8.9.07

Crise de Vocações

Nunca houve tanta carência de lideres como nos dias de hoje. Os seminários e faculdades de teologia são frequentados por alunos que buscam apenas conhecimento ou um diploma. Poucos são aqueles que escolhem, se é que podemos dizer isso, seguir a vida servindo a Deus e aos outros, apenas tendo como única garantia de que não estarão sozinhos e que nunca serão desamparados. Vivemos tempos de seca espiritual. Reunimo-nos uns com os outros, mas será que temos nos encontrado com Deus? Cantamos bem, oramos bonito e falamos ainda melhor. Bem, sabemos muita coisa, mas será que temos experiências, testemunhos para contar? Onde está a ousadia para falar do evangelho aos desconhecidos e conhecidos, aos amados e não amados? Nós somos loucos essa é a verdade, nós somos fracos, outra verdade, ao contrário vocês são fortes e nobres, e nós desprezíveis, vocês são ricos e fartos, nós ao contrário, pobres e sem morada certa. Também nos cansamos de ser perseguidos e caluniados, mas sempre procuramos nos reconciliar, sabendo que isso não vai mudar muito a opinião geral, assim continuamos a ser considerados lixo do mundo. Por tudo isto e muito mais não desanimamos, porque sabemos, apesar de nunca termos ouvido e visto, que há algo incomparável esperando por nós.

6.9.07

Ainda o ABS

Quando o verão se aproxima, não tem como não pensar no ABS. É uma relação de mais de 30 anos. Sou saudosista e apaixonado por aquele lugar seco e agora quase nu. Os alacraus, outrora, atração principal, deram de frosques. Assim hoje já ninguém é picado, já ninguém chora, as experiências hoje são mais de nível tecnológico ou virtual. Já ninguém dá de seu tempo para limpar o mato ou plantar uma árvore, já ninguém se esforça para beber água do poço ou tomar banho no tanque. Já ninguém lava pratos, pois isso é perder tempo, afinal pagar para que outros lavem é mais fácil.Também pode impedir de assistir ao culto da noite - tretas. Até a barragem tornou-se imprópria para banhos. Hoje é muito difícil alguém aprender a nadar ou atravessar a barragem como antigamente, uma forma de exibirmos a coragem e competir uns com os outros. Outros ABS com pessoas menos sofisticadas e mais problemáticas marcaram várias gerações. A mística ruiu, o romantismo que era marca dos campistas e sua irreverência desapareceu com os mais velhos. Afinal, tudo isto é fruto da fragmentação e interesses particulares das igrejas , promovendo as "elites", desvalorizando aqueles que realmente amam o ABS e que sempre deram de si sem interesses ocultos desde o seu nascimento. Só espero é que o ABS não se torne unicamente um clube de fraternidade de irmãos, ou pior, de grupinhos que só pensam em namorar ou se divertir. Isso seria um desrespeito com tantos que alimentaram a visão de um lugar de pregação e transformação, um lugar de amizade e testemunho. Bons turnos.

5.9.07

A descoberta do Sentido e Vocação

Em nossa sociedade, muitas pessoas sofrem de falta de entusiasmo e de qualquer sentido dinâmico ou propósito em suas vidas. Durante alguns anos, lutei contra esse "mal", que nos prosta e nos leva por carreiros perigosos em busca de significado, alívio e distração. Não foram poucos os momentos em que senti a sensação de desvalor pelas coisas e a incapacidade de despertar para um expectante e excitante novo dia. Essa depressão existencial crônica provêm daquilo que Viktor Frankl descreve como um "vácuo de valores", uma frustação da "vontade de sentido" básica. A tese básica de Frankl é de que "a vida é transformada quando se descobre uma missão que vale a pena cumprir".
É neste contexto de descoberta que podemos enxergar finalmente a nossa vocação. Martinho Lutero dizia que:"Todo o crente tem uma vocação na vida porque tem uma posição e, nesta posição, ele encontra sempre oportunidade de servir". Isto serve para todas as empreitadas e caminhos que tomemos em nossas vidas. A realização completa em uma dimensão vocacional é descrita pelas palavras do apóstolo Paulo:"Combati o bom combate, completei a carreira, guardei a fé. Já agora a coroa da justiça me está guardada, a qual o Senhor, recto juiz, me dará naquele dia; e não somente a mim, mas também a todos quantos amam a sua vinda"(2Tm4;7-8). Paulo neste mundo moderno seria considerado um fanático, um doente; pois declara que todos tinham se afastado dele, inclusive alguns de seus colaboradores "Na minha primeira defesa ninguém foi a meu favor...". Terminou a sua missão sem nada, isto é vazio daquelas coisas que o homem corre atrás e, sem a companhia daqueles que nos prendem com sua amizade, interesse e amor. "Mas o senhor me assistiu e me revestiu de forças...O Senhor me livrará também de toda obra maligna e me levará salvo para o seu reino celestial. A ele, glória pelos séculos dos séculos. Amém."(v.16-18)
A falência e acúmulo de sentido juntam-se nesta vida e não mais se separam. A vitória só Jesus Cristo pode dar. Somente nele encontramos significado em nossas missões e corridas. Somente conscientes de uma missão, que precisa ser levada a cabo por nós, nos torna capazes de viver neste mundo desumano, ainda assim o nosso mundo, que serve de passagem para nossa Pátria Celestial Eterna, livre da aridez e das poeiras dos desertos, pois o rio que corre em nossa Cidade nos saciará para sempre.

