22.4.06

21 de Abril

Como já faz parte da tradição de nossa igreja , estivemos em Pedra de Guaratiba para participar da festa do Abrigo Evangélico. No programa da festa o tradicional torneio de futabol, desta vez com vinte igrejas representadas. Nós de Passa Três levámos nossa equipe e ficámos com o inédito terceiro lugar. Ainda tivemos que defrontar nas semi-finais a IEC de Bento Ribeiro que tinha no seu elenco o Jorginho (aquele) tetra campeão mundial e o Ailton (ex.fluminense e Benfica). Fica a nota aqui de que fui relegado para o banco. E isso diz-me que o tempo não só se vê no espelho mas também nas avaliações daqueles que nos rodeiam.

25.3.06

APELO

Quem sabe se consigo sensibilizar algum amigo ou familiar com este pedido urgente. Uma camisola da nossa seleção portuguesa para mim e outra para a Sofia.Precisamos torcer juntos e a Sofia já disse que está comigo. Deixem um comentário ou mandem um e-mail.

18.3.06

Seio da JJ e a Fuga de Deus

Colaboração de Samuel Nunes

A reacção extremada e fundamentalista, à visão do seio de Janet Jackson (e que seio!), fizeram-me pensar na expressão de João Calvino: “coram Deo” (Institutas I:1.2). A frase completa é “cor et res coram Deo” e significa literalmente, “coração e objecto perante Deus”. Os pensadores mais Calvinistas têm usado esta ideia para referir que todos os objectos do mundo visível, assim como o sujeito dessa visão precisam de ser vistos em relação a Deus. Aqui não vou contra o pré-suposicionalismo. Ou seja, toda a epistemologia cristã afirma a priori que toda a acção humana deriva significado do acto criador inicial do Deus Eterno (L’Eternel, dizem os Franceses). Não há factos desprovidos de significado, nenhum intérprete é autónomo, e todo o conhecimento é ético-relacional (daí estarem condenados ao vazio existencial, os ateus). Nesta linha de pensamento, já Cristo dizia que debater certas questões com os incrédulos, era “atirar pérolas a porcos” (Mateus 7:6). Porquê? As razões são quatro:
1 – Para o cristão a realidade divide-se entre o Deus independente e o universo criado, metafisicamente distinto d’Ele, mas ao mesmo tempo eticamente responsável para com Deus. Se os factos do universo são reais é porque Deus os fez assim, se são racionais é porque Deus os interpretou primeiro. Assim, a ligação directa para o conhecimento vem pela revelação. E o método para atingir esse conhecimento consiste em “ser um sonhador dos sonhos de Deus e pensar os pensamentos de Deus, de acordo com Deus” (Van Til, A Christian Theory of Knowledge).
2 – logicamente fica também negado todo e qualquer conhecimento pela racionalidade abstracta. Dentro do pensamento cristão o ser humano coloca-se holisticamente diante de Deus. Todo ele! Sem tirar nem por: corpo e alma; mente, vontade e emoção, a que a Bíblia chama de coração (na verdade, no que toca a Deus, o coração tem apenas a suas próprias razões!). E todas as acções do homem, interdependentes deste triângulo relacional (mente + vontade + emoção), serão sempre coram Deo.
3 – Se tudo deriva significado de Deus, então não existem factos neutros. O sabor duma maçã e a soma 2+2 = 4, têm cores éticas. O observador cristão analisa cada facto e cada homem, pelo prisma das 3 matizes da peregrinação cristã: a criação perfeita, saída das mãos de Deus; a rebelião do Homem; e a redenção operada por Cristo. Aqui, alguém argumentará, que a redenção completa ainda não chegou. É verdade. “Toda a criação geme e está juntamente com dores de parto até agora” (Romanos 8:22). Todavia, o cristão já tem as bênçãos do novo relacionamento com o criador-referencial-ético-relacional, e goza das “primícias” (Romanos (8:23) ao aplicar a redenção à sua epistemologia.
4 – O cristão está numa posição oposta àqueles que se recusam a ver os factos, e a interpretá-los num contexto coram Deo. O cristão está num patamar diferente do não-cristão (ver Rom. 1:21; 1 Cor. 1:21; 3:19; Calvino, Institutas II:3.1). As duas excepções são categóricas, porque por um lado, a supressão do conhecimento de Deus trai a existência prévia desse conhecimento, e por outro lado, a tentativa é frustrada, porque não chega a erradicar o conhecimento de Deus. A dupla terrível de excepções aparece em Romanos 1:19-25, e resume-se à criação e ao sensus deitatis, sentido da divindade. Calvino chega a dizer que mesmo o pecador não consegue “obliterar da sua mente” o sensus deitatis (Institutas, I:3.1).Conclusão: o cristão que quiser comunicar eficazmente, deve estabelecer com o descrente que a supressão do conhecimento de Deus é um dilema ético, e não apenas intelectual ou do âmbito do sintoísmo (argumentação do tipo: “eu sinto que Deus existe”; “Cristo é verdade porque me dá paz e eu sinto isso”). O cristão terá de demonstrar que o pensamento do não-cristão, é uma “fuga de Deus”. E, assim poderá afirmar o seguinte:a) toda a epistemologia construída a partir duma “fuga de Deus” leva ao abismo existencial.b) tal atitude é categorizada como pecado. O Evangelho manifesta Cristo, precisamente como o redentor dessa dimensão acéfala do homem. A escolha de Aldous Huxley que diante do significado da vida, preferiu a ausência de significado, “pois não queria prestar contas diante de Deus”, é perfeito suicídio espiritual.Assim, os fundamentalistas americanos, quando se deparassem com um seio desnudado, fariam bem em pensar no coram Deo de Calvino. Pelo menos não levariam a coisa tão “a peito”!
Samuel Nunes. Textos de apoio: Institutas de João Calvino; VanTil, A Christian Theory of Knowledge; C.S.Lewis, They Asked for a Paper.

