediência e a perseverança naquilo que cremos e que nos é revelado por Deus. É neste contexto que podemos compreender melhor o valor e significado da fé para o crente de hoje. Se, por um lado, vivemos numa sociedade que cada vez mais dispensa a fé, por outro, reconhecemos que nunca ela foi tão requerida para o viver perseverante e obediente como percebemos hoje.
Se reconhecemos o valor da fé em termos apenas funcionais, caminharemos rapidamente para a falência do cristianismo – afinal, temos os recursos tecnológicos e científicos que atendem com eficiência grande parte das demandas e necessidades pessoais e comunitárias. Acabaremos nos tornando ateus funcionais. Contudo, se reconhecemos o valor da fé em termos relacionais, iremos considerá-la como uma virtude que, junto com o amor e a esperança, caminharão conosco até o fim numa longa jornada em direção a Cristo. A fé é o fundamento da perseverança e da confiança. É por meio dela que iremos prosseguir naquilo para o qual fomos chamados.
O testemunho bíblico da fé é a perseverança na nossa caminhada. Amar apenas as pessoas que nos amam é natural, mas amar aquelas que não merecem nosso amor requer fé e perseverança, confiança e obediência. Experimentar a alegria e a paz em situações de tranqüilidade e conforto também é natural – contudo, permanecer alegres e cheios de paz por causa da salvação em Cristo e da certeza de sua presença redentora, mesmo quando caminhamos pelo vale de sombra e morte e quando tudo conspira contra a alegria e paz, é um ato de fé e perseverança. Prosseguir buscando o Reino de Deus em primeiro lugar e nos consagrando a Jesus e ao seu chamado, dedicando o melhor que somos e temos a ele na promoção da redenção, justiça e liberdade, é a fé em ação.
Num mundo globalizado e tecnológico, a fé só terá sentido se for compreendida como o meio de nos tornar agradáveis a Deus. Agradá-lo é trilhar o mesmo caminho de perseverança, auto-entrega, serviço, sofrimento e obediência que seu eterno Filho trilhou. É preciso reconhecer que fé e perseverança são faces diferentes de uma mesma moeda. Se por um lado é pela fé que conhecemos e experimentamos a graça de Deus, por outro, se não perseverarmos até o fim, não seremos salvos. Uma fé não perseverante é apenas uma ferramenta funcional de nenhum valor. Já a fé que persevera é um recurso relacional poderoso.
Viver pela fé ou andar pela fé é prosseguir no caminho da obediência e da coragem evangélica em direção à conformidade com a imagem de Jesus Cristo.
Ricardo Barbosa de Souza é conferencista e pastor da Igreja Presbiteriana do Planalto, em Brasilia

27.4.05

Mourinho

José é de Setúbal, da terra do carrapau, o meu distrito. Tem mais dois anos do que eu e se calhar já nos encontrámos em alguns jogos da Associação de Futebol de Setúbal, nos tempos de iniciados, juvenis ou mesmo juniores. Sempre achei que este distrito era rico em termos desportivos, não somente em jogadores mas treinadores também. Conheci alguns que enxergando muito de futebol nunca saíram do anonimato. O que tinha este José que tantos Josés dessa vida futebolística nunca tiveram? Poderíamos responder que talento, boa aparência, estabilidade psicológica e saber ouvir, foram ítens que ajudaram este José a chegar ao topo. Pode até não ganhar a próxima liga dos campeões, mas o respeito que conquistou pelo seu carisma e resultados, fazem que nós portugueses nos orgulhemos, além de que, serve a sua determinação e profissionalismo para dizer que afinal nós não somos tão burros assim, no que diz respeito ao futebol e outras maneiras de estar na vida. O importante é estarmos no lugar certo. Gostar do que se faz. Se não nos sentimos realizados naquilo que fazemos, quem perde, além de nós, são todos aqueles que nos rodeiam.Trabalhadores frustados viram pais mal humorados, maridos ausentes, nações pobres. O segredo e truque da vida é termos a coragem de seguirmos a nossa direção sem atrapalhar os outros, ao contrário, aprender com eles. Assim chegará um dia em que teremos nosso próprio estilo e método. Seremos imitados, alguém pretenderá ser igual a nós, mesmo que não sejamos lá grande coisa. O José ensina-nos que é possível atingir o nosso sonho mesmo que esse sonho nada mais seja o de ser um treinador de futebol. A questão não é ser bem remunerado, mas chegar lá.