13.8.07

Uma parte do meu coração

O texto a seguir não é uma homenagem nem nada desse tipo. São recordações.
Por: Renata Marques
Me lembro de quando recebi a notícia: Você vai ser tia! Fiquei animadíssima, afinal tinha 11 anos e nenhuma das minhas amigas eram tias. Isso me dava um certo status. Meu sobrinho Diego veio tirar o meu posto de “mais novinha” da família. Confesso que por vezes fiquei com ciúmes de toda a atenção dispensada àquele bebê tão fofinho (nasceu dia 16/07/87), mas até eu não conseguia me desgrudar dele que foi uma criança encantadora. Ser tia foi uma experiência marcante e eu não tinha a noção do envolvimento e dos laços que isso geraria. Me lembro de sua estranha posição de dormir (com o bum-bum para cima) e de fazer carinho entre suas sobrancelhas para que ele adormecesse. Também me lembro que gostava de pegá-lo assim que acordava já que ficava com preguicinha e dengoso. Se não me engano aos 2 anos foi para a escolinha. Desde aí já começaram a aparecer candidatas a namorada. Era muito lindo ver aquele menininho de mochila nas costas dizendo: eu estudo na escola ‘pimeiro degau’. Adorava comer brigadeiro (hábito este passado para sua irmã). Sempre foi um menino ativo mas muito sensível. Na época havia o programa infantil da Xuxa e ele chorava sempre que o programa terminava com uma musiquinha de despedida (era uma graça só). Se divertia ao ouvir uma música que dizia “Por que parou? Parou por quê?” Até tentava cantar a música ao seu jeito mas desde cedo mostrou que cantar não era seu forte. Aliás, era dono de uma desafinação totalmente herdada de sua mãe (desculpa aí Cris), mas como diz o poeta, no peito dos desafinados também bate um coração. Outro hit de sucesso na sua infância era de autoria da dupla de palhaços Atchim e Espirro, eu aproveitava para curtir também. Me recordo uma vez na casa da minha mãe que tinha um vaso de porcelana fina cheio de flores que ela gostava muito. E eu estava com ele no colo (devia ter alguns poucos meses), suas mãozinhas pegaram em uma das flores e eu não percebi. Quando vimos já era tarde demais, o vaso já estava espatifado no chão, molhando o tapete, mas ao menos a flor que estava em sua mão se salvou (acho que foi uma de suas primeiras travessuras) e eu claro fui a responsável pelo ocorrido. A bronca, e se não me engano a chinelada, sobrou para mim. Depois veio a fase super-herói. He man era seu preferido numa determinada época. O problema era a espada. Depois teve os Thunder Cats (e outra espada). Minhas canelas viviam com hematomas. Daí os heróis japoneses chegaram com seus golpes e chutes elaborados (Jaspion e Gogo five, acho eu), pobres canelas. Então o menino herói cresceu, e passou a se interessar por esportes. Futebol, natação, judô e vídeo game. Sim, podemos considerar vídeo game um esporte que exercita olhos, dedos e língua mordida. Quantas partidas importantíssimas jogadas no campo carecão da vila operária. Geralmente com minha irmã pagando o maior mico gritando na beira do campo quando alguém fazia falta no meu sobrinho. Um pouco mais crescido quis começar no surf. Até doei minha prancha de bodyboard mas, surf não era sua onda, ficou só na diversão da marola. Me lembro de ter ficado orgulhosa com sua participação no projeto botinho que teve até direito a formatura no Rio de Janeiro. Uma cena inesquecível foi quando sua irmã, Marilia, foi para a escola pela primeira vez aos 4 anos (se me lembro bem) e chorou muito. Diego já com 8 e experiente foi consolar a irmã. Deixou que ela se sentasse ao seu lado na sala de aula, deu uma beiradinha em sua própria cadeira. Daí ela parou de chorar e ficou quietinha. Achava engraçado a implicância que ele tinha com a Poppy (uma cachorrinha “gente boa” que meu cunhado tinha) e com todos os outros caninos que tem naquela casa. Não posso deixar de mencionar nossa viagem à Vila Velha, ES. Acho que ele tinha uns 9 ou 10 anos. Fomos eu, Cris, Marilia e uma amiga nossa. Viajamos de ônibus por 8 horas. Ficávamos mudando de poltrona e comendo biscoito. Teve um momento em que eu estava sentada ao lado do meu sobrinho. Acho que foi exatamente quando passávamos sobre a ponte Rio-Niterói. Ele estava animadíssimo por estar passando por essa ponte. Ele disse: Tia, me avisa quando chegar a ponte? E eu disse: Você vai saber. Depois que passou ele disse: Legal, né? Já posso dizer que passei na ponte Rio-Niterói. Daí tivemos uma conversa sobre viagem e ele disse que gostava muito de viajar e que queria viajar sempre. Na volta dessa viagem ele logo perguntou bem baixinho (era de noite): Tia, quando é que vamos viajar de novo? Depois disso fui morar no Rio e em outras cidades e nos víamos menos vezes. Mas acompanhei seu desenvolvimento por telefone e durante as férias e feriados. Fiquei sabendo o nome de cada namorada (as oficiais), os nomes dos amigos, as notas no colégio, os passeios e excursões. Por falar em colégio me lembrei que tenho uma cópia da redação que meu sobrinho escreveu e que ganhou um concurso. Minha irmã é ótima em atualizar a gente sobre sua família. O bom é que ela não é como eu, ela conta tudo em detalhes. Quando eu passeio ela me pergunta: E aí, como foi? Eu respondo: Foi legal. Já quando é ela a contar... E assim acompanhei e acompanho o dia a dia dessa família maravilhosa. Vibrei com seu primeiro emprego. Ri às gargalhadas quando ele deu 20 reais à irmã para comprar um presente de Natal para sua namorada na época e ainda pediu troco. Não ele não era mão de vaca, era econômico. Me empolguei com seu primeiro computador (até lhe ensinei alguma coisa), ele me deixava ganhar nos jogos. Seu guarda roupa estava sempre organizado e seu quarto sempre arrumadinho. Tinha essa virtude, coisa que não puxou da tia com certeza. Seus dentes, impecáveis, nunca souberam o que era uma cárie. Também tinha seus defeitos, mas no momento não consigo me lembrar deles. Tinha um sonho, ser cardiologista. Estudou bastante e conseguiu passar no vestibular e se matriculou na faculdade de medicina. Me alegrei com esse feito como se eu mesma fosse estudar. Isso não é tudo, mas é o que consegui digitar sem pensar muito em alguns minutos. Porque se eu for parar para lembrar, daí não vai ter espaço nesse blog. Tudo o que escrevi foi só para que fique registrado nesse mar de informações que é a internet algumas lembranças minhas do meu querido sobrinho Diego que sofreu um acidente fatal em 28/07/07, aos 20 anos. Não é tudo o que lembro, só uma pequena pincelada sem ordem cronológica e sem a preocupação de relatar algum fato em particular com precisão. Tenho outros sobrinhos também queridos e amados, numa outra oportunidade vou falar sobre eles. Só figuras. É muito bom ser tia de cada um deles. Estão todos sempre nas orações da minha família.
Queria poder digitar com a mesma rapidez com que me recordo das coisas.





12.8.07

Momento de orgulhos e nacionalismos

No sábado, fui na quadra de futsal brincar com a Sofia. Logo, aparecem uns garotos com uma bola de borracha que parecia um melão. Achava que não existia dessas bolas nos dias de hoje. Mas, lá estava ela, sem jeito chamando por mim, e eu fui. Comecei a trocar uns toques com aqueles miúdos e com um olho na Sofia. Às tantas, um deles começa a imaginar que é Cristiano Ronaldo, os outros imitam-no. Então perguntei a um deles - Você sabe que O C.R é português? E eu também sou...

4.8.07

Controvérsias do Ser

Muitas pessoas acham que ser cristão evangélico é extremamente difícil, por isso decartam completamente essa idéia. Elas vêem os cristãos como seres extra terrestres (e de facto o são), dominados por leis e presos a pactos misteriosos. Para eles os cristãos evangélicos ou são doidos ou interesseiros. Mas também existem aqueles, que tendo alguma educação evangélica, mas por vários motivos se desencantaram, reconhecem que a grande maioria são honestos e sinceros na sua fé e prática cristã.
De facto um cristão aos moldes bíblicos, como todos nós evangélicos ansiamos e procuramos ser, além de ser difícil é raro encontrar nos dias de hoje. Já não são vistos como ET,s, mas espécies em via de extinção. Este século deu a volta na maioria dos cristãos evangélicos, tornando-os fragmentados em milhares de denominações e credos. Cada vez mais a Unidade do Corpo e no Corpo é uma conquista adiada, visto que a cultura desta época não permite. A diversidade e relativismo assume o papel de condutor das massas cinzentas.
Ser cristão é cada vez mais difícil, até porque renunciar a nós mesmos e ao pensamento deste século, implica perder muito do que amamos. "Olhar para Jesus Autor e Consumador da nossa Fé", passa a ser uma miragem. Os alvos a atingir são outros, mais concretos, menos abstractos. Ser cristão não é (como pensam alguns), não beber; não fumar; não participar das rodas; não vestir deste e daquele jeito; usar de vocabulário pesado; ir além no namoro e etc. O não praticar isto e muito mais são sinais evidentes do trabalho do Espirito Santo "Aquele que começou boa obra em vós há de completá-la até ao Dia de Cristo Jesus". No entanto, ser cristão, nesta época e em todas as épocas tem haver com compromisso e amor. Um amor mais alto, que nos move não em direção a nós mas em direção a Cristo. Na esperança de não sermos confundidos e alcançarmos a perfeição. A perfeição que é nada menos que o conhecimento sublime de nosso Senhor Jesus Cristo. Sem a visão da cruz, sem o entendimento da ressureição e nossa vocação, ficamos a mercê deste mundo que nos pressiona a desistir, pois ser um cristão verdadeiro é "Amar a Deus acima de tudo e ao próximo como a nós mesmos", nisto se resume toda a lei e os profetas. E isso é tudo o que temos de ser.

