15.1.05

Um Conselho

A carta aos Efésios leva-nos a adorar a Deus e a ser desafiado a melhorar a nossa vida cristã. Era a carta predilecta de João Calvino. Armitage Robinson chamou-a de "a coroa dos escritos de Paulo". William Barclay cita Samuel Taylor Coleridge que a avaliou como "a composição mais divina da raça humana" e acrescenta que, em sua opinião, é "a rainha das epístolas". John Mackay afirma em sua época que é "o livro mais actual da Bíblia", visto que promete comunidade num mundo de desunião, a reconciliação ao invés da alienação e a paz ao invés da guerra.

Leiam a Bíblia, comecem por Efésios.

Libertação

Libertação é o motivo unificador do estilo de vida cristão. O Evangelho é experimentado como boa-nova sempre que liberta e capacita as pessoas para realizar o sonho e a intenção de Deus de que tenham vida em abundância. No contexto hebraico-cristão, a essência da libertação é a liberdade de tornar-se tudo aquilo que a gente tem a possibilidade de tornar-se.

14.1.05

RECOMENDO

Marcelo Aguiar é autor dos livros Cura Pela Palavra, O brilho de uma Lágrima e Nos Desertos da Vida.
Marcelo Aguiar é daqueles escritores que mexe com o coração. Formado em teologia pelo Seminário Teológico Batista do Sul, e em Psicologia pela Universidade Federal do Espírito Santo. O que chama mais a atenção é o uso dos personagens bíblicos para nos dizer daquilo que sofremos, apontando a cura como resposta de Deus àqueles que já há muito perderam a esperança.
São três livros da editora Betânia. Leiam e digam qualquer coisa.

Ponto de vista calvinista (homossexualidade)

Em primeiro lugar, gostaria de destacar o exelente trabalho hermenêutico do primo Samuel Nunes.

O Tiagão observou a existência de alguns "parênteses", na primeira parte do texto do Samuel e observou e muito bem, que a interpretação bíblica pode ferir algumas sensibilidades. Eu gostaria de enfocar aqui o texto bíblico de Romanos cap.1.18-32. Parece-me que o problema para alguns é saber em primeiro lugar qual a resposta à questão: doença genética ou desvio moral? Pelas conversas que tive com homossexuais no trabalho secular e no dia a dia, creio, com toda a certeza, que podemos distinguir dois grupos: aqueles que têm vergonha de si mesmos; aqueles que se acham superiores por serem e assumirem o que são.

"A ira de Deus se revela do céu contra toda impiedade e perversão dos homens que detêm a verdade pela injustiça... Por isso, Deus os entregou, segundo o desejo dos seus corações, à impureza em que eles mesmos desonraram os seus corpos. Eles trocaram a verdade de Deus pela mentira e adoraram e serviram à criatura em lugar do Criador... Por isso Deus os entregou a paixões aviltantes: suas mulheres mudaram as relações naturais por relações contra a natureza; iguelmente os homens, deixando a relação natural com a mulher, arderam em desejos uns para com os outros, praticando torpezas homens com homens e recebendo em si mesmos a paga da sua aberração... Ora, conhecendo eles a sentença de Deus, de que são passíveis de morte os que tais coisas praticam, não somente as fazem, mas também aprovam os que assim procedem." (Rm 1:18,24,26,32)

Calvino faz uma exposição deste capítulo visando de uma forma geral todos os homens como "culpados de sacrilégio e de ingratidão ígnóbil e iníqua". A lista ocorre nos versos 29-31. Calvino no versículo 32 comenta de forma sintética o que Paulo está querendo dizer a respeito da direção errada que os homens tomam: "Conquanto esta passagem seja explicada de várias maneiras, a seguinte interpretação parece-me a mais verossímel, ou seja: os homens se precipitaram totalmente numa licenciosidade desordenada do mal e é o apagar de toda e qualquer distinção entre o bem e o mal, aprovaram, tanto a si mesmos quanto em outros, aquelas coisas que sabiam provocar desprazer em Deus, as quais serão condenadas por seu justo juízo. É o cúmulo do mal quando o pecador se vê tão completamente destituído de pudor, que não só se compraz com os seus próprios vícios, e não tolerará sua condenação, mas também os encorajam em outros por meio do seu consentimento e aprovação. Esta irremediável impiedade é assim descrita na escritura: 'Eles se alegram de fazer o mal' (Pv 2:14); 'A cada canto do caminho edificaste o teu altar e profanaste a tua formosura, abriste as tuas pernas a todo que passava e multiplicaste as tuas prostituições' (Ez 16:25). O homem em quem o pudor é sentido ainda pode ser curado; mas quando o senso de pudor lhe é ausente, e o que lhe é familiar é a prática do pecado, tal vício e não a virtude, lhe apraz e goza de sua aprovação, não resta qualquer esperança de emenda. "