Oi

Considerando a Bíblia pelo seu aspecto literário, não se compreende bem como intelectuais poderão permanecer indiferentes à grande fonte em que abeberaram os que fizeram a nossa literatura eminentemente Bíblica e deram a maciez voluntária, o tom suave e carinhoso ao nosso meigo idioma.
Erasmo Braga (professor, escritor e ministro evangélico)

26.4.05

Uma visita muitas bênçãos

Hoje pela manhã visitei um casal de nossa igreja. Ninguém diria que estes crentes já passaram do 80 anos de existência. Não é a primeira vez que os visito e tomo o café da manhã com eles. Sempre podemos orar e falar de assuntos que dizem respeito à igreja ou a lutas da vida que todos nós enfrentamos. O importante destas visitas é que sempre podemos esclarecer, através da Palavra, as dúvidas ou mal entendidos. Apaziguar os corações e contribuir para o crescimento dos outros, mesmo que estes aparentemente já sejam crescidos na fé, faz parte integral do ministério de cada um. Nestes cafés e encontros é fundamental saber remir o tempo que significa aproveitar bem a oportunidade que Deus nos concede de ser bênção e não maldição. O inimigo, conhecedor de nossas fraquezas, sempre irá tentar incutir em nossas mentes a discórdia. A maledicência, um pecado muito comum entre nós evangélicos, vem despertando aquele lado carnal e fomentador de todos os tipos de males que acontecem entre nós. Um pecado leva a outro, e quando queremos dizer basta a "coisa ruim" já ganhou raizes.
Vivemos uma época difícil para satisfazer construtivamente nossa aguda fome espiritual. A velocidade inaudita da mudança social produziu um colapso maciço de sistemas tradicionais de crenças, símbolos, significados e valores religiosos para milhões de pessoas no planeta terra. Os mais velhos em meio a avalanche de modernismos e pensamentos liberais sentem-se deslocados e tentados muitas vezes a enveredar por caminhos de ausência de amor. A maioria dos problemas vêm da falta desta percepção, de que o amor é que deve prevalecer. Se o amor prevalecer veremos o errado dar lugar ao certo e pessoas agindo correctamente de acordo com os princípios bíblicos. Os frutos do Espírito aparecerão, mesmo naquelas pessoas que duvidávamos de sua salvação. Uma visita e uma oração, pode ajudar em muito a vida espiritual dos outros e nossa, desde que haja esse espirito de paz e reconciliação em nosso coração.

25.4.05

A crise da transmissão da fé

A transmissão da fé em nossa cultura secularizada requer de nós novos cuidados e preocupações que nossos pais não tiveram