17.7.07

A velhice e a culpa

Atravessando os campos do passado ele me aparece. Um garotinho que acabou de brincar; o menino que fui. Ele me sorri tão esperançosamente, depois que entra em mim.
Que é como se desejasse ver como eu poderia ter sido.

16.7.07

Num mundo roto e rasgado,
vivo eu e você,
buscando algo além dum botão em flor,
vai ver que é o amor,
mas esse amor tem as suas próprias exigências...

7.7.07


Alguns irmãos na porta da igreja.

João com 4 meses

Passeio de sábado

Sofia com quase dois anos

24.6.07

Rev. João Arantes Costa



Neste domingo, tivemos a honra de ter em nossa igreja o pastor João Arantes Costa como pregador. Texto do sermão, Mt15:21-28. Título A fé teimosa.

7.6.07

Olhando para Nós curando os Outros

Nossas igrejas estão repletas de "experts" da vida alheia, porém são poucos os que sabem da sua própria vida. É muito comum encontrarmos "profecias" sobre a vida dos outros, mas são poucos os profetas que olham e conhecem o seu próprio coração. Os moralistas mais intolerantes e implacáveis no seu julgamento e condenação para com o próximo geralmente carregam alguma tara ou desvio moral inconfessado. Não gostamos de nos confrontar com o nosso pecado, então fazemo-lo com os outros. O apóstolo Tiago escreve: "Confessai , pois, os vossos pecados uns aos outros, e orai uns pelos os outros, para serdes curados. Muito pode, por sua eficácia, a súplica do justo"(Tg5:16). Eis a solução para os doentes de nossa igreja. No entanto, falta coragem para por em prática esse tipo de intimidade uns com outros, a não confiança no nosso irmão tem nos levado a sofrer sozinhos, a perder a possibilidade de cura, para tantos males (físicos e espirituais) que nos têm assolado. Seria bom que cada um de nós se interessasse pelos outros apenas para ser ajuda e benção.

3.6.07

Responda

Qual o sistema de governo na Bíblia para a igreja? Será que dos três conhecidos (presbiteriano, congregacional, episcopal), haverá um que deveria ser adotado por todas as igrejas evangélicas de origem reformada? Ou esse sistema a ser adotado tem muito a ver com a cultura, contexto...?

2.6.07

Renúncia

Se alguém quer vir após mim, a si mesmo se negue, tome a sua cruz e siga-me.(Mt16:24)
Se existem palavras fora de moda, "Renúncia" é uma delas. Talvez por isso sejam as mais importantes a serem ditas nos dias de hoje. Esta época em que vivemos cheia de ofertas, de produtos para todos e gostos, de tentações e apelos à carne, de futilidades que se gastam e se perdem com o tempo - coloca-nos na retaguarda. Não estamos vivendo uma "vida em abundância", paralela à mente de Cristo", mas convivendo ao lado deste mundo, absorvendo muito de suas idéias, suas expectativas, correndo atrás da satisfação imediata, dos prazeres e conforto deste século.
Renunciar a tantas coisas que nos atrai e nos alegra mesmo que por um instante, é extremamente difícil nos dias de hoje. Contudo, experimentar "a perfeita e agradável vontade de Deus" em nossas vidas passa por rejeitar uma porção dessas coisas. Compete a nós, na travessia deste deserto, onde somos moldados e forjados por Deus, baixarmos os braços, nos rendendo a Ele e assim deixarmo-nos refazer do jeito que Ele quer. Pode levar quarenta anos, porém, Ele completará essa obra que Ele mesmo prometeu em sua Palavra.(Fl1:6)

29.5.07

Ao deitar...

Cada um pensa de si sempre algo mais, ou menos do que é. Cá pra mim, acho que não passo de um sedento. Preciso de abrir o meu coração com Deus todos os dias e cantar canções de nostalgia e de esperança. Os problemas dos outros e minhas ansiedades, ocupam demais os meus pensamentos. Já não sei para onde vou. O deserto é o meu refúgio e a minha solução. Talvez aqui apareça uma fonte, um oásis. Finalmente, debaixo de uma árvore posso olhar o céu como ele é. A corça suspira por correntes e eu por Deus.

28.5.07

Antes de ser Pai

Antes de ser pai eu fazia e comia os alimentos ainda quentes.
Eu não tinha roupas manchadas.
Eu tinha calmas conversas ao telefone.
Antes de ser pai eu via os jogos de futebol de início ao fim
Antes de ser pai eu dormia o quanto eu queria e nunca me preocupava com a hora de ir para a cama.
Antes de ser pai eu almoçava nas calmas
Antes de ser pai eu não inventava histórias (excepto para adultos)
Eu não tropeçava em brinquedos nem pensava em canções de embalar.
Antes de ser pai eu não me preocupava se as plantas eram venenosas ou não.
Imunizações e vacinas eram coisas em que eu não pensava.
Antes de ser pai ninguém vomitou nem fez xixi em mim.
Eu nunca chorei olhando pequeninos olhos que choravam.
Eu nunca fiquei gloriosamente feliz com uma simples risadinha.
Eu nunca fiquei sentado horas e horas olhando um bebê dormindo.
Eu nunca senti meu coração se despedaçar quando não pude estancar uma dor.
Eu nunca imaginei que uma coisinha tão pequenina pudesse mudar tanto a minha vida.
Eu nunca imaginei que pudesse amar alguém tanto assim.
Eu não sabia que eu adoraria ser pai.
Eu não conhecia esse laço que existe entre pai e a sua criança.
Eu não imaginava que algo tão pequenino pudesse fazer-me sentir tão importante.
Antes de ser pai eu nunca me levantei à noite a cada 10 minutos para me certificar de que tudo estava bem.
Nunca pude imaginar o calor, a alegria, o amor, a dor e a satisfação de ser um pai..
Obrigado Pai por permitir-me ser pai, ainda que imperfeito!

19.5.07

NINGUÉM PERCEBERÁ

"Nos Alpes italianos existia um pequeno vilarejo que se dedicava ao cultivo de uvas para produção de vinho. Uma vez por ano, lá ocorria uma festa para comemorar o sucesso da colheita. A tradição exigia que, nesta festa, cada morador do vilarejo trouxesse uma garrafa de seu melhor vinho, pra colocar dentro de um grande barril que ficava na praça central.
Entretanto um dos moradores pensou: "Porque deverei levar uma garrafa do meu mais puro vinho ? Levarei uma cheia de água, pois no meio de tanto vinho o meu não fará falta". Assim pensou e assim fez.
No auge dos acontecimentos, como era de costume, todos se reuniram na praça, cada um com sua caneca, para pegar uma porção daquele vinho, cuja fama se estendia além das fronteiras do país. Contudo, ao abrir a torneira do barril, um silêncio tomou conta da multidão. Daquele barril saiu apenas água... Mas, como isso aconteceu? Porque todos pensaram como aquele morador: "A ausência da minha parte não fará falta".
Nós somos muitas vezes conduzidos a pensar: "essa Igreja tem tanta gente que se eu não fizer a minha parte ninguém notará". Ou: "se eu faltar, ninguém perceberá".
Como seria o culto se Domingo, "só hoje", todos resolvessem ficar em casa? Como a Igreja pagaria as contas se esse mês, "só esse mês", todos resolvessem não contribuir? O que aconteceria se todos pensassem que não fazem falta e pedissem transferência para outra Igreja?
Se pararmos pra pensar direitinho, veremos que a Igreja só tem o que a gente dá, só faz o que a gente faz e só é o que a gente é...
Você ainda acha que ninguém perceberá???
(extraído)