25.2.06

Não Desperdice Seu Câncer

Por
John Piper
16 de Fevereiro de 2006

Estou escrevendo estas palavras na véspera da cirurgia do câncer na minha próstata. Creio no poder de Deus para curar — por meio de um milagre e da medicina. Sei que é certo e bom orar pelos dois tipos de cura. O câncer não é desperdiçado ao ser curado por Deus. Ele recebe a glória — e isto porque o câncer existe. Então, não orar pela cura pode desperdiçar seu câncer. Mas a cura não é o plano de Deus para todos. E existem muitas outras formas de desperdiçar seu câncer. Estou orando por mim e por você, para que não desperdicemos esta dor .
1. Você desperdiçará seu câncer caso não creia que isto foi planejado por Deus
Não diga que Deus apenas usa nosso câncer, mas que não o planeja. O que Deus permite, ele o faz por uma razão. E está razão é sua vontade. Se Deus prevê desenvolvimentos moleculares tornando-se cancerígenos , ele pode deter isto ou não. Se não, ele tem um propósito. Por ser infinitamente sábio, é correto chamar este propósito de plano. Satanás é real e causa muitos prazeres e dores. Mas ele não é a causa última . Assim , quando ele atacou Jó com úlceras (Jó 2:7), Jó atribuiu-as a Deus (2:10), e o escritor inspirado concorda: “e o consolaram de todo o mal que o Senhor lhe havia enviado” (Jó 42:11). Se você não crê que seu câncer lhe foi planejado por Deus, você o desperdiçará.