Uma preocupação que vem crescendo e provocando muitas conversas tanto dentro da Igreja Católica como na Evangélica é o da transmissão da fé para as futuras gerações. Na Europa, alguns estudiosos já demonstraram isso em trabalhos como o do espanhol Juan Martin Velasco, que escreveu La transmissión de la fé en la sociedad e do bispo alemão J. J. Degenhardt, com seu livro Crisis of the transmission of the faith, em que ambos apontam um fenômeno, não só europeu, mas ocidental, envolvendo principalmente as igrejas cristãs.Existem várias causas para isso, mas a secularização da sociedade ocidental é apontada por todos como a causa primeira desta crise. Olhando para o Brasil, vemos uma Igreja que ainda cresce numericamente, mas que tem perdido sua relevância cultural, social, política e econômica. E vem perdendo também suas raízes históricas e teológicas. Uma Igreja que oferece uma infinidade de programas, atividades e várias formas de entretenimento religioso, mas que tem perdido a capacidade de criar, principalmente nas novas gerações, um grau de compromisso e fidelidade para com a verdade bíblica. O que os membros fazem no domingo tem pouca ou nenhuma relação com o que fazem nos outros seis dias da semana. Nossas tradições foram descartadas, nossos valores relativizados e nossas convicções se transformaram em discretas e frágeis impressões religiosas. Vemos também, inclusive dentro da Igreja cristã, a intensificação do individualismo como resposta à secularização e o crescente movimento da moderna psicologia, que valoriza o “indivíduo autônomo” em sua busca pela auto-realização.
Diante de um cenário assim, ao olhar para o futuro do cristianismo, somos tomados por um sentimento de apreensão e perplexidade. Por um lado, sabemos que a Igreja é de Cristo e é ele quem a sustenta e guarda – no entanto, a história da Igreja é dinâmica e, em muitas nações e até continentes onde ela já foi viva e forte, hoje não é mais. Portanto, temos que refletir sobre nosso papel nesse processo e como será o processo de transmissão da fé para as novas gerações.
A transmissão da fé em nossa cultura secularizada requer de nós novos cuidados e preocupações que nossos pais não tiveram. No passado, com a centralidade da religião e da família na cultura ocidental, o processo era natural. Hoje, nenhuma das duas ocupam mais este lugar. Antigamente, os valores e convicções cristãs eram claramente definidos e aceitos socialmente. Eram eles que estabeleciam uma fronteira clara entre o que era certo e errado ou entre o que era pecado e o que não era. A identidade do cristão era socialmente bem definida, o que lhe dava também uma certa segurança e responsabilidade. Agora, não – falta essa identidade clara e os valores e convicções evaporaram. A grande pergunta que se coloca diante de nós é: como iremos transmitir para nossos filhos e netos os valores e princípios da fé cristã?
A nova preocupação com a “espiritualidade” pode ser uma resposta à crise da transmissão da fé. Muitos têm confundido espiritualidade com uma forma de intimismo religioso que surge como resposta ao individualismo secularizado, intensificando a alienação e não promovendo um relacionamento real e verdadeiro com o Deus triúno da graça. Para ser relevante, a espiritualidade precisa oferecer uma resposta à crise da transmissão da fé, fundamentando-se na revelação bíblica de Deus como uma Trindade (Pai, Filho e Espírito Santo).
Uma espiritualidade fundamentada na Trindade nos conduz a um relacionamento pessoal com Deus-Pai que não é fruto de uma compreensão particular e intimista, mas da revelação que Jesus, o Filho unigênito nos apresenta. Conhecer a Deus Pai não é o resultado das projeções das nossas melhores intenções paternas, mas o resultado exclusivo da relação única que o Filho eterno tem na comunhão com o Pai. Somente Cristo é quem nos revela a natureza paterna de Deus. Conhecer a Cristo é conhecer aquele que nos foi enviado pelo Pai e que realizou por nós, na cruz do Calvário, a gloriosa obra da reconciliação através da justificação e do perdão dos nossos pecados. Compreender o que Jesus fez na cruz e responder ao Pai em comunhão, obediência e adoração só nos é possível pelo poder do Espírito Santo, que abre nossos olhos, levando-nos a compreender nosso pecado e a necessidade de redenção. E que também nos abre para Deus por meio de Cristo e para a comunhão com os santos.
O caminho para enfrentar a crise da transmissão da fé passa por uma espiritualidade centrada na Trindade e nas Sagradas Escrituras. Somente a partir de um relacionamento pessoal com o Deus trino da graça é que poderemos recuperar o valor daquilo que é verdadeiro e resistir à subjetividade da cultura secular. Compreender a realidade a partir da revelação de Deus em Cristo, e não através da psicologia e sociologia modernas, nos libertará da percepção reducionista da cultura secular e nos conduzirá a uma compreensão profunda e realista da natureza humana, da nossa condição social, dos propósitos da criação e da comunhão com o Senhor e com o próximo.
Olhar para a realidade a partir da auto-revelação de Deus em Cristo nos conduzirá a uma nova dinâmica de vida e fé onde todos os eventos, encontros, experiências, desejos, ações e paixões serão holisticamente absorvidos em Cristo. É isso que nos tornará mais verdadeiros e nos conduzirá à vida abundante prometida pelo Senhor. O legado que precisamos deixar para as novas gerações envolve um caminho de fé que nos conduza a uma completa rendição e entrega, da mesma forma como o Filho de Deus se entregou por nós em amor e obediência ao Pai. Somente através de uma conversão real e dinâmica é que as novas gerações irão reconhecer o valor pessoal, histórico e social da fé cristã e responderão a ela numa vida de obediência, amor, comunhão e serviço.
Ricardo Barbosa de Souza é conferencista e pastor da Igreja Presbiteriana do Planalto, em Brasilia