Restos de Memórias

Lembro-me das tardes de inverno no 2º andar do prédio onde nasci e vivi uma década. Na varanda larga dava para ver uma eira, uma casa em ruínas, umas oliveiras à beira da morte e uma figueira despenada. Sempre tinha uns putos jogando berlinde ou dando chutes com uma bola de borracha contra as paredes do prédio do Pernas. A minha esperança naqueles dias cinzentos resumia-se à chance do céu se abrir e assim poder convencer a minha mãe a me deixar sair. Às vezes o milagre acontecia. Descia as escadas sem tocar no chão, cantando e assobiando, fazendo os vizinhos lançar alguns palavrões - eles tinham razão, trabalhavam por turnos. Lá fora as opções eram muitas, bola, peão, berlinde, ferro, brincar aos cowboys ou simplesmente ficar à toa andando pela quinta imaginando um monte de possibilidades heróicas. O tempo demorava a passar ao contrário do tempo de agora. Dias cinzentos de grandes expectativas, quase iguais aos de hoje – muitos sonhos e a mesma esperança, isto é, que o céu em algum momento iria se descobrir.

17.5.07

O EVANGELHO MALTRAPILHO de Brennan Manning

Li o livro e fiquei impressionado com o conhecimento e experiência que Manning, ex-alcólatra, teve com a Graça de Deus. Se existe alguém hoje no meio evangélico que pode escrever sobre a doutrina da Graça é este homem. O evangelho maltrapilho foi escrito para um público específico em mente - como ele próprio diz: não para superespirituais, nem para cristãos musculosos que têm John Wayne como herói, e não Jesus. Também sequer para acadêmicos que aprisionam Jesus na torre de marfim da exegese. Tão pouco para gente barulhenta e bonachona que manipula o cristianismo a ponto de torná-lo um simples apelo ao emocionalismo. Não é para místicos de capuz que querem mágica na sua religião. Não é para cristãos ”aleluia”, que vivem apenas no alto da montanha e nunca visitaram o vale da desolação. Não é para os destemidos que nunca derramaram lágrimas. Não é para os zelotes ardentes que se gabem como o jovem rico dos Evangelhos: “Guardo todos esses mandamentos desde a minha juventude”. Não é para os complacentes, que ostentam sobre os ombros um sacolão de honras, diplomas e boas obras, crendo que efectivamente chegaram lá. Não é para legalistas, que preferem entregar o controle da alma a regras a viver em união com Jesus.

Manning escreve para os dilapidados, os derrotados e os exauridos. Pessoas sobrecarregadas que vivem ainda mudando o peso da mala de uma mão para a outra. Aquelas pessoas vacilantes e de joelhos fracas, que sabem que não se bastam de forma alguma e são orgulhosos demais para aceitar a esmola da graça admirável. É para os discípulos inconsistentes e instáveis cuja azeitona vive caindo fora da empada. É para homens e mulheres pobres, fracos e pecaminosos com falhas hereditárias e talentos limitados. É para os vasos de barro que arrastam pés de argila. É para gente inteligente que sabe que é estúpida, e para discípulos honestos que admitem que são canalhas. Este livro é no final das contas para gente que ao longo do caminho ficou cansada e desencorajada.

14.5.07

Hábitos in-conscientes

O que tem chamado a minha atenção nestes dias é o costume de “ir à igreja”. Penso que este vai e vem leva conscientemente as pessoas a fazer uma pergunta: ”O que é que eu vou ganhar com isso?” O grande problema dos evangélicos não é tanto a falta de organização, visão estratégica ou liturgia, formas ou meios de expressão e aproximação. O problema fundamental de hoje é que Deus pesa pouco demais sobre a igreja. As nossas reuniões parecem ser apenas encontros sociais onde nos encontramos uns com os outros (quando isso acontece!) menos com Deus. “Ir à igreja” para muitos é meramente um programa que tem como fim o de nos fazer sentir bem. Deus passa a ser apenas Aquele que nos dá coisas, uma espécie de “amigão”, que nos ajuda e nos acaricia quando estamos chateados da vida. O Deus da Bíblia ao contrário nos chama a levantar uma cruz a cada dia e a carregá-la para seguir a Cristo. Por outro lado, as preocupações dominantes hoje é a construção de templos maiores, cada vez maiores, e ministérios cada vez mais grandiosos. O amor próprio parece estar acima da obra de Deus. Obra que deve ser realizada em obediência a Ele - doa a quem doer. É preciso haver Homens, que tenham coragem e sejam fiéis à sua missão...

6.3.07

Nasceu

O João Francisco nasceu no dia 5 faltando 2 minutos para a meia -noite. Parto normal. 3,600 Kg e qualquer coisa. A Renata foi brava e resistiu às dores e à tentação de uma cesariana. Estamos felizes e gratos ao nosso Deus que nos tem abençoado rica e poderosamente. O nome é uma homenagem ao avô João e avô Francisco. Solo a Deo Glória

3.3.07

Violência e Graça

Viver no Rio de Janeiro é estar acostumado a assaltos, sequestros, assassinatos, crimes hediondos, balas perdidas de policiais mal preparados, motoristas de ônibus cheios de cachaça dirigindo a altas velocidades na Avenida Brasil. A gente está anestesiada - fingindo que não é verdade. A corrupção das instituições e descrédito é coisa do passado, ninguém liga mais para isso. Não há nada a fazer, dizem. As igrejas fecham-se em copas. Os sermões são quase sempre positivos para levantar a auto-estima e com isso garantir casa cheia. Bem, fazer o quê?
Alguém disse que a igreja não é um museu para santos, mas um hospital para doentes, no entanto, a constatação é que os hospitais não existem, nem os santos. Mas os doentes aonde estão? Que adianta dizer que existe 40 milhões de evangélicos no Brasil se esses não são capazes de tornar esta nação mais santa, mais justa, menos violenta? A história da igreja conta-nos que uns poucos homens santos conseguiram derrubar sistemas e reconstruir seus países firmados apenas na Graça de Deus e não em seus méritos. A maioria de nós passa a maior parte do tempo pedindo a Deus que nos ajude a ajudar-nos. Esquecemos a graça e alinhamos pelo pensamento pelagiano, que infelizmente tomou conta da maioria das igrejas brasileiras. Assim derrotados, pelas desuniões e interesses particulares, a violência e falsidade acabam por nos iludir de que é isso mesmo e que eu tenho é que olhar por mim e pelos meus e o resto não me diz respeito, até porque sou impotente diante do tamanho do monstro que nos abafa e mata.

17.2.07

Kierkegaard

Este homem considerava-se apenas um "poeta cristão". com isso, talvez quisesse dizer que estava muito aquém do que deve ser um verdadeiro cristão. Como todos nós, ele estava lutando por alcançar aquele alvo verdadeiro. Ele próprio falou: O que eu realmente preciso é esclarecer para mim o que devo fazer, e não aquilo que devo saber, a não ser na medida em que o conhecimento precede toda ação. O que importa é encontrar um propósito, saber aquilo que Deus realmente quer que eu faça; o fundamental é encontrar a verdade que é a verdade para mim, encontrar a idéia pela qual vou viver e morrer....É disso que preciso para poder levar uma vida plenamente humana e não apenas uma vida de conhecimento...É disso que preciso e é isso que busco.