2. Você desperdiçará seu câncer caso creia que ele é uma maldição , e não uma bênção
“Portanto, agora nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus” ( Romanos 8:1). “Cristo nos resgatou da maldição da lei, fazendo-se maldição por nós ” (Gálatas 3:13). “Contra Jacó, pois, não há encantamento , nem adivinhação contra Israel” ( Números 23:23). “Porquanto o Senhor Deus é sol e escudo; o Senhor dará graça e glória; não negará bem algum aos que andam na retidão.” (Salmos 84:11)
3. Você desperdiçará seu câncer caso procure conforto em suas chances em vez de procurá-lo em Deus
O plano de Deus em relação ao seu câncer não é treiná-lo no cálculo de chances racionalista e humano . O mundo consegue conforto em estatísticas . Os cristãos não . Alguns contam seus carros (porcentagens de sobrevivência) e outros contam seus cavalos (efeitos colaterais do tratamento), mas nós confiamos no nome do Senhor, nosso Deus (Salmos 20:7). O plano de Deus é claro em 2Coríntios 1:9: “portanto já em nós mesmos tínhamos a sentença de morte , para que não confiássemos em nós, mas em Deus, que ressuscita os mortos”. O objetivo de Deus relativo ao seu câncer (entre várias outras coisas boas) é derrotar a autoconfiança em nosso coração para podermos descansar completamente nele.
4. Você desperdiçará seu câncer caso se recuse a pensar na morte
Todos nós morreremos caso Jesus não retorne em nossos dias. Não pensar sobre como seria deixar esta vida e encontrar Deus é tolice . Eclesiastes 7:2 diz: “Melhor é ir à casa onde há luto do que ir à casa onde há banquete ; porque naquela se vê o fim de todos os homens , e os vivos o aplicam ao seu coração”. Como você pode aplicar esta verdade a seu coração se não pensa nela? Salmos 90:12 diz: “Ensina-nos a contar os nossos dias de tal maneira que alcancemos corações sábios”. Contar seus dias significa pensar sobre quão poucos eles são e que terminarão. Como você conseguirá um coração sábio se você se recusa a pensar nisto? Que desperdício , caso não pensemos sobre a morte.
5. Você desperdiçará seu câncer caso pense que “vencê-lo” significa sobreviver e não aproximar-se de Cristo .
Os planos de Deus e os planos de Satanás para seu câncer não são os mesmos. Satanás deseja destruir seu amor por Cristo. Deus planeja aprofundá-lo. O câncer não vencerá se você morrer, apenas se falhar em aproximar-se de Cristo. O plano de Deus é privá-lo do alimento do mundo e satisfazê-lo com a suficiência de Cristo. Isto tem o objetivo de ajudá-lo a dizer e a sentir: “tenho também como perda todas as coisas pela excelência do conhecimento de Cristo Jesus, meu Senhor”. E saber, portanto, que “o viver é Cristo, e o morrer é lucro” (Filipenses 3:8; 1:21).
6. Você desperdiçará seu câncer caso gaste muito tempo lendo sobre o câncer e não o suficiente a respeito de Deus
Não é errado ler sobre o câncer . Ignorância não é virtude. Mas, o desejo de saber mais e mais, e a falta de zelo pelo conhecimento contínuo de Deus é sintomático no incrédulo . O objetivo do câncer é acordar-nos para a realidade de Deus, colocar sensações e força no mandamento “Conheçamos, e prossigamos em conhecer ao Senhor” (Oséias 6:3), acordar-nos para a verdade de Daniel 11:32 : “O povo que conhece ao seu Deus se tornará forte, e fará proezas”, tornar-nos carvalhos indestrutíveis e firmes : “antes tem seu prazer na lei do Senhor, e na sua lei medita de dia e noite. Pois será como a árvore plantada junto às correntes de águas, a qual dá o seu fruto na estação própria, e cuja folha não cai; e tudo quanto fizer prosperará.” ( Salmos 1:2,3). Que desperdício lermos dia e noite sobre o câncer e nada a respeito de Deus .
7. Você desperdiçará seu câncer caso se isole em vez de aprofundar seus relacionamentos manifestando afeição
Quando Epafrodito trouxe os presentes enviados pela igreja de Filipos para Paulo, ele ficou doente e quase morreu. Paulo diz aos filipenses: “porquanto ele tinha saudades de vós todos, e estava angustiado por terdes ouvido que estivera doente” (Filipenes 2:26). Que reação maravilhosa! Não diz que estavam angustiados porque Epafrodito estava doente , mas que ele estava angustiado porque os filipenses ouviram que ele estava doente. Este é o tipo de coração que Deus pretende criar com o câncer: o coração profundamente afetivo e preocupado com as pessoas . Não desperdice seu câncer voltando-se para si mesmo .
8. Você desperdiçará seu câncer caso se entristeça como quem não tem esperança .
Paulo usa esta expressão para designar pessoas cujos entes queridos haviam morrido: “Não queremos, porém , irmãos , que sejais ignorantes acerca dos que já dormem, para que não vos entristeçais como os outros que não têm esperança” (1Tessalonicenses 4:13). Existe tristeza na morte. Mesmo para o crente que morre, há uma perda temporária — a perda do corpo, de entes queridos e do ministério terreno. Mas a tristeza é diferente — é permeada pela esperança: “desejamos antes estar ausentes deste corpo, para estarmos presentes com o Senhor” (2Coríntios 5:8). Não desperdice seu câncer ficando triste como quem não tem esta esperança .
9. Você desperdiçará seu câncer caso trate o pecado tão normalmente quanto antes.
Seus pecados freqüentes permanecem tão atrativos quanto antes de você ter câncer? Se a resposta for afirmativa, então você está desperdiçando seu câncer. O câncer foi planejado para destruir o apetite pelo pecado. Orgulho, ganância, luxúria, ódio, falta de perdão, impaciência, preguiça, procrastinação — todos estes são adversários que o câncer deve atacar. Não pense apenas em lutar contra o câncer. Pense também em usá-lo. Todas estas coisas são piores que o câncer. Não desperdice o poder do câncer para esmagar estes adversários. Deixe a presença da eternidade tornar os pecados temporais tão fúteis como eles realmente são. “Pois, que aproveita ao homem ganhar o mundo inteiro, e perder-se, ou prejudicar-se a si mesmo ?” (Lucas 9:25).
10. Você desperdiçará seu câncer caso falhe em utilizá-lo como meio de testemunhar a verdade e a glória de Cristo .
Os cristãos nunca se encontram em determinado lugar por acidente. Existem razões para as quais somos levados onde estamos. Considere o que Jesus diz sobre circunstâncias inesperadas e dolorosas: “Mas antes de todas essas coisas vos hão de prender e perseguir, entregando-vos às sinagogas e aos cárceres, e conduzindo-vos à presença de reis e governadores, por causa do meu nome. Isso vos acontecerá para que deis testemunho” (Lucas 21:12-13). Assim também é com o câncer. Essa será uma oportunidade para testemunhar. Cristo é infinitamente digno. Aqui está uma oportunidade de ouro para mostrar que Jesus vale mais que a vida . Não a desperdice.
Lembre-se de que você não foi deixado sozinho; terá a ajuda necessária: “Meu Deus suprirá todas as vossas necessidades segundo as suas riquezas na glória em Cristo Jesus” (Filipenses 4:19).

In monergimo
Tradução: Josaías JúniorRevisão: Rogério Portella

Falando Sério

Uma das coisas mais supreendentes no contexto evangélico é a facilidade com que se finge. A arte de representar é um dos dons mais evidentes entre os cristãos dentro e fora da Igreja. As pessoas fingem que amam, que perdoam, que esquecem, que são amigos, que oram, que cantam, que ouvem, que estão alegres, que está tudo bem. Será que eu estou exagerando? Por que esta superficialidade? Só encontro uma resposta hoje: Estamos doentes. Os sintomas são esses citados acima. O pior é que neste mundo de espectáculos diversos, acabamos por enfadar os céus e as hostes espirituais. Nada de novo debaixo do sol, nada de novo nas palavras, nada de novo nos pensamentos, tudo é vaidade e correr atrás do vento. Vivemos no meio de uma cambada de ótarios preguiçosos que almeja algo maior na distração desta época, procurando vantagem e reconhecimento. Fomos ensinados a guardar tanta coisa, mas não o coração. E o que é que temos? Pessoas levando pedradas e comendo o pó da indiferença. O Senhor Jesus bem dizia que quando Ele voltasse não iria encontrar fé na terra. Espero que eu não esteja aqui nessa altura, pois hoje ainda me resta a esperança de que há um lugar incomparavelmente melhor do que este. E eu quero ir para lá.