24.4.05

Uma Bênção

Todos nós já participamos de cerimónias fúnebres e sentimos o peso da perda. Existem enterros contagiantes de gritaria e choro ao ponto de assustar os mais novos. Sabemos que funerais e cemitérios não são propriamente um "bom programa". Existem pessoas que não entram nem participam de velórios mesmo que o falecido tenha relação de sangue.
Hoje participei de uma cerimónia fúnebre de uma irmã de nossa igreja. Os cânticos do coral e a mensagem do pastor Elhiabe, trouxeram à minha mente não só a realidade da morte mas a verdade que a morte encerra. Alguns textos foram lidos e palavras foram bem ditas. Mas uma pergunta do apóstolo Tiago ficou na retina:" Que é a nossa vida? Neblina (ou um vapor) que aparece por um instante e logo se dissipa". A esperança que faz toda a diferença e isso é notório em alguns enterros é que nós eleitos de Deus , salvos por Jesus Cristo, não gritamos e choramos de desespero, não ficamos assustados. Cristo venceu a morte; trouxe a cada um essa esperança; que não está no mundo, mas em uma pátria que é eternamente nossa por adoção (filiação) e herança. Essa promessas são visíveis nos rostos dos eleitos na hora da morte "que é preciosa aos olhos de Deus", diz o salmista. Participar de um funeral de salvo é reconfortante, ouvir a Palavra de Deus e participar dos hinos é um privilégio, um milagre da presença de Deus.

23.4.05

Sabath

Como podemos descansar sem comtemplar? Existem detalhes escondidos na Criação que nos fazem deslumbrar, mas nem sempre os percebemos devido a uma agenda lotada de compromissos e rotinas. Às vezes são as pessoas que nos rodeiam, com suas agitações e crises menores, que nos afastam daquele momento a sós com Deus. Daquele instante único, que jamais se repetirá... Deus quer falar e nós nos afastamos, porque a urgência do fútil fala mais alto, enquanto a voz de Deus é quase silenciosa. A oração sempre será a minha resposta àquilo que Deus fala. Para isso eu preciso estar em silêncio. Mas o que acontece é que na maioria das vezes me distraio. Na maioria das vezes as minhas orações falam de mim e não de Deus, ora, jamais irei conseguir mudar Deus. Eu sim, preciso ser mudado. Descanso e oração são disciplinas cada vez mais difíceis de praticar nos dias de hoje, por isso existem tantos crentes doentes e desanimados. Quando resgatarmos o Sábado como aquele dia em que escolho olhar o que Deus fez e aqui podemos nos incluir e meditar sobre a bondade e graça. Quando soubermos viver não só para nós e nossos queridos, saberemos de certeza perceber muito mais Deus e seu amor, em coisas simples como olhar o céu ou o mar.