Androginia: A Sexualidade Pagã (2)

Colaboração de Samuel Nunes

Tentei demonstrar que o objectivo da homossexualidade militante, é a desconstrução da família tradicional, com raízes no liberalismo teológico, no feminismo extremado e na espiritualidade do novo paganismo a que assistimos. Hoje gostaria de ir um pouco mais longe nas marcas pagãs da nossa sociedade que têm ressuscitado um culto da androginia. Desde sempre, que o paganismo andou de mãos dadas com o sistema religioso andrógino.

Mel Gibson, na sua “Paixão”, retratou de forma genial a figura do diabo. Sibilino e escorregadio, insinuante e provocante... bonito. Bonito mesmo! E... andrógino. Aquela cena misteriosa quando o diabo leva ao colo e acarinha uma criança envelhecida, o que significará? Bem, primeiro o diabo não acarinha nada! Será a inocência perdida que ele carrega!? Será a criação por redimir, e que mais tarde é restaurada por aquela lágrima divina que irá despoletar todos os fenómenos naturais!? (Pode ser. Visto que quando o diabo grita alucinado e derrotado, já não tem nada ao colo. A putrefacção da criação e da humanidade escaparam-lhe. Com a morte de Cristo tem início uma restauração cósmica que terá a sua apoteose nos novos céus e nova terra) Mas, mesmo aquele ser aberrante e abjecto, ao colo de satanás é um andrógino ontológico.

Já na época Suméria (1800 AC) havia sacerdotes andróginos associados ao culto da deusa Ishtar. A razão do seu culto era porque a deusa tinha “transformado a sua masculinidade em feminilidade”, e funcionavam numa posição ambígua entre o mito e a realidade.
Várias formas de androginia são encontradas na Síria e na Ásia Menor no 3º século AC, mas a sua expressão mais clara aparece durante o Império Romano. Está bem documentado que a Grande Mãe Cibele tinha sacerdotes andróginos chamados Galli que se castravam como acto de adoração permanente à deusa. Uma versão de Cibele encontra-se em Éfeso, onde Paulo fundou uma Igreja, sob o nome de Artémis. Na Síria a Cibele tem o nome de Rhea. Os ritos de iniciação para o culto a Cibele ou a Rhea, incluíam o baptismo no sangue dum touro morto na arena. No fim da cerimónia por vezes os “poderes genitais” do touro eram oferecidos à mãe dos deuses. Mais uma prova da emasculação do macho diante da divindade feminina. Não há muitas dúvidas de que este ritual era uma reprodução do culto mítico egípcio a Isís, em que o irmão/ amante Osíris é morto e o seu corpo cortado aos bocados. Isís, junta os pedaços do corpo do seu amante, excepto o pénis que é comido por caranguejos, e magicamente restaura-o à vida. Por outras palavras, mesmo na morte o macho ideal é emasculado, como os Galli em vida.
Há razões para acreditar que uma forma antiga de Gnosticismo, chamado Hermetismo, influenciou o Ocidente na Idade Média, revelando-se na espiritualidade mística da Alquimia. Assim, o alquimista espiritual transformou-se naquele que “sabe segredos”. Embora não houvesse nenhuma manifestação sexual explícita, o juntar dos opostos (fenómeno tão querido dos espiritualistas da Nova Era) era visto como um casamento sagrado, cujo fruto era a “pedra filosofal”. Por vezes o fruto aparece representado como um “filho da obra”, apresentando-se com o nome de Andrógino Hermético. Um ser autenticamente “dois-em-um”. No mínimo, haverá aqui uma androginização ritual.
A herança moderna da Alquimia é a Teosofia. A sua fundadora, Madame Blavatsky, mantinha uma relação lésbica dominadora com a sua sucessora Annie Besant. Aleister Crowley e Charles Leadbeater, notáveis homossexuais, continuaram a obra da fundadora iniciando a liga pagã da Ordem Hermética da Aurora Dourada. As suas actividades eram abertamente uma propaganda da sua espiritualidade pagã.
Falta o espaço para mencionar variadíssimas manifestações de androginia nos cultos Africanos, com os “sacerdotes assexuados vestidos e comportando-se como mulheres”; nos feiticeiros da Amazónia; nos bruxos Celtas; e na espiritualidade Hindu, com o Yoga Tântrico. Mircea Eliade explica: “quando Shakti (uma divindade hindu), que dorme na forma duma serpente (kundalini), na base do seu corpo, é acordada por certas técnicas yogâmicas, ela mexe-se através das chakras (mediadores de energia) até ao topo da cabeça, onde habita Shiva (outra divindade hindu), e une-se a ele”. O praticante de yoga, por técnicas poderosas de meditação sexual/ espiritual, é assim transformado num tipo de andrógino. Também no Budismo o verdadeiro humano, o arquétipo, é chamado bodhiasattva, e é andrógino.
É interessante notar que todos estes cultos pagãos têm em comum, para além da androginia, o comportamento levitacional, a auto mutilação, e a encarnação em animais. Também há uma habilidade na comunicação com o mortos. Emily Culpepper, ex-Baptista, agora uma bruxa lésbica pagã, diz o seguinte: “o poder das bruxas, das sibilas, e dos druidas, emerge da sua capacidade de comunicar com os não humanos: forças extra-terrestres e subterráneas, e com o mundo espírita dos mortos”.