5.2.06

Qual é a tua ó meu?


Alguém chamou os nossos tempos de "A Era da Aspirina". Se dissermos que nunca houve uma geração tão oprimida pelo stress, certamente não estamos afirmando nenhum absurdo. Para muitos de nós, já vão longe os dias de diversão, em que você podia brincar sem pensar em ser atropelado por um carro ou uma moto. Hoje já ninguém tem mais tempo para almoçar demoradamente em conversa agradável saboreando um bom prato. Vivemos hoje de refeições rápidas e de confecção instantâneas, ao lado de pessoas irritadas às vezes colegas de trabalho, esposa ou esposo, relacionamentos tensos, pouco sono e muita televisão. Acrescente-se a isso os problemas financeiros, problemas na escola, cartas não respondidas, obesidade, solidão, gravidez não planejada, drogas, alcoolismo e, ocasionalmente, uma morte. Existe um velho ditado grego que diz: " Você quebrará o arco se o mantiver retesado". Por outro lado, a ansiedade, angústia e desânimo são marcas cada vez mais presentes. E quando sentimos silêncio no céu isso nos desconcerta, ficamos à deriva, sem respostas, sem paz, sem palavras de conforto, somente a solidão que nos massacra a cada dia. Oramos e oramos e nada. E essa é a pergunta: o que acontece quando Deus não fala? Stress e ansiedade podem acabar com qualquer um, porém pode ser o início de grandes realizações e novas oportunidades. Precisamos parar e fazer perguntas, a respeito daquilo que é realmente importante. Precisamos saber também, que apesar do silêncio dos céus, pode bem ser a preparação para grandes coisas.

21.1.06

Vacuidade


Em nossa sociedade, muitas pessoas sofrem de falta de entusiasmo e de qualquer sentido dinâmico ou propósito em suas vidas. Durante alguns anos, eu próprio, tenho lutado contra esse "mal" terrível, que nos prosta e nos leva por carreiros perigosos em busca de significado, alívio e distração. Não foram poucos os momentos em que senti a sensação de desvalor pelas coisas e a incapacidade de despertar para um expectante e excitante novo dia. Essa depressão existencial crônica provêm daquilo que Viktor Frankl descreve como um "vácuo de valores", uma frustação da "vontade de sentido" básica. A tese básica de Frankl é de que "a vida é transformada quando se descobre uma missão que vale a pena cumprir".
É neste contexto de descoberta que podemos enxergar finalmente a nossa vocação. Martinho Lutero dizia que:"Todo o crente tem uma vocação na vida porque tem uma posição e, nesta posição, ele encontra sempre oportunidade de servir". Isto serve para todas as empreitadas e caminhos que tomemos em nossas vidas. A realização completa em uma dimensão vocacional é descrita pelas palavras do apóstolo Paulo:"Combati o bom combate, completei a carreira, guardei a fé. Já agora a coroa da justiça me está guardada, a qual o Senhor, recto juiz, me dará naquele dia; e não somente a mim, mas também a todos quantos amam a sua vinda"(2Tm4;7-8). Paulo neste mundo moderno seria considerado um fanático, um doente; pois declara que todos tinham se afastado dele, inclusive alguns de seus colaboradores "Na minha primeira defesa ninguém foi a meu favor...". Terminou a sua missão sem nada, isto é vazio daquelas coisas que o homem corre atrás e, sem a companhia daqueles que nos prendem com sua amizade, interesse e amor. "Mas o senhor me assistiu e me revestiu de forças...O Senhor me livrará também de toda obra maligna e me levará salvo para o seu reino celestial. A ele, glória pelos séculos dos séculos. Amém."(v.16-18)
A falência e acúmulo de sentido juntam-se nesta vida e não mais se separam. A vitória e conforto só Jesus Cristo pode dar. Somente nele encontramos significado em nossas missões e corridas. Somente conscientes de uma missão, que precisa ser levada a cabo por nós, nos torna capazes de viver neste mundo desumano, ainda assim o nosso mundo, que serve de passagem para nossa Pátria Celestial Eterna, livre da aridez e das poeiras dos desertos, pois o rio que corre em nossa Cidade nos saciará para sempre.

11.1.06

Reflexos do Ministério Pastoral

A busca de sentido e realização é um tema velho, porém, atual. Que chão estamos pisando? Que estrada é esta que nos faz perder de vista o horizonte a base de nossa fé? Olhamos em volta e vemos a ignorância se espalhando indiferente ao conhecimento da verdade de Deus. Olhamos mais perto de nós e desanimamos pela constatação de enfermidades letais e outras igualmente perigosas e contagiosas. O desamor, ressentimento, mágoa, orgulho doentio...sentimentos profundos e traumas não resolvidos.
Quanto mais perto estamos, mais impotentes nos vemos diante destas realidades. Às vezes frustrados por não ver as nossas orações surtirem o efeito que todos nós desejávamos, inventamos desculpas, por não termos sido capazes de ajudar o caído o deseperado. É aqui, somente aqui, que a crise se instala sem pedir licença. Baixamos a cabeça em vez de levantá-la para os céus e clamar por uma unção que nos revista de amor e poder para curar aqueles que nos chamam. Mas isso não é tão fácil. O Deus que pode atender às nossas reivindicações sempre parece pensar de um modo diferente ou de um jeito estranho aos nossos conceitos e desejos.
Pensar nas possibilidades de Deus é entrar num túnel sem fim, luminoso e cansativo. Simplesmente não o podemos alcançar.Buscando alternativas para esse drama nos assustamos porque não existe alternativa. Resta-nos esperar como o profeta Habacuque e dizer:”Pôr-me-ei na minha torre de vigia, colocar-me-ei sobre a fortaleza, e vigiarei para ver o que Deus me dirá, e que resposta eu terei à minha queixa.”.