20.4.05

Eles Têm Papa

Era já esperado que Ratzinger fosse eleito, até porque era o desejo de João Paulo II. Por tudo aquilo que temos ouvido, sabemos que Bento 16 não é apologista de uma aproximação ao protestantismo (ainda bem) e considera todas as igrejas cristãs não-católicas como "filhas" e não "irmãs", como declarava seu antecessor. Trocar uma irmã velha por uma mãe velha e caduca é uma escolha difícil..., no entanto, os filhos legítimos católicos, ganharam uma mãe (igreja) mais discreta e um pai (papa) conservador. Se isso é bom para eles, creio que sim. Existem algumas posições deste novo papa que merecem nossa consideração: a firmeza conservadora em relação a temas como o homossexualismo e casamento e adoção por gays, a eutanásia, aborto, clonagem, feminismo, ego e individualismo, superstição. Uma das coisas que me traz alguma indignação é a ilusão de unidade da Igreja Católica. A eleição deste homem para líder, revela a preocupação de ter alguém mais habilitado do que todos os outros cardeais, em defender a doutrina clássica católica dentro do seu próprio quintal e lutar contra a expansão do luteranismo ou calvinismo e principalmente o neo-pentecostalismo que é o seu inimigo number one. Para mim acho até bem, pois não encontro grandes diferenças entre os neo-pentecostais e católicos. As preocupações e motivações parecem-me as mesmas ( sobre isto falarei mais tarde). O que nos resta agora é esperar para ver qual a estratégia que este papa vai adotar para que o catolicismo não perca mais fiéis. Pois nós cristãos evangélicos iremos continuar a pregar a Verdade que é somente encontrada na pessoa de Jesus Cristo e nos seus ensinamentos.

19.4.05

Você entende o que está lendo?

Se o livro que estamos lendo não nos desperta, como uma primeira martelada em nosso crânio, por que o lemos? Para ficarmos felizes? Bom Deus, seríamos felizes do mesmo modo se não tivéssemos livros, e, se eles nos pudessem fazer felizes, se necessário, poderíamos nós mesmos escrevê-los. Mas o que precisamos de ter são aqueles livros que vêm até nós como má-sorte, e nos desagradam profundamente, como a morte de alguém a quem amamos mais do que a nós mesmos, como o suicídio. Um livro tem que ser um machado de gelo a quebrar o mar congelado que há dentro de nós.( Kafka)

Não Temos Papa ( que problema ! ! ! )

Neste momento em que a Igreja de Roma está envolvida na eleição de seu líder, o mundo parece indefinido, não pela falta de um Papa, mas pela ausência aparente de um Pai." Por breve momento te deixei, mas com grandes misericórdias torno a acolher-te; num ímpeto de indignação, escondi de ti a minha face por um momento ; mas com misericórdia eterna me compadeço de ti, diz o Senhor, o teu Redentor." (Is54:7-8). Cada vez é mais notório a incapacidade de percebermos (como filhos de Deus) não a distância mas a fé que permite estarmos mais perto de Deus. Disfarçamos bem. A nossa fezinha é mecânica sem relevância. Vivemos os dias dando sinais errados, até parece que não temos um Pai. Temos um Pai . Não somos orfãos. Pensar em coisas do alto é conceder ao nosso coração a paz que o mundo não dá, tampouco um novo Papa. Conhecer as promessas de Deus e orar de acordo com elas é a oração sábia e eficaz. Deus é fiel e certamente iremos ver em nossa vida o seu cumprimento. Ajuda Senhor a minha fé é a oração que devemos fazer a cada manhã.
"Os aflitos e necessitados buscam águas, e não as há e a sua língua se seca de sede; mas eu, o Senhor, os ouvirei, eu, o Deus de Israel, não os desampararei. Abrirei rios nos altos desnudos e fontes no meio dos vales; tornarei o deserto em açudes de águas e a terra, em mananciais. (Is41:17-18).

18.4.05

Citações

O Senhor da linguagem é também o Senhor do acto de a ouvirmos. Karl Barth.

As Escrituras Sagradas são o traje que nosso Senhor Jesus vestiu e no qual se deixa ser visto e encontrado. Essa roupa é completamente entretecida, unida de tal forma que não pode ser cortada ou separada. Martinho Lutero.

Ouvir é Intimidade com Deus

"Sacrifícios e ofertas não quiseste; abriste os meus ouvidos; holocaustos e ofertas pelo pecado não requeres." (Sl40:6 ).

