2.6.05

E os dias passam...

As igrejas evangélicas passam por um fenómeno interessante de adesão. É claro que essa procura por um lugar cativo, ou não, é mais evidente em alguns países. Já lemos e ouvimos em outras alturas que os diversos activimos (programações, encontros e festas); promessas (prosperidade, cura, realização); variedades (shows, coreografias, teatro e danças), fazem parte do menu evangélico de nossos dias. A Palavra e sua interpretação, não fazem mais o principal momento do culto. Na verdade o púlpito como objecto central das igrejas oriundas da reforma, passou a figurar em algum canto, servindo tão somente de armário para o monte de bugigangas.
O que se pode verificar é um imenso vazio de uma comunidade fragmentada, que é essencialmente pragmática, que vem desconsiderando à muito a dimensão espiritual e relacional com Deus. Sabemos muito de muita coisa, mas nossa experiência pessoal e afectiva com Deus é excessivamente pobre. O reverendo Ricardo Barbosa diz que essa" pobreza é limitada não apenas pela falta de conhecimento bíblico e das influências do mundo moderno sobre a nossa fé, mas também pela ausência de uma experiência real de amor e aceitação que muitos de nós jamais tivemos na vida." O sentimento geral é de uma comunidade superficial que não aprendeu amar porque tem medo.
É sobre esta relação com Deus e com os outros que devemos fazer perguntas:Como é que temos construído nosso relacionamento com Deus? Com que bases estabelecemos nosso encontro com Ele? Precisamos pensar acerca de nossas motivações, interesses ocultos, e a verdade de nossa devoção, de nosso amor. Se ele é sincero e verdadeiro, ou não. A amizade entre crentes, outrora desenvolvida nas casas uns dos outros, nas brincadeiras saudáveis, nos concursos bíbicos, é agora utilitarista. Existe dificuldade de se fazer amizades porque esta sociedade essencialmente utilitarista nos convida a nos tornarmos "prostitutos relacionais" - "fazer amigos a fim de..." Usamos a amizade como ponte relacional - evangelizamos por amizade. O problema é o que dizer se o "amigo" não se converte? Na verdade não fazemos uma amizade em troca de nada. Rubem Alves disse uma vez que :" Os verdadeiros amigos são aqueles que mesmo em silêncio, sentem prazer quando estão juntos". Mesmo que não tenham nada para trocar a não ser a presença e a quietude.

Um comentário:

Tiagão disse...

Deus já não é Deus, para a maior parte dos que se encontram nas igrejas.
Deus é um cara legal, ama-nos e pronto.
Santidade, majestade, soberania, amor incondicional, graça - quê que é isso, mesmo?

A igreja primitiva "criava" servos prontos para servir, nós criamos cordeirinhos que andam dum lado para o outro querendo atenção e entretimento!

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