São evidências sóbrias, as que enunciei. O paganismo da nossa sociedade vem vestido de sexualidade pagã. Dito doutra forma: a homossexualidade não será tanto uma questão biológica ou social, mas sim a expressão prática de espiritualidades pagãs tão velhas como o mundo. É cada vez mais evidente que um compromisso religioso vem acompanhado duma prática sexual bem definida. (veja-se só o escândalo na América dos padres sem castidade)

Texto de apoio: “Tratado de História das Religiões, Mircea Eliade"
Samuel Nunes

13.1.05

Como está, tudo bem?

Uma pergunta aparentemente corriqueira pode ter significados muito mais profundos do que parece à primeira vista.

Max Gehringer(palestrante e colunista da revista Exame),leva-nos para realidade do dia a dia, quando a gente acorda num daqueles dias. Aqueles em que o trajeto de casa até ao trabalho parece mais longo que a Cordilheira dos Andes -, é inevitável que a primeira pessoa que nos encontre no trabalho vá logo perguntando:
-Ih, que cara é essa? Alguma coisa errada? Parece que todos te devem...?
Imagina-se que alguém que faça uma pergunta dessas esteja esperando ouvir uma resposta socialmente correta, do tipo: "Sim, estou extremamente mal-humorado devido a diversos contratempos que passarei doravante a relatar. Você não gostaria de se sentar? Porque meu rosário de traumas pessoais e profissionais irá consumir cerca de 2 horas do seu tempo".
Pensando acerca das reações e afirmações que fazemos nesses diálogos, uma coisa sobressai: Quem pergunta se o outro está de mau humor raramente está querendo ajudar. No mais das vezes, está apenas buscando uma referência comparativa para melhorar o próprio dia. Já aquele que está realmente mal-humorado tenta disfarçar, mas as folhas brancas grampeadas o tom de voz aumentando e outros fenómenos neurológicos que ocorrem quando não estamos sendo sinceros, revela a dificuldade que temos de viver num mundo corporativo, um tanto quanto egoísta e carregado de maquilhagens.