Imagine uma cabeça humana sem ouvidos. Um bloco compacto. Olhos, nariz, boca, mas sem orelhas. No lugar em que, comumente, elas estão, apenas uma superfície lisa, impenetrável, osso duro. Deus fala, não há reação. Literalmente a parte em negrito, está escrito: "o Senhor cavou ouvidos em mim". É estranho que nenhum tradutor haja produzido a sentença exactamente assim. Perder a metáfora é inaceitável, porque o verbo hebraico é "cavar". A metáfora ocorre no contexto de uma actividade religiosa apressada, surda à voz de Deus: "Sacrifícios e ofertas não quiseste... holoucastos e ofertas pelo pecado". Como essas pessoas sabiam sobre as ofertas, e de como fazê-las? Tinham lido e seguido as instruções de Êxodo e Levítico, tornando-se religiosos. Seus olhos leram as palavras na página de Torá e os rituais tomaram forma. Leram cuidadosamente as palavras das Escrituras e adotaram o ritual adequado. Que aconteceu para que não atentassem para a mensagem "não os requeres"? Deve haver mais envolvido do que seguir instruções sobre animais sem defeito, altar de pedra e fogo sacrifícial. E há: Deus está falando e tem que ser ouvido. Mas o que adianta Ele falar, sem que existam ouvidos humanos para escutar? Por isso, Deus toma uma picareta e uma pá e cava o granito craniano, abrindo passagem que dará acesso às profundidades interiores, à mente e ao coração. Ou, talvez, não imaginemos uma superfície lisa de crânio, mas algo como poços entupidos de lixo: Barulho cultural, fofoca descartável, conversa suja. Os ouvidos estão cheios de tal forma que não ouvimos Deus falar. Ele os cava de novo, retirando o lixo sonoro, assim como Isaque abriu de novo os poços que os filisteus haviam entupido. O resultado é a restauração das Escrituras: olhos transformados em ouvidos.

17.4.05

Poderia...

Quando pensamos naqueles sonhos que não se realizaram e inúmeras pessoas que apertamos a mão e não conhecemos, lugares e culturas que não pisámos e sentimos, entramos em crise.Crise sem desgosto, sem ressentimentos. Afinal, eu sou eu, ou outro?Nós somos aquilo que somos e não podemos fugir da realidade de nós mesmos a não ser que queiramos ser alguém que nunca seremos. Pior do que eu é não ser o que sou e ser aquilo que poderia ter sido.

16.4.05

O Mercado

Todos os sábados de manhã é costume ir jogar futebol, contudo, devido ao calor e falta de conversa o jogo ficou adiado. Fui ao mercado com a minha Renatinha e a minha simpática sogra. A minha sogra conhece todo o mundo pois ela tem trabalhado durante alguns anos na venda de frutas e legumes. Os vendedores do mercado municipal já a conhecem de "ginja" (de outros carnavais), afinal ela é um deles. Os peixeiros dão-lhe peixe e camarão - às vezes - as senhoras das bancas de verduras sorriem e sempre perguntam: - Vai alguma coisa dona Iolanda? Dona Iolanda a minha sogra é um espectáculo e muito popular no mercado municipal. Eu e Renata parecemos uns turistas (duristas ou tesos) caminhando nas calçadas de Angra debaixo de um sol abrasador. Água de côco e guaraná natural são bebidas que nos dão coragem para subir o morro carregados com legumes e peixe e vontade de coçar os olhos molhados de suor. Chegando a casa entramos numa estufa, logo os ventiladores e chuveiros começam a funcionar. Isto tudo antes de começar a fazer o almoço, que por incrível que pareça será 100% português: bacalhau cozido com batatas, brócolos e cenouras.