12.11.05

JOSÉ AUGUSTO DOS SANTOS E SILVA


Santos e Silva nasceu em Abrantes no dia 16 de Novembro de 1863. Seu pai era um mestre de obras, que morreu num desastre de trabalho.Trabalhou como gerente da Empresa Literária de Lisboa, ao mesmo tempo em que o famoso evangelista Henrique Maxwell Wrigth (um dos fundadores da igreja que pastoreio), padecia de uma grave doença.Wrigth de regresso do Brasil viu-se impedido de dar seguimento à sua missão na Ilha de S.Miguel, iniciada em 1880, pelo que propôs a Santos e Silva ocupar a direcção do trabalho pelo espaço de um ano.
Para Santos era uma reviravolta na sua vida, uma verdadeira luta íntima o ter de se decidir. Santos era um tipógrafo, especializara-se na revisão e tivera por isso a oportunidade de privar com ilustres escritores como Manuel Pinheiro Chagas, Eduardo Vidal, António Enes e outros, o que lhe havia aumentado os seus interesses culturais. Porém quando Deus chama não há como dizer não.Aquele convite de um ano foi prolongado até 1897 (ano da organização da minha igreja), prestando ele então, no regresso a Lisboa, o seu auxilio a Santos Carvalho, por algum tempo. Depois, o pastor Santos e Silva aceitou, sob certas condições, o ministério interino da Igreja Presbiteriana, e aí se demorou de 1898 a 1907. Santos era um homem profundo nas Escrituras, o seu ministério foi aí abençoado em muitas almas, como o fora nos cincos anos em que permanecera em Ponta Delgada.
O ano de 1898 foi para ele, como também para o Evangelismo Lisbonense, de grande actividade, com a abertura da casa de oração “da Estefânia”, pela Missão Metodista em Portugal, e a fundação da União Cristã da Mocidade, de que ele foi o iniciador e principal organizador, valendo-lhe de muito os conhecimentos adquiridos antes da sua conversão. Como presidente da direcção e mais tarde da assembléia geral, teve aí útil contacto com a juventude, durante uns trinta anos, em colaboração com Roberto Moreton, Rodolfo Horner e outros mais.
Em 1907, como a Missão Metodista não pudesse continuar a manter o seu trabalho em Lisboa, que estava espiritualmente próspero, mas não em condições de arcar com sustento próprio, a Igreja organizada em 1900 tomou a resolução que lhe foi proposta, de chamar o Pastor Santos e Silva para guiar em nova fase, de regime congregacional, com o auxílio que lhe era prometido por elementos da Igreja Evangélica Fluminense.
Durante o longo pastorado da Igreja Lisbonense, 33 anos de grande actividade na obra local, como na de numerosas missões que fundou, ou de que tomou a responsabilidade espiritual, trabalhou sob os auspícios da Sociedade Brasileira de Evangelização, mais tarde Missão Evangelizadora do Brasil e Portugal, em cuja superintendência veio a suceder a Maxwell Wright.
O edifício na rua de Febo Moniz, onde hoje é propriedade da igreja presbiteriana se deve muito a ele. Fundou a Beneficência Evangélica, onde naquela época se dava atenção devida às viúvas.Fundou a Igreja evangélica Ajudense, como a Figueirense, a Chelense.Foi pastor interino das igrejas de Ponta Delgada , Rossiense, Pontessorense, Termas de S. Pedro do Sal e outras.
Homem modesto para quem pôde ter o privilégio de conhecê-lo diz Eduardo Moreira. Um operário até ao fim.Aos 77 anos, a 15 de fevereiro de 1940 faleceu. Depois de muitas enfermidades por que passou, ele, seus filhos e sua esposa. Juntando isto às incompreensões da época, temos um homem que soube manter-se firme e deixar algo para as futuras gerações, que infelizmente, nós, não demos continuidade.
José Augusto dos Santos e Silva foi batizado em 29-5-1881 pelo o Rev. Manuel dos Santos carvalho na Igreja Evangélica da Calçada do Cascão. Pastoriou durante 12 anos a Igreja Evangélica Presbiteriana de Lisboa. Simultaneamente aceitou o pastorado na Igreja Evangélica Lisbonense em 12-1-1908 quando da sua organização pelo sistema de governo congregacional. Fez várias viagens de evangelização no Continente, nas ilhas e no Brasil tendo fomentado neste país, irmão uma campanha para a construção do actual templo da rua de Febo Moniz, sendo lançada a primeira pedra em 11 de julho de 1923. Promoveu a inauguração do seu pavimento principal em 8 de Junho de 1925 em cujos dois primeiros cultos assistiram 1.000 almas.Inaugurou toda a igreja em 13 de junho de 1926. Compôs os hinos 504 e 579 e o coro XXVII último da colecção 248 dos salmos e Hinos. Fundou o jornal “O Mensageiro”. O seu texto favorito encontra-se em João 9:4. A Deus toda a Honra, Glória e Majestade.