Androginia: A Sexualidade Pagã (1)

Colaboração de Samuel Nunes
Tal como os Sodomitas de Génesis 19, a bater à porta da casa de Ló, o movimento “gay” está aí, influenciando toda a sociedade e às portas das nossas Igrejas. A exigência “gay” é simples: “não queremos apenas tolerância, queremos aceitação social”. E, na realidade, o desafio que a questão homossexual lança, é profundamente transformadora porque implica um esbatimento de barreiras entre “igual” e “diferente” que marcava os conceitos normativos da heterossexualidade. Logo aqui surge uma pergunta importante: o que é a norma? O que é normal? Scheaffer dizia: “quando a vida é absurda, definir normalidade é uma perda de tempo”. E G.K.Chesterton afirmava acintoso: “Schopenhauer, Tolstoy, Nietzsche e Shaw, estão a caminho do vazio do sanatório. Porque a loucura pode ser definida como a capacidade mental de alcançar o desespero mental, e eles estão quase lá”. Será que já chegámos a este desespero mental? Será absurda a existência? Talvez! Por isso é pertinente perguntar como chegámos a este estado de coisas?

RAÍZES NO LIBERALISMO, FEMINISMO E ESPIRITUALISMO
O movimento homossexual tem conquistado imenso terreno nas últimas décadas, e não vai definhar porque está intimamente ligado a todas as mudanças operadas na nossa sociedade moderna. Só para lançar algumas raízes, fica claro que o liberalismo foi um factor determinante. Uma hermenêutica baseada numa interpretação exclusivamente histórica dos textos Bíblicos, retirando toda a magia do milagroso, adubou aplicações meramente sociais. A Bíblia deixou de ser Palavra Viva, cortante e aguda, com dois gumes, para passar a ser um contentor amolgado duma verdade possível. De mãos dadas com um feminismo militante, estas interpretações Bíblicas deram força à ideia de que o texto Bíblico é “sexista”, e que é tendencioso no que se refere à questão sexual. Rapidamente, passou-se a catalogar de “estreita” a visão Bíblica de Macho/ Fémea. Daqui para o espiritualismo reinante foi um passo de anão. Por isso assistimos à popularidade crescente duma espiritualidade pagã, apostada em não ser apenas uma moda passageira, mas determinada a criar um ambiente religioso universal que se oporá à visão Cristã do Cosmos.

RAÍZES RELIGIOSAS
Todavia, o homossexualismo também tem raízes religiosas. As mudanças radicais da nossa sociedade incluem uma exagerada liberalidade sexual, uma redescoberta do misticismo pagão (o Harry Potter dá uma ajuda), e uma profanação brutal do direito à vida – o aborto. Será que tudo isto é mera coincidência? Ou haverá aqui uma ligação entre religião pagã e sexualidade pagã? Os homens lascivos à porta de Ló parecem dar a resposta. A sexualidade aparenta ser central e não periférica na sua vida social. a) Eles estão dispostos a quebrar as leis sagradas da hospitalidade. b) Recorrem à violência para cegamente cumprirem os seus desejos sexuais. c) Não aceitam a proposta desesperada de Ló, ao dar as suas filhas virgens. Portanto, uma completa falta de simpatia social. d) Desrespeitam ostensivamente alguém que tinha funções oficiais (Ló estava à porta da cidade, onde se tratavam dos negócios e da aplicação das leis), chegando a ameaçar que a Ló “fariam pior”. O que seria pior senão o assassinato!? Assim, embora a homossexualidade se apresente muitas vezes na forma de minoria a ser protegida e associada a valores anti-vida, embrulhados na ameaça linguística do politicamente correcto; ela na realidade pretende legitimar os dogmas do paganismo.

A minha tentativa vai no sentido de definir a “nova sexualidade” como expressão integrante dos conceitos pagãos da antiguidade. A minha resposta não pode ser idêntica à de Ló que de bom grado sacrificaria as suas filhas. Tragicamente, esta concessão ética de seu pai influenciou de tal forma a vida das suas filhas que elas não tiveram problemas em cometer incesto na caverna. A ironia é incontornável: Ló faz escolhas na cidade que se dramatizam na caverna. E, também não podemos embandeirar a nossa moral superior. É urgente ouvir o coração dos que carregam a Imagem Divina, por mais que ela esteja embaciada. Nenhum de nós pode atirar a primeira pedra ... muito menos eu.