10.2.07

Meditações do dia

Hoje somos mais cautelosos em relação a novas amizades, na verdade muitas de nossas amizades são interesseiras. Fazemos amizades buscando alguma vantagem. Não é comum fazermos amizades com pessoas pobres e problemáticas, essas pouco ou nada têm para nos oferecer. Quando conhecemos outra pessoa queremos saber em primeiro lugar o que ela faz e, se a profissão não for compatível com o nosso padrão, simplesmente a descartamos.
Amar é mais do que simplesmente dar esmola ou compreender os dramas e chorar. Amar é poder não dizer nada e não precisar de nada.
Na Bíblia e para o judeu, a hospitalidade assume importância vital para a construção de famílias e comunidades sadias.
Hoje perdemos muito, por que não sabemos mais conversar de modo aceitar as diferenças como forma de crescimento mútuo ao nível do raciocínio e identificação colectiva. Somos na maioria das vezes alienígenas usando roupa da mesma marca.
Creio que um grande desafio é procurarmos ser autênticos, pacientes e esperançosos em relação aos outros, no que diz respeito às suas idéias e posições.

27.1.07

Que calor!

De férias em Vila velha (ES) e me preparando para a 49º Assembléia geral dos congregacionais em Guarapari (ES). Os dias são integralmente preenchidos a tomar conta da Sofia e a tentar acompanhar na medida do possível as suas brincadeiras e travessuras. A Renata está com uma barriga que não é brincadeira - mais um mês e...

Vidas banais

Será que podemos avaliar uma pessoa pela sua produtividade? Será que podemos medir os outros por aquilo que eles fazem? Quem pode dizer que controla sua vida, suas decisões, seu destino?
Quanto mais vivo menos sei a respeito. Talvez não tenha frequentado, ou vivido aquela escola em que os homens são forjados para serem vencedores - conquistadores. Ouço falar há muito tempo, que existem caminhos que devem ser trilhados, isto é, rotas que nos levam ao sucesso e independência. Se assim é, devo ser um fracasso completo, um rebelde inconformado. Nunca consegui encontrar essas estradas ao contrário os labirintos e os becos sempre acabavam por me atrair. Olhando agora de longe as curvas percorridas, vejo a mão de Deus me carregando, os anjos, ministros ao serviço dos santos, me protegendo e enviando inúmeros sinais de sua dedicação. Os caminhos que andamos e insistimos em andar, que aos olhos da sociedade não passam de caminhos maus, são transformados em algum lugar da história em caminhos de conquista e vitória. Deus é o Único que pode fazer isso.
O senso de impotência e indiferença nos dias de hoje é algo assustador. Achamos que não podemos fazer nada pelo o outro, pois nos ultrapassa, não temos nada a ver com isso, cada um escolhe seu caminho, dizemos nós. E a verdade é que perdemos a oportunidade de experimentar um pequeno vislumbre do amor de Deus.
Uma vida banal aos olhos de quem? Do mundo? Da sociedade? Da família?
Tenho sentido que a maioria de nós somos como aqueles que passaram do outro lado da estrada e fingiram que não viram aquele que estava prostado. Deus sempre nos conduzirá para estradas e becos que não queremos, não para sair de lá doentes, mas, extraordinariamente deslumbrados, abençoados com o que lá vimos e sentimos. Viver e morrer, sem ter a experiência de ajudar alguém a levantar-se, de ser instrumento de cura e libertação, de ser um "samaritano", pode no final da vida nos entristecer. Olhemos o outro lado da estrada, há sempre alguém que espera por nós, pode até ser um anjo que precisa de ser hospedado.

18.1.07

Muito mais que um comentário!

Caríssimo Pr. Daniel:

Frágil mas de forma determinada, apego-me às palavras que escreve que, por intuição, sei que se inspiram na Palavra.É muito difícil enfrentar qualquer desgosto, qualquer sofrimento, mesmo que tenhamos convicção de nossa finitude. Hesitamos, vergamo-nos ao peso da dor e às vezes, no meu caso, lastimamos até mais por aqueles que amamos e que talvez nos amem e se vejam impotentes para nos retirar o "espinho da carne".Eu estou aqui para dizer que apreciei muito tudo o que li.Torno-me a partir de agora uma sua leitora contumaz, assim meu estado de saúde o permita.Agradecida por tudo!Mas não tenho coragem de pedir, para mim, nada... Apenas que me restaure algo que que perdi e que, agora, sinto que me faz muita falta: a capacidade de voltar a crer, aprender a acreditar.Há um versículo em Isaías (41:10) de que gosto muito.A Vida já me parece tão difícil sem doenças, não acha? Aconteça o que acontecer, é pensando nele, que agradeço todas as vossas orações.Muito obrigada por tudo. A todos. Paz!

15.1.07

Até breve

Amigos, estou sem computador! Vou estar de volta para o dia 4 de fevereiro. Estarei 15 dias de férias no estado do Espírito Santo (Vila Velha). Também estarei participando da Assembléia Geral dos congregacionais em Guarapari. Um abraço para todos.

24.12.06

Passando ao lado do Natal

Todos nós sabemos que o mundo gira em torno do lucro. Que são as grandes empresas com forte investimento na publicidade, que determinam o consumo de produtos, cujo as marcas e rótulos provocam a euforia e a ânsia de ter. Nestes últimos tempos reacende-se o humanismo materialista, o qual tem invadido a Igreja promovendo a oferta de produtos retóricos: teorias de prosperidade ao invés de salvação eterna; saúde; realização profissional e afectiva. Foram criadas terapias do amor, de cura e libertações para todo o tipo de males. O mercado está aberto. A soberania humana ao invés da divina tem tornado o homem uma espécie de empresário de Deus, para programar suas actividades, marcando-lhe dia e hora para a realização de tal ou qual milagre - e muita gente vai na onda. Calvino disse:"O mundo preferiu, e sempre preferirá, as especulações que apresentam engenhosidade, à sólida doutrina". Assim, a busca pelo o extrordinário, o dinâmico o emocional, assume destaque na agenda evangélica de nossos dias, as pessoas querem e exigem sentir-se bem e distraídas. Deus tornou-se um bom negócio, os vendedores abundam procurando estratégias para cativar seus clientes. Para aqueles que pregam a verdade bíblica e cujo o interesse é chamar os eleitos a ouvir essas verdades, o mercado está em baixa. Estes tipos que começam a serem raros, são vistos com desconfiança, não fazem parte do mercado, são antiquados, tradicionais, ortodoxos, puritanos, termos usados negativamente com o objectivo subtil de eliminar a concorrência. Resta a estes que ainda não foram seduzidos pelo o mercado pedir a Deus coragem e determinação, sabedoria, discernimento e acima de tudo fidelidade à Palavra de Deus. No dizer de Paulo parece que Deus nos colocou em último lugar, nos esforçamos e nada acontece, considerados muitas vezes insignificantes e descartáveis. Um certo cristão afirmou uma vez:"Quando eu nasci, todos riam, enquanto eu chorava. No dia da minha morte, dar-se-á o contrário, pois todos chorarão, e eu sorrirei".Afinal o drama acaba bem. Glória e Honra e Toda Adoração seja dada somente a TI SENHOR DEUS.