2.11.05

FILOSOFIA PROFUNDA :

- Errar é humano, persistir no erro é americano,
acertar no alvo é muçulmano.

-Nunca desista do sonho. Se não encontrar numa
padaria, procure na próxima.

- Qualquer idiota é capaz de pintar um quadro,
mas somente um gênio é capaz de vendê-lo.

- Tudo é relativo. O tempo que dura um minuto depende
de que lado da porta do banheiro você está.

- O mais nobre dos cachorros é o cachorro-quente:
alimenta a mão que o morde.

- Se emperrar, force. Se quebrar, precisava trocar
mesmo...

- Roubar idéias de uma pessoa é plágio. Roubar de
várias, é pesquisa. ( ou MONOGRAFIA ......rs)

- Devo tanto que, se eu chamar alguém de meu bem ....
o banco toma !

- Quando lhe atirarem uma pedra, faça dela um degrau e suba...
Só depois, quando tiver uma visão plena de
toda a área, pegue outra pedra, mire bem e acerte
o crânio do engraçadinho que lhe atirou a primeira.

- Na vida tudo é relativo. Um fio de cabelo na cabeça
é pouco; na sopa, é muito!

- À beira de um precipício só há uma maneira de
andar para a frente: É dar um passo atrás.

- Eu queria morrer como o meu avô, dormindo;
tranqüilo... E não gritando desesperadamente, como os quarenta
passageiros do ônibus que ele dirigia!

- Diga-me com quem andas, que eu te direi
se vou contigo.

- Eu cavo, tu cavas, ele cava, nós cavamos, vós
cavais, eles cavam. Não é bonito, mas é profundo.

- Errar é humano. Colocar a culpa em alguém,então,
nem se fala.

24.10.05

Na superfície


Uma verdade desta época é a visão e percepção de que algo está para acontecer. Há quem diga que chegamos ao final da História, que nada mais há para ser acrescentado.Vivemos os últimos dias.Para muita gente a realidade não é aquela que se vê nos telejornais do dia a dia, mas a realidade das contas para pagar e a dos filhos para criar. Porém, algo está acontecendo.Não são todos que discernem o que está por detrás dos últimos acontecimentos: terremotos, furacões, secas, incêndios, bactérias, indiferença e esfriamento espiritual. Há um gemido que ecoa na natureza dos seres, um prenúncio de morte e dor. Os anestésicos desta época têm adormecido a maior parte de nós e o pior é que nos sentimos bem.

Olá pessoal!!!

Sofia Maria com dois meses de idade e já muito malandreca.