RAÍZES DO PAGANISMO
Para estabelecer a ligação entre homossexualidade e paganismo é preciso concretizar as faces da espiritualidade pagã moderna. Em termos genéricos, todos os grupos pagãos, encharcados no caldo da Nova Era, falam em “sintonizar o universo com a semente divina, que é uma coisa inata no ser humano, reflexo desse ser supremo. A salvação estará ao alcance de todos, bastando para tal, libertarmo-nos de tudo o que impede a expressão do verdadeiro “eu”. É preciso olharmos para dentro de nós e tocarmos no nosso interior”. Na visão deste paganismo moderno, “a humanidade é uma realidade divina unificada, e todas as religiões em última análise são apenas expressões duma única verdade universal. O processo para se chegar a este entendimento espiritual é a intuição e a meditação. Isto alcança-se através duma experiência mística de percepção de nós mesmos como o centro dum círculo sem limites”. Carl Jung dizia: “O eu é um círculo cujo centro está em todo o lado, e cuja circunferência não está em lado nenhum”. A meditação, de acordo com o paganismo moderno, permite que “a alma se desligue dos limites do corpo, e entre em contacto com a unidade cósmica espiritual”.

Ora, aqui não há terreno neutro. Ou aceitamos esta interpretação da realidade espiritual ou rejeitamo-la. Se aceitarmos a visão pagã, a nossa teologia terá de apresentar tons pagãos. E a nossa sexualidade também. O paganismo defende que a família tradicional não pode ser a única referência da sociedade. Que casais do mesmo sexo podem adoptar e educar crianças. E, é esta desconstrução da heterossexualidade, como norma das sociedades humanas que leva ao crescimento do paganismo. Naturalmente, a destruição da sexualidade “tradicional”, abre o caminho para uma visão pagã da sexualidade. Isto é visível nos índices assustadores de divórcios, no crescimento exponencial da pornografia e da pedofilia, e na pressão social para que se aceite abertamente a homossexualidade. Voltamos aos tempos de Ló, onde todos no povo, tantos velhos como novos, se dedicavam publicamente às práticas sodomitas. Este é um fenómeno que marca a espiritualidade pagã do nosso tempo. No entanto, não ficamos por aqui. A homossexualidade é apenas a antecâmara doutro fenómeno mais abrangente: a androginia. (continua)

Samuel Nunes
Textos de apoio: “How should we then live” Francis Scheaffer; “On being a Christian” Hans Kung; “The vision of God” K.E.Kirk “Orthodoxy” G.K.Chesterton

Choro de Alegria

"Os que com lágrimas semeiam com júbilo ceifarão. Quem sai andando e chorando, enquanto semeia, voltará com júbilo, trazendo os seus feixes."(SL 126.5,6.)

O pano de fundo do Salmo 126 é o retorno dos judeus da Babilônia. Quando divisaram Jerusalém viram-se tomados por uma incontrolável alegria: "Quando o Senhor restaurou a sorte de Sião, ficamos como quem sonha"(vv.1,2). O salmista usou uma linguagem agrícola para referir-se a tudo o que havia acontecido com ele e seu povo. Sendo alguém que vivia do cultivo da terra, era natural que suas comparações se reportassem às experiências do campo, ao trabalho árduo da semeadura e à alegria festiva da colheita.

Lágrimas de alegria são raras hoje em dia. É mais fácil derramá-las quando estamos tristes. Há um pensamento comum de que os indíviduos felizes são aqueles que foram poupados de tribulações, mas isso não é verdade. Uma pessoa alegre não é, necessariamente, alguém que teve um passado calmo ou desfruta de um presente tranquilo. É um lavrador que aprendeu a cultivar e a extrair dele algo valioso. A alegria é uma conquista.