Morte e Glória de João Calvino

Na véspera do Natal de 1559, quando pregava na Igreja de São Pedro, abarrotada de gente, Calvino teve de forçar a voz. No dia seguinte, atacou-o uma tosse violenta e começou a escarrar sangue. O médico diagnosticou-lhe uma doença contra a qual ainda não existia nenhuma arma: a tuberculose. O enfermo tinha apenas cinqüenta anos, e o seu caso não teria sido desesperado se o seu organismo, atacado desde há muito tempo por muitos inimigos, desgastados pelo trabalho e pelas preocupações, não fosse na realidade, o de um velho precoce - o velho cuja máscara trazia. Despertados pelo novo abalo, todos os males que já lhe eram familiares lançaram-se ao ataque: pulmões, rins, intestinos, encéfalo e até os braços e as pernas. Dentro em breve, não houve uma única parte desse organismo que não fosse motivo e foco de dores terríveis.Calvino suportaria essa provação durante cinco anos, com uma coragem física e uma firmeza admiráveis. Torturado pelas cólicas, pela febre e pela gota, nem por isso deixou de dar prosseguimento aos seus trabalhos, à sua correspondência, aos seus livros e mesmo à sua pregação, que no entanto lhe exigia um esforço sobre-humano. Nos dias em que não podia manter-se em pé, pregava sentado, e, se não conseguia andar, dois homens o levavam à igreja numa cadeira. Por vezes, as dores eram tão fortes que o ouviam murmurar, como numa prece a pedir a libertação: "Até quando, Senhor, até quando?"Perante a morte que via aproximar-se, mostrou-se o que sempre fora: lúcido, firme e reservado. Nem uma só vez deixou transparecer temor ou fraqueza. Segundo um plano traçado com a sua lógica costumeira, fez o seu testamento e recebeu, uns após outros, os corpos constituídos da cidade, desde o Pequeno Conselho até os pastores. A estes, fez um longo e minucioso discurso, em que resumiu com fórmulas incisivas toda a sua obra, nesse tom de sincera humildade e tranqüilo orgulho que fazia parte do seu modo de ser. Convidou os seus colegas a mostrar~se firmes e vigilantes para com essa "nação perversa e má" que lhes estava confiada, e concluiu afirmando-lhes que não tivera outro desígnio sobre a terra senão ser-vir a glória de Deus. Parecia ter ditado ali o seu testamento espiritual.No entanto, a morte concedeu-lhe um novo adiamento. Farel teve tempo de vir vê-lo pela última vez. E ele próprio, o moribundo - o seu aspecto era já o de um cadáver -, sabendo que, de acordo com a legislação eclesiástica por ele estabelecida, a reunião das "censuras" trimestrais recaía no dia 19 de maio, ordenou que o levassem até lá para participar pela última vez dessa fraternal acusação de culpas. Humildemente, foi o primeiro a sub­meter-se à censura e a deixar que lhe referissem os seus defeitos: Ira, teimosia, crueldade e orgulho". Depois, com a voz ofegante, cortada sem cessar por acessos de tosse, falou durante duas horas, prevenindo os seus ouvintes contra as más inclinações. A seguir, elevando-se aos grandes princípios, comentou apaixonadamente o Evangelho.Foi esse o seu último ato público, e o esforço exigido deixou-o esgotado. No dia seguinte, sobreveio nova expectoração sangüínea. Não abandonou mais o leito e falava com dificuldade, exceto para murmurar as suas orações. Ouviam-no dizer várias vezes: "Senhor, tu me esmagas, mas para mim é suficiente que seja pela tua mão". Ninguém o viu entregar a alma ao Criador, calmamente, em 27 de maio de 1564, por volta das oito da noite. De acordo com a vontade que manifestara no testamento, envolveram-lhe o corpo num grosseiro pano cru e depositaram-no num caixão de pinho semelhante àqueles com que se enterravam os pobres. Sem discurso e sem cantos, foi conduzido por uma imensa multidão ao cemitério de Plainpalais. Não se erigiu nenhum monumento sobre o túmulo, nem mesmo uma cruz ou a menor pedra. Assim desejara ele regressar ao pó, no anonimato e no silêncio. E ninguém pode hoje indicar com certeza o lugar onde jaz João Calvino.Poucos homens, no entanto, deixaram sobre a terra um rastro tão profundo. Quem poderá negar a sua grandeza? Semeou grandes idéias, realizou grandes coisas e determinou grandes acontecimentos. A história não teria sido tal como foi se ele não tivesse vivido, pensado e agido com a sua vontade implacável. Perto de cinqüenta milhões de cristãos seguem hoje os seus ensinamentos, dos quais quarenta e um entre os reformados e os presbiterianos, e cinco entre os congregacionalistas. Talvez não haja nenhum setor do protestantismo onde não se possa encontrar alguma moeda do seu tesouro. Mas reconheceria ele como seus herdeiros aqueles que fazem profissão de prolongar a sua mensagem e que, no entanto, na sua quase totalidade, abandonaram a tese a que ele se apegava mais do que à vida - a predestinação - e muitas vezes deixaram deslizar a sua mensagem de fogo para uma espécie de sentimentalismo igualitário e moralizador? Essa é uma outra questão. Não resta qualquer dúvida, porém, de que a sua influência foi determinante, até no desenvolvimento do capitalismo, da democracia e do socialismo... Calvino pertence incontestavelmente ao pequeníssimo grupo de mestres que, no decorrer dos séculos, moldaram com as suas mãos o destino do mundo.Não é fácil julgar um homem de tal calibre; só o pode fazer Aquele que "sonda os rins e os corações". Por isso, as opiniões a seu respeito têm sido sempre contraditórias; Michelet exaltava sem medida a sua obra Iibertadora"; Renan via nele um banal ambicioso obstinado. Podemos fazer coro com os seus partidários e admirar o seu gênio, a sua acuidade na apreensão dos grandes problemas e o seu poder de síntese e organização. Podemos mesmo admitir essa espécie de sedução fria que, como todos os grandes espíritos, exerce sobre os que gostam das idéias longamente perscrutadas e perfeitamente expressas. E seria cometer uma enorme injustiça não reconhecer o seu ardente zelo por Deus, a sua paixão por conquistar almas, a seriedade trágica com que sempre encarou a sua vocação e o seu indefectível sentido do dever. Mas como podemos deixar de notar que faltaram a essa personalidade excepcional as duas virtudes essencialmente cristãs que deveria tê-la modelado? A humildade verdadeira, não só perante Deus, mas também perante os homens, essa humildade que um dia haveria de levar São Vicente de Paulo a lançar-se de joelhos aos pés de um transeunte que acabara de esbofeteá-lo; e a bondade verdadeira, que sabe amar os homens apesar da sua abjeção, por causa da sua abjeção, e que toda a falta sempre encontra propensa à misericórdia. Perfeito leitor do Evangelho, Calvino teria compreendido os seus dois mais belos preceitos? Que é preciso ser o último na extremidade da mesa e que é necessário amar os inimigos?...As opiniões divergem também quanto ao seu papel histórico. "Calvino é o primeiro destruidor do protestantismo autêntico", diz um". "O calvinismo salvou o protestantismo", diz outro. As duas opiniões são simultaneamente verdadeiras. É verdade que Calvino empurrou o protestantismo para longe das suas bases e para fins que Lutero não desejara. Mas os rumos que o monge de Wittenberg queria tomar não desembocariam nos impasses da anarquia ou da submissão aos Estados? O protestantismo ficou a dever a Calvino a sua ordem, a sua fé comum, os seus quadros, os seus métodos, e também esse ar grave e respeitável, mais do que amável, que se lhe reconhece. Deveu-lhe um novo tipo de homem religioso.Mas Calvino foi sobretudo o homem da ruptura decisiva, e é neste ponto, mais do que em qualquer outro, que um católico não pode deixar de sentir horror por ele. Muito mais do que Lutero, empenhou-se com uma espécie de rigor luciferino em levantar uma muralha intransponível, ou um abismo, entre a Igreja que lhe dera o batismo e aquela que ele queria "erigir". Que o seu papel, dialeticamente, tenha podido ser afinal de contas favorável aos desígnios da Providência - como o do seu predecessor -, e que o terrível raio com que ele feriu a cristandade tenha acabado por provocar nela o grande despertar, é uma verdade incontestável, mas nem por isso desculpa a sua falta. Depois dele, toda a esperança de recosturar os pedaços da Túnica inconsútil, tão horrivelmente dilacerada, se desfez durante séculos. Tal é, em última análise, o significado que se desprende desta vida humana e desta mensagem; tal foi o êxito de João Calvino.