15.10.05

Sinais dos tempos


O amor vem esfriando na medida em que crescem a iniqüidade, o individualismo, o narcisismo
Os discípulos de Cristo, um dia, perguntaram a ele quais seriam os sinais que antecederiam a sua vinda. Ele respondeu esta pergunta numa longa pregação,, conhecido como “sermão profético”. Entre os sinais apresentados por Jesus, destaca-se o surgimento de falsos Cristos e falsos profetas, que iriam enganar muitas pessoas. O Filho de Deus falou também de guerras entre as nações e de abalos sísmicos. No entanto, há um sinal que me chama a atenção de forma particular: trata-se daquele que fala do esfriamento do amor. Jesus disse: “E por se multiplicar a iniqüidade, o amor se esfriará de quase todos” (Mateus 24.12).A relação que Jesus apresenta é inversamente proporcional: o crescimento da iniqüidade implica no enfraquecimento do amor.
Vejam se não é esse o nosso caso.
Na medida em que cresce o pecado em suas mais variadas formas, da corrupção ao crescimento da miséria social, da pornografia a todas as formas de banalização sexual, a violência nas ruas e nos lares, o individualismo autocentrado e narcisista, esfria o amor genuíno e sincero no ser humano. Somos uma geração que vem desaprendendo a amar. Não estou me referindo a uma forma platônica de amor ou aos modelos hollywoodianos que enchem nossa sala de estar todos os dias, mas ao amor conforme Deus o revela nas Escrituras. Amor naquela forma como ele mesmo nos tem amado e celebrado uma aliança com seu povo.
Provavelmente não há nenhum texto mais completo sobre o amor do que I Coríntios 13, um texto que precisa ser revisitado por nós diante daquilo que vemos todos os dias.Naquela epístola, Paulo fala de um amor que é paciente, que não se perde diante da primeira crise ou da primeira desilusão; um sentimento bondoso, não ciumento e humilde. Um amor que não se comporta de forma inconveniente, mas é altruísta, e está sempre procurando atender o interesse dos outros e não o seu próprio. É também um amor que não se ira facilmente, que não guarda rancor, que não se alegra com a injustiça mas que salta de júbilo quando a verdade triunfa. É um amor que sabe que o sofrimento sempre acompanha aquele que ama. Um amor que se sustenta sob fundamentos sólidos e verdadeiros, que não tem a pressa dos egoístas, mas que sabe esperar e possui uma enorme capacidade de suportar adversidades.
Este amor que Paulo nos descreve vem diminuindo e esfriando na medida em que cresce o egoísmo alimentado pelo individualismo da cultura narcisista, onde o que importa sou eu, meus desejos, meus interesses, meu momento, minhas necessidades, minha realização, meus projetos, o que eu penso, quero e preciso. Imagino que quando duas pessoas modernas, com este espírito individualista e narcisista, se encontram e resolvem se amar, envolvem-se num modelo de relacionamento onde, à primeira vista, tudo indica que se trata de um belíssimo e invejável romance. Contudo, diante do primeiro obstáculo, da primeira frustração, de um simples desentendimento, da dor e do sofrimento, ou do cansaço e da vontade de experimentar “novos ares”, abandonam aquele amor que foi grande apenas enquanto durou em troca de um outro que atenda as necessidades de um ego inflado, imaturo e insaciável.
É por causa da iniqüidade deste espírito individualista e narcisista que os pais vão abandonando os seus filhos porque têm coisas mais importantes a fazer, como ganhar dinheiro ou buscar o sucesso, do que cuidar deles e amá-los; alguns tornam-se indiferentes e os abandonam à própria sorte na esperança de que na escola ou na vizinhança encontrarão quem os ame e eduque.
Outros há que tentam manipulá-los e controlá-los em virtude da mesma iniqüidade, da mesma falta de tempo e da mesma insegurança.
Os mais modernos já preferem não tê-los porque sabem que o amor que possuem não ultrapassa a epiderme – não são capazes de amar nada além do seu próprio ego. Por outro lado, os filhos vêm se rebelando contra seus pais, negando-lhes o respeito e a honra. São também filhos da iniqüidade do nosso tempo, do mesmo individualismo, do mesmo egoísmo.
Os jovens trocaram o amor pelo sexo para descobrirem lá na frente, depois de tantas idas e vindas e muitas “ficadas”, que são bons de cama mas frios e imaturos na arte de construir um amor que supera as fronteiras do egoísmo e que cresce na medida que o tempo passa.
Os escândalos de corrupção que mais uma vez abalam o país têm, na sua raiz, o mesmo mal. Todos buscam o que é seu e nunca o que é dos outros. A epidemia que hoje toma conta da nação não é a corrupção – ela é apenas mais uma expressão de uma nação, onde a iniquidade cresceu tanto que fez o amor murchar.Eu nunca fui um desses crentes interessados em decifrar os códigos para adivinhar quando é que Jesus Cristo volta. Tal aritimética não me interessa. Apenas sei que ele voltará, e isso me basta. No entanto, devo confessar que olhando para o cenário do mundo hoje, tenho orado por uma intervenção divina e espero que ela aconteça logo, seja na forma de um novo avivamento – daqueles que penetram na raiz do coração humano e o transforma e não esta panacéia religiosa que alguns chamam de “derramamento do Espírito” – ou de uma intervenção escatológica, final ou não. Oro por isto porque não é mais possível suportar tanta injustiça, tanta miséria, tanta imoralidade, tanto pecado.Oro também para que Deus nos preserve fiéis a ele e à sua Palavra, para que aqueles que reconhecem o amor divino e são alimentados e inspirados por ele cresçam cada vez mais amparando o pobre, cuidando do necessitado, lutando pela justiça, permanecendo fieis aos termos da aliança com Deus e com o próximo. Jesus, naquele sermão profético, afirma que “o amor se esfriará de quase todos”.
E é nesta pequena exceção que quero me incluir, a mim e a você, mesmo que sejamos apenas um pequeno remanescente, mas um remanescente que não se curva diante dos Baalins do mundo moderno.
in Eclésia
Ricardo Barbosa de Souza é conferencista e pastor da Igreja Presbiteriana do Planalto, em Brasilia

13.10.05

Parabéns Renata

Agradecemos a Deus pela tua vida. Te amamos muito. Esperamos ainda ser abençoados durante muito tempo com a tua presença, palavras de incentivo e carinho. Obrigado pela filha linda que me deste.

9.10.05

Vida Como Ela É

Hoje em uma congregação de nossa igreja, fui confrontado com a pobreza e desespero de uma mãe e nossa irmã. Com três filhos pequenos, sem trabalho e sem dinheiro, viu-se de repente abandonada pelo seu marido. Ele disse que iria trabalhar em certo lugar e passadas duas semanas o homem não voltou. Uma das garotas estava cheia de febre e sua mãe pediu-me para orar por ela, diz a mãe que a febre era de saudades do pai. Graças a Deus que a igreja tem condições de ajudar em alimentos esta família. No entanto, parece que a fome persiste e a tristeza e frustação ganham raizes profundas.A igreja deve ter uma resposta positiva para estes casos, mas nem sempre está disposta a abraçar estas e outras causas humanitárias que requerem amor e compaixão. São pessoas de cor, sujas e muitas vezes doentes, que tornam-se vítimas da indiferença das pessoas de pele branca, com suas roupas limpas, cheirosas e sorrisos de barriga cheia.Para a minha igreja, participar dos dramas desta gente, será uma escola para o desenvolvimento de certos exercícios nunca desenvolvidos.Queira Deus que saibamos perceber as oportunidade de forma a aproveitá-las e sermos bem sucedidos.