12.1.05

O LIMITE DO CONTENTAMENTO

"No filme Terra das Sombras, que retrata o romance e casamento do grande escritor inglês C. S. Lewis, há uma cena que, para a maioria dos espectadores, passa desapercebida, mas que me chama muito a atenção. Trata-se da visita que ele e sua mulher fizeram logo após o casamento a um vale cuja gravura o havia acompanhado desde sua infância num quadro na sala de sua casa e que, para ele, representava o paraíso. Depois de percorrer alguns quilômetros pelas estradas estreitas do interior da Inglaterra, chegaram enfim ao vale do quadro. Depois de caminhar e admirar a beleza do lugar, ele diz para sua esposa que, para ele, aquilo bastava, não precisava ver mais nada, virar nenhuma curva, que aquilo era tudo quanto gostaria de ver e contemplar. Fiquei pensando o quanto é difícil para o homem dizer estas simples palavras: Basta, está bom. A medida do contentamento nunca encontra o seu limite. Parece que é algo que sempre está por acontecer, mas nunca acontece. Normalmente, dizemos que no dia em que tivermos este ou aquele bem, ou alcançamos esta ou aquela virtude ou graça, aí então encontramos a medida de nosso contentamento. O fato é que sempre haverá algo por atingir, um bem que ainda não alcançamos, uma conquista que nos falta. O contentamento está sempre na próxima curva. A indústria do marketing tem como missão manter a alma e o coração humano satisfeitos. Há sempre algo que você ainda não fez e que precisa fazer ou adquirir para ser realmente feliz: uma viagem, um objeto, um romance, uma experiência, uma bênção. Enquanto você não experimentar aquilo você não é uma pessoa feliz, completa. Muitos vivem num estado de completa ansiedade e inquietação, numa sensação de que não podem perder nada, nenhuma oportunidade, porque disto depende o seu contentamento. O apóstolo Paulo, em sua carta aos Filipenses, afirma que aprendeu a viver contente em toda e qualquer situação. Para ele, tanto a humilhação quanto a honra, tanto a riqueza quanto a pobreza, tanto a fartura quanto a fome, não eram impedimento para o seu estado de contentamento. Para ele a satisfação era um estado de alma que não dependia das coisas que possuía ou experimentava. Que estado é este? Como é possível experimentá-lo em nossos dias? Jeremiah Burroughs, um puritano que nasceu no último ano do século 16 e viveu até 1646, escreveu um tratado intitulado A rara jóia do contentamento cristão, publicado pela primeira vez dois anos após a sua morte, em 1648. Para ele, o contentamento é um mistério difícil para o homem compreender, e somente a graça de Deus é que pode nos ensinar a combinar tristeza e alegria numa experiência comum de paz e contentamento. Para Jeremiah, contentamento é o fruto de um coração grato. Numa de suas afirmações, ele diz que um coração gracioso encontra o contentamento na aliança que Deus fez com ele. De fato, há um grande mistério nesta afirmação. Jesus mesmo ensinou aos seus discípulos que não deveriam andar ansiosos pela vida quanto ao dia de amanhã, porque a ansiedade por mais intensa que seja, não pode jamais acrescentar qualquer coisa ao curso da vida do um homem. Ele diz que as indagações sobre o dia de amanhã pertencem aos gentios, aqueles que não conhecem a Deus, nem experimentaram o seu amor. Porque aqueles que conhecem a natureza do amor divino sabem que o Pai celeste conhece todas as nossas necessidades antes mesmo que informemos a Ele.
É então que o nosso Senhor sugere que devemos buscar em primeiro lugar seu Reino e sua justiça, e as demais coisas nos serão acrescentadas. A pauta de oração daquele que experimentou a serenidade de contentamento passa a ser o Reino e a justiça, e não as outras coisas. Se formos sinceros, iremos constatar que a pauta de nossas orações são determinadas pela nossa ansiedade e inquietação, e não pela certeza serena e real do cuidado paterno de Deus sobre a vida daqueles com quem ele celebrou uma eterna aliança. Jesus conclui este discurso convidando seus discípulos a não temer, a não viver ansiosos, buscando antecipar as aflições do dia de amanhã, resistir as inquietações de ter e possuir, mas compreender o fato de que o Pai se agradou em lhes dar o seu Reino. Eis aqui outro grande mistério. Possuir o Reino de Deus em nós se traduz numa manifestação de Deus mesmo na alma humana que, por si só, é suficiente para promover o contentamento, diz Jeremiah. O contentamento cristão reside no fato de que o Reino já nos foi dado. O contentamento para Paulo não significava uma acomodação em relação aos desafios da vida e da missão, nem tampouco um desinteresse por melhorar o crescer. Como já disse, trata-se de um estado de alma que descobriu que possui em Cristo tudo quanto lhe é necessário para sua alegria, paz e comunhão com Deus e os homens. Que o contentamento não será encontrado na próxima curva, na visita ao shopping center, no novo emprego ou nas coisas simples e rotineiras, nas experiências que a graça de Deus nos concede dia a dia, nos encontros com amigos, nas tristezas e dores que vivemos. Tudo isso faz parte da existência humana, negá-las é negar a própria vida. Para Paulo, o contentamento que experimentava a riqueza e pobreza, na fartura ou miséria, eram reflexos de uma mesma realidade vivida na presença de Deus. A certeza de que Deus estava nele, que havia concedido a ele o seu Reino, transcendia suas experiências pessoais e as colocava num universo eterno. Penso que foi isso que Jesus experimentou. Sua vida não foi sempre um arranjo de fatos agradáveis. Experimentou o abandono, angústia, tristeza, traição, alegria e exultação, e todas essas experiências fizeram parte do Reino que havia sido entregue. Contentamento não significa não passar pelos vales sombrios da morte, mas gozar a plenitude do Reino, do amor, da justiça e da paz. Para terminar, quero mais uma vez citar C. S. Lewis, que no mesmo filme mencionado no início deste artigo diz que Deus não nos criou para a felicidade, mas para amar e sermos amados. A felicidade como um fim em si mesma pode parecer que só será encontrada na próxima curva, mas quando buscamos amar e ser amados, a encontramos onde estamos. Não precisamos virar nenhuma outra curva. Aqui está bom."