Sobre o autor: Daniel-Rops, da Academia Francesa, autor católico-romano, escritor de "História da Igreja" em 10 Volumes. O excerto encontra-se no Volume IV, "A História da Renascença e da Reforma (1)", pgs. 419-422, Ed. Quadrante - 1996.

Fontewww.monergismo.comEste site da web é uma realização deFelipe Sabino de Araújo Neto®

17.12.06

Somente 42

Agradeço a todos que se lembraram de mim neste dia em que completei 42 anos. Muitos tentaram me contactar, mas os telefones por aqui estiveram mudos o dia inteiro. Agradeço a Deus pelas suas misericórdias.

2.12.06

Deus tem um plano para você

Estamos chegando ao final de 2006. A pergunta que temos que fazer é: O que eu estive fazendo este ano todo? Será que Deus se agradou da minha postura, do meu desempenho? A obra de Deus é o que interessa. Este mundo é de Deus. E tudo o que Deus quer, é que através das pregações, do ensino sistemático da Palavra, dos relacionamentos e comunhão, possamos ser despertados para este Plano Maior, obra de Deus, vindicando seus propósitos, sendo glorificado neste cosmos pecaminoso e desordenado. Deus reina, Ele é Senhor dos acontecimentos e executa seu propósito eterno, através do trôpego serviço do seu povo. Agora, nós podemos desprezar ou rejeitar os planos de Deus, mas não podemos escapar deles. A sua exortação a nós é aquela de Elifaz a Jó: “Une-te, pois, a Deus, e tem paz, e, assim, te sobrevirá o bem” (Jó 22.21). No entanto, qual a principal finalidade de Deus em suas relações com seus filhos? A Bíblia indica que é a glória do próprio Deus. Sua finalidade em remir o homem, é “para louvor da sua glória”. Ele não existe por nossa causa, mas nós pela dEle. Deleitar-se a si mesmo é a natureza e a prerrogativa de Deus, “Aquietai-vos”, diz Ele, “e sabei que eu sou Deus; serei exaltado entre as nações; serei exaltado sobre a terra” (Sl 46.10). O que você tem andado a fazer e a pensar? Tem procurado algo que não é para si? Tem perdido a reverência e especulado sobre Deus? Falando coisas que Ele não disse - coisas que Ele não revelou? Um dia perguntaram a Agostinho: “O que Deus estava fazendo antes de criar o mundo?” A réplica foi: “Estava preparando o inferno para pessoas que fazem perguntas desse tipo”. Meu irmão acorde! A razão de tudo, no final das contas, não somos nós mas o nosso Deus, que é Santo , três vezes Santo. “Toda a terra está cheia de sua glória”. E agora em 2007? Você vai continuar preso às banalidades, às coisas triviais do dia a dia? Ou buscar o Senhor de todo o seu coração, aprendendo a amá-Lo e conhecer a sua vontade, conhecer o seu lugar, em Seu propósito para si? Que neste final de ano, possamos nascer para um ano novo, de amizade e submissão com nosso querido Pai Celestial. Feliz natal e muitas bênçãos espirituais para o ano de 2007.

23.11.06

Para onde Senhor?

Quando Deus chamou Abraão e lhe disse para ir para uma terra que ele desconhecia, Deus deu-lhe uma única ordem:" Sê tu uma bênção" (Gn 12:2). Nos dias de hoje é comum vermos pessoas andarem de igreja em igreja em busca de bênçãos. Pode ser a busca frenética pela cura de alguma enfermidade, pode ser a busca de realização profissional ou prosperidade financeira, pode ser o pedido de libertação de vícios ou opressão psicológica. Sabemos pela experiência que o homem muitas vezes passa por dor e sofrimento por ignorar a vontade de Deus ou simplesmente não aceitar essa vontade. Por outo lado, também acontece que Deus em seus sábios planos nos leva por caminhos que jamais andaríamos, e aí, nos mostrar algo maravilhoso de Seu poder e graça. Seja como for, o nosso chamado individual é ser uma bênção. Fazemos parte de uma sociedade nova que está sendo criada em Jesus Cristo que se relaciona através de gestos e afectos. Ao invés de procurarmos bênçãos devemos ser bênção. Os nossos problemas ofuscam os problemas dos outros.Tornamos as nossa vidas áridas e secas porque não buscamos o oásis mais além. Somos águias que desaprenderam a voar a enxergar do alto. Olhamos para nós mesmos e ficamos satisfeitos ou então nos vemos tão pequenos que fugimos e nos escondemos em cavernas de alvenaria. A vida é extremamente difícil quando o medo nos paraliza e nos impede de ser bênção. "Remir o tempo" significa aproveitar as oportunidades.

17.11.06

O homem da iniquidade?

Ao ler uma revista, dei de caras com um texto cujo o título chamou a minha atenção: A igreja dos novos ateus. O texto enfoca uma espécie de cruzada mundial, de um grupo de cientistas, que tem como objectivo destruir a fé, isto é, a existência de Deus. Deus é uma enganação do próprio homem, a religião é uma fraude.Foi o homem que criou Deus à sua imagem e semelhança e não o contrário. As cabeças pensantes desta empreitada são Daniel Dennett (americano) e Richard Dawkins (inglês). Segundo eles a religião não está apenas errada. Ela é perversa. Seu público preferido são as ovelhas desgarradas que já trilham caminhos mais céticos. Com isso, pretendem, fazer dos agnósticos, assumidos ateus. Eles fazem uma pergunta:"Imaginem um mundo sem religião?". - "Não haveria homens bombas!".