15.4.05

Um Livro Impressionante

" Um Pastor Segundo o Coração de Deus ", Editora Textus, de Eugene Peterson, um antídoto para algumas práticas superficiais, empresariais e, essencialmente seculares que fazem parte do ministério pastoral da actualidade. Peterson afirma que os pastores estão abandonando seus postos..., o seu chamado. Aquilo que fazem e alegam ser ministério pastoral não tem a menor relação com as atitudes dos pastores que fizeram história nos últimos 20 séculos. Existem perguntas que Peterson faz e responde de uma forma bem clara e chocante, mostrando a realidade que muitos de nós pastores novos e velhos tentamos esconder.
Você quer que seu ministério agrade aos membros de sua igreja ou a Deus?
O ministério é para você apenas um emprego ou uma vocação que Deus lhe confiou?
O ministério tem sido algo muito pesado e diferente daquilo que você imaginava?
Você tem alguma dúvida quanto à sua chamada ao ministério?
Você não entende por que a igreja que prega meias-verdades está sempre cheia e a sua está sempre vazia?
Que Deus pensa dos que são considerados pastores bem -sucedidos hoje?
Uma das questões que Peterson levanta, é de que alguns pastores estão confusos quanto ao modelo pastoral a ser adotado. Seus modelos acabaram falhando caindo e ficando pelo caminho. Isto diz ele, traz desapontamento e frustação e ao mesmo tempo insegurança quanto ao ministério e ao chamado de Deus e alguns dos que nunca foram grandes modelos estão de pé, com suas igrejas cheias, seus cultos alegres e repletos de milagres. Finalmente a pergunta chave: Qual é o verdadeiro modelo bíblico para um pastor que deseja ser segundo o coração de Deus?
Recomenda-se este livro com certa urgência. Ofereça este livro ao seu pastor. Particularmente estou sendo perturbado por este livro.

14.4.05

Realidades Distintas?

Quando vivemos observando e participando do que acontece em dois países(Portugal e Brasil), não podemos evitar as comparações. As pessoas têm os mesmos problemas, mas maneiras diferentes de reagir a eles. As pessoas riem e choram, praguejam e esquecem ou não. Caiem e levantam-se mais depressa ou devagar.Também sempre nós virados para o "eu imperial" procuramos não ficar mal, não pensamos nos outros e suas razões, nas suas perguntas e limitações, não nos suportamos. O perdão, como remédio para os males do coração, o riso que abrilhanta o nosso rosto não é mais usado, preferimos os comprimidos ou as defesas que criamos conscientemente em proteção ao nosso ego. Não percebemos que todas as nossas quesílias um dia ninguém mais vai se lembrar delas, ninguém mais perguntará nada a respeito, são coisas passadas que estão destinadas ao esquecimento, porque não têm relevância a não ser no momento que acontecem, e aí aprender alguma coisa. Estamos em desvantagem nos tempos que correm, o Inimigo de nossas almas deve estar "numa boa" a nossa carne está desgatada e o mundo vai se tornando insuportável, precisamos de uma revolução em nossas vidas, estabelecer prioridades e renovar nosssos relacionamentos, tornando-os significativos ao nível da relação com Deus. A mensagem de Cristo é sempre a de correr certos riscos de ir mais além.

13.4.05

Calor Somente Calor

Em Angra dos Reis o calor chega a ser insuportável. Por dia são três banhos e às vezes quatro, é o melhor momento do dia diz a Renata. O meu cão passa até mal, mas fazer o quê? Apreciar uma brisa fresca vinda do mar é algo estimulante. Bebemos água sem parar e temos sempre sede. Ficamos sonolentos e suamos até no duche. A praia aqui bem perto e eu sem vontade de descer o morro. O calor tem as suas vantagens é que quando não queremos fazer nada, este calor é uma boa desculpa.

12.4.05

Cheguei

Chegar a casa, rever a minha Renatchinha, abraçar a minha filhota, ainda na barriga de sua mãe é uma experiência maravilhosa. Sentir o quanto o meu cachorro gosta de mim... Bem, talvez poucos percebam do que estou falando. No entanto, deixar aqueles que nós amamos também nos deixa em um outro estado o da perda, perda temporária, mas perda. Agradeço a todos que me receberam e me deram palavras de incentivo. São estes que fazem a diferença.

2.4.05

Escrever Por Escrever

O que poderia dizer, quando há tanta coisa para dizer. Reconheço que ás vezes sou pródigo nas palavras, desligo-me do seu significado, penso apenas no final se a frase faz sentido ou não. Nestes casos de seca intelectual e de preguiça resta-me esperar que olhando algo novo surja aquele detalhe que me inspire. Sou avesso a certas imagens e conceitos que predominam as mentes vulgares, eu que sou muitas vezes escasso e chato. Enfim, talvez seja a falta de calor e humidade que o cérebro já estava habituado que gerou esta crise de reflexão.

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