28.9.05

Missão de pai

Estou sem tempo para escrever. A Sofia e a igreja ocupam-me integralmente e à noite o sono é rei. Pastor, pai e marido são realidades que nos preparam para conversas com Deus ao mais alto nível. Descobrimos que já não somos, mas ocultos em Cristo, vivemos uma dimensão onde é possível enxergar a perfeita e agradável vontade de Deus. Ser pai é entender um pouco do amor de Deus.

Bodes


Há uns poucos meses atrás, publicamos algumas notas sobre bodes, nos enviadas por um irmão da Austrália. Várias pessoas têm escrito para dizer que elas foram ajudadas pelas mesmas. Não muito depois disso, escrevemos para o irmão Klooster, que está engajado na obra do Evangelho na Holanda, uma terra onde os bodes são totalmente comuns entre as pessoas mais pobres. No decorrer da nossa carta a ele, mencionamos que era a nossa crescente convicção de que “os bodes” de Mateus 25:33 etc. são cristãos professos que são desprovidos da vida de Deus em suas almas. Sua réplica fortaleceu ainda mais a nossa convicção, e dela extraímos aqui alguns pensamentos com respeito a estes animais, como sendo uma descrição daqueles que levam o nome de Cristo, mas que são estranhos à Sua salvação.
Leia Mateus 25:31-33. “É claro, à partir da Escritura, que as ‘ovelhas' mencionadas aqui são o povo escolhido de Deus, que foram lavados no sangue do Cordeiro, e que seguem o grande Pastor (João 10:26-29). Igualmente claro à partir da Escritura é que os ‘bodes não são ateus e outros que repudiam a existência do Deus eterno, mas são aqueles que tendo ‘uma forma de piedade, negam, entretanto, o poder dela', pessoas que estão sempre aprendendo e ‘nunca são capazes de chegar ao conhecimento da verdade' (2 Timóteo 3:5-7). Olhando agora para Mateus 25:44, lemos que os bodes responderão à Cristo 'dizendo, Senhor, quando foi que Te vimos com fome?' Somente aqueles de quem é dito em 2 Timóteo 3:5; Judas 11 etc. irão (nem mesmo as ovelhas, os filhos de Deus) se dirigir a Ele como ‘Senhor'. Por meio disto eles mostram sua ‘forma de piedade' ou semelhança externa aos filhos de Deus, de forma que, a uma certa distância, os bodes se parecem com as ovelhas na aparência e no som de seu balar. Em Mateus 7:21-23 lemos sobre este mesmo povo religioso, com sua ‘forma de piedade'.
“Na Escritura a ‘mão direita' é sempre usada como um símbolo para o lugar de força, poder, honra, proteção e comunhão: leia cuidadosamente Salmos 16:8, 9, 11; Marcos 15:27; Gálatas 2:9; Êxodo 15:6. Mas a ‘mão esquerda' é um símbolo do lugar de inferioridade, desonra, tolice. ‘O coração do sábio se inclina para o lado direito, mas o do estulto, para o da esquerda' (Eclesiastes 10:2). Eúde (Juízes 3:15-22) era canhoto, e um vil assassino. Os setecentos homens de quem é falado em Juízes 20:16 eram todos canhotos, e trouxeram certa destruição quando usadas na batalha. Em Ezequiel 16:46 lemos dos religiosos da apóstata Samaria habitando à ‘mão esquerda' de Jerusalém — Sodoma como sua ‘mão direita' será exaltada acima dela: Mateus 11:20-24.
“Em conexão com Mateus 25:33 lemos em Ezequiel 34:17, ‘Eis que julgarei entre gado pequeno e gado pequeno', isto é, entre ovelhas e bodes, pois a próxima sentença adiciona ‘entre carneiros e bodes' [NT: “bode-macho”, na versão do autor]. Lendo o capítulo inteiro cuidadosamente, não há dúvida de que ‘carneiros' fala dos mestres, líderes, pastores das ovelhas; enquanto que ‘bodes' fala dos falsos profetas (2 Pedro 2:1-3), os ‘mercenários' (João 10:12, 13), que arrebatam e dispersam as ovelhas. “Um carneiro tem a mesma natureza e gosto de uma ovelha, ele é somente mais forte, e o protetor natural daquela. Um carneiro nunca ataca um homem ou um animal, exceto que ele, ou sua ovelha, seja atacado. Assim, o verdadeiro pastor somente ataca quando a honra de seu grande Pastor e de Suas ovelhas é assaltada: então, como o carneiro, ele lutará até mesmo à morte. O bode-macho tem a mesma natureza dos bodes, ele é somente mais feroz e destrutivo, e atacará sem qualquer provocação ou necessidade: assim, os falsos pastores estão constantemente fazendo ataques violentos contra a Verdade, contra Cristo e contra o Seu povo.
“Então, Eu salvarei o Meu rebanho, e elas não mais serão saqueadas; e Eu julgarei entre gado pequeno e gado pequeno' (Ezequiel 34:22). ‘Ele separará uns dos outros, como o pastor aparta dos bodes as ovelhas...e irão estes (os bodes) para o castigo eterno, porém os justos (as ovelhas), para a vida eterna' (Mateus 25:32,46).
Nota do tradutor:
* Este artigo apareceu na revista Studies in Scriptures, editada por Pink, em Dezembro de 1934.
Traduzido por:
Felipe Sabino de Araújo NetoCuiabá-MT, 13 de Março de 2005.

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