16.11.06

Outras Marcas


"Quanto ao mais, ninguém me moleste; porque eu trago no corpo as marcas de Jesus." (Gl. 6:17).
Paulo mostra que a ousadia de sua autoridade repousava nas marcas de Cristo, as quais ele levava em seu corpo. E que marcas eram essas? Prisões, cadeias, açoites, calamidades, apedrejamento e muitos tipos de maltratos que ele sofreu no decorrer do seu ministério. "Pois assim como as guerras terrenas têm suas condecorações com as quais os generais honram a bravura de um soldado, também Cristo, nosso General, tem suas marcas pessoais, das quais ele faz bom uso para condecorar e honrar a alguns de seus seguidores."(Calvino)Marcas aqui significa ferroadas, não de abelhas mas de ferro, como era costume na época para marcar escravos. Paulo está falando de marcas permanentes.Ele é um estigmatizado.A igreja é composta de pecadores-salvos e pecadores não-salvos. Na igreja convivem pessoas que carecem de cura, libertação, direcção. Pessoas que buscam "pão" mas só encontram pedras. Pessoas que em algum momento da vida foram jogadas, despojadas à beira de nossas modernas estradas de Jericó. Sem auto-estima e abatidas pelas crises e tragédias da vida, carregam suas feridas, na busca do Evangelho que cura e tem o poder de libertar. Ouviram dizer que o sonho de Deus e a Sua vontade é que tenham "vida em abundância". Mas existem feridas abertas, difíceis de cicatrizar, marcas de um modo de vida irresponsável, marcas de falta de amor na infância, marcas de perda de um ente querido, marcas de um divórcio, marcas de desemprego, doenças graves, marcas de conflito interior, marcas de um casamento tóxico ou de relacionamentos íntimos igualmente tóxicos, marcas de uma sociedade opressiva, de injustiças sociais e institucionais.Vivemos uma guerra onde muitas vezes sequer sabemos de que lado estamos. Temos marcas dos dois lados, Paulo também as tinha, "espinhos na carne" que teria que se habituar a conviver( seja lá o que isso for), no entanto, é preciso saber que tipos de marcas carregamos, se essas são de Cristo porque já estão cicatrizadas, ou ainda feridas abertas que precisam ser fechadas.

15.11.06

Estou mudando

Por que eu torço mais pelo Chelsea FC, do que o meu Benfica? Fico mais chateado quando o Chelsea perde (facto raro), ou empata, do que quando isso acontece com o Benfica? Será que sofro de alguma crise (de emigrante) de baixa auto-estima futebolística?
Dá-me um gozo imenso quando Mourinho ganha, é como se fosse eu a ganhar. Não sei se isso reflecte alguma coisa interessante para os terapeutas ou psicólogos. Talvez esse tema seja meramente sociológico.

9.11.06

Igreja americana em queda livre

Algo vai mal com os pastores "mega". Primeiro Jim Baker, depois Jimmy Swaggart, entre outros, e agora Ted Haggard. Todos estrelas que brilhavam nas televisões norte- americanas. Todos com perfis similares. Todos respeitados e admirados. O último até era conselheiro do Bush e era também gay. Foi denunciado por um prostituto com quem mantinha um relacionamento já algum tempo.O apóstolo Paulo afirma que o único requesito para cair é estar de pé. Neste caso não foi Ted Haggard quem caiu - mas a igreja. Quem será a próxima pedra de tropeço?

4.11.06

Mãos no Arado

Passa Três, deixou de ser um lugar de passagem para ser um lugar para ficar. É aqui, entre montes e vales, longe e, ao mesmo tempo perto da agitação urbana que se encontra a nossa igreja que comemora 109 anos de organização. Homens e mulheres construíram esta igreja, escrevendo uma história cheia de lutas e perseguições. Sob ameaças de morte, pregaram o evangelho com ousadia e coração. Velhos tempos que parecem esquecidos, precisamente por causa das dificuldades e obstáculos, experimentados por muitos que não tinham outra alegria senão a de estar na Casa de Deus. Os tempos mudam os desejos e interesses também. Parece não haver mais saudades das longas procissões para o templo. A amizade e comunhão correm o risco de se estabelecerem meramente por sentimentos pragmáticos e interesseiros. Precisamos olhar para trás, olhar para esses que com entusiasmo e afinco brilharam, mostrando ao mundo a razão de sua fé. É a garra e perseverança desses homens e mulheres que devemos buscar. A igreja de Passa Três vive um momento importante da sua história. As coisas acontecem sem nos darmos conta. O dono da igreja é Jesus Cristo e seus desígnios não podem ser frustrados. Ele usa cada um de nós e nos capacita a levarmos avante a nossa missão, sua mensagem - mensagem que liberta e salva. É a esperança da salvação que devemos proclamar, neste mundo onde o medo e desconfiança imperam. Olhar para trás é acima de tudo rever o que temos feito, o que temos buscado. Sejamos honestos no exame que fazemos e certamente descobriremos que precisamos de mais intimidade com a Palavra e com Deus através da oração. Lutemos irmãos, contra as tendências sedutoras deste mundo, lutemos contra nossos caprichos e vivamos a vida que Cristo tem para cada um de seus filhos. Uma vida de lutas e vitórias, de tristezas e alegrias sem medida. Que Deus nos use e faça de cada um de nós verdadeiros Embaixadores de Cristo, neste mundo, em Passa Três. Parabéns igreja.

30.10.06

Comunicado

Fomos hoje saber o sexo do nosso próximo filho. Sem sombras de dúvidas, de acordo com a ecografia é menino. Nos alegramos e partihamos com nossos familiares e amigos esta grande bênção de nosso Senhor.

28.10.06

Não vos conformeis

Vivemos um tempo de supermercado e de zoológico. O supermercado é a metáfora para pluralidade, em que crescem as opções sociais para tudo o que o cidadão possa imaginar. Já o zoológico é a imagem da privatização, onde me refugio dos outros para poder ser eu mesmo e gozar minhas opções. É o espaço das indiferenças. (Rubem Amorese)
Rubem está falando daquilo que perdemos. Naquele ambiente cheio de significado, de convívio, de estabilidade e outros valores antigos. Como consumidores desta época vamo-nos tornando em "borboletas relacionais". Pousando numa flor já pensando em outra. E o tempo no solo, como dizem as companhias aéreas, será o menor possível. É o reflexo de pousar numa prateleira já pensando na próxima. É o efeito zapping, pelo qual, com um controle remoto na mão, nós trocamos de canais mais rápido que a vista. Num mundo de prateleiras, diz Rubem, impera a volubilidade, o charme, as cores, o novo. Há uma grande ansiedade por experimentar tudo - agora. Nos nossos relacionamentos não somos diferentes. O descompromisso, a indiferença, a ausência de valores públicos, a falta de solidariedade e tantos outros subprodutos desse supermercado que se manifesta em toda a actividade humana, esfacelando as instituições mais sólidas, entre elas a família. As pessoas, passo a passo, vão desaprendendo a conviver. Vão cuidando das próprias vidas e guardando distância das outras, vivendo em tocas. Paradoxalmente, essas pessoas que se sentem sós, procuram o casamento. E levam essas deformações, como uma espécie de bagagem maldita, para dentro do sonho de viver em família, com estabilidade, filhos, ideais, projectos de vida e conforto emocional. Resultado: pobreza, num sentido profundo. Lares desestruturados provêm de lares desestruturados e geram, embora nem sempre, lares desestruturados. E tudo o que a pessoa haverá de ser na sua vida trará as marcas desse ambiente original, ou da falta dele.

Palavras Jogadas ao Vento

Moendo e remoendo os dias dou-me conta da rapidez com que evelhecemos. O tempo implacável, visto no espelho a cada manhã. Sem dó, o reflexo mostra-nos em parte o que somos: rugas, cabelos brancos ou a falta deles - enfim, pó. As ansiedades e preocupações tornam-nos dependentes. Serei um eterno dependente. A liberdade como a entendemos não tem nada a ver com a liberdade de Deus, visto que Deus sempre faz o certo e nós não. Alguém perguntou por que os mortos pesam tanto. A resposta foi, que eles carregam palavras não ditas, silêncios. Quanto a mim eu acho que sou mais pesado vivo e, que morto serei leve. Não adianta fugirmos daquilo que nós somos, mais cedo ou mais tarde nos encontraremos de novo em algum deserto, eu (nós) e o Outro.

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