Pr. Ricardo Barbosa (Igreja Presbiteriana do Planalto, Brasília)

Congregacionalismo

Os congregacionais brasileiros como portugueses têm um problema comum. A falta de unidade. O sistema de governo parece ser o cerne das desavenças, as pessoas não são democráticas, ou não sabem o que é. Aprova-se e altera-se constituições e regimentos internos, no entanto a desintegração e perda de identidade é uma constante que parece que só vai terminar no "divórcio" entre os ditos "renovados" e "tradicionais". Será que este modelo já não tem sentido neste momento actual da igreja?

Declarações e Conclusões

"Reforma Hoje"(Uma convocação feita pelos evangélicos confessionais), de James M. Boice, Gene Edward Veith, Michael Horton, Sinclair Ferguson e outros.

Recomenda-se este livro para quem se interessa por fenómenos modernos e pós-modernos, que têm se infiltrado nas consciências ao ponto de gerarem igrejas com liturgias e teologias distorcidas.A declaração que saiu deste evento foi formalizada assim: "Convocamos a igreja em meio a nossa cultura moribunda, para que se arrependa do seu mundanismo, para que recupere e confesse a verdade da Palavra de Deus como fizeram os reformadores, e para que veja essa verdade incorporada na doutrina, no culto e na vida".

O livro fala essencialmente da falta de uma teologia sadia, bíblica, bem entendida. Diz que os evangélicos foram apanhados como presa do pragmatismo e consumismo de nossos dias. Em vez da igreja chamar o povo de Deus para adorar e servir a Deus, e ensiná-lo como fazer isso, tratamos as pessoas da igreja como compradores e vendemos o evangelho com um "produto".

Tsunamis e coisas do género

"Pois sabemos que a criação inteira geme e sofre as dores de parto até o presente. E não somente ela. Mas também nós, que temos as primícias do Espírito, gememos interiormente, suspirando pela redenção do nosso corpo."(Rm 8:22-23)


Ultimamente coisas "normais" têm acontecido com anormalidade. Não me lembro e não ouvi falar de acontecerem tantas tragédias em tão curto espaço de tempo. Deslizamentos de terras, enchentes, furacões, tornados, tempestades atípicas, secas, incêndios, terremotos, ciclones..., a juntar a isto, as guerras e atentados terroristas, fome, sida(aids), apostasia, indiferença...
Será que estamos realmente chegando a um ponto da história humana, em que já não há mais nada a ser acrescentado?

Apresentação e saudações

Olá. O objetivo pessoal deste blog é essencialmente virado para dois alvos: primeiro, aproveitar o meu tempo disponível de um forma reflexiva e imaginativa. Segundo, partilhar histórias e desencontros do quotidiano de maneira saudável. O enfoque principal será a tentativa de se buscar respostas para os desafios que as palavras ditas e não ditas, constantemente ousam teimar em serem entendidas. O meu ideal aqui, é que no final do dia sejamos recompensados por aquelas "palavras", que estavam escondidas ou simplesmente adormecidas.

Convido a todos os amigos e aqueles que querem ser meus amigos a participar deste barraco de "restos de palavras".

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