15.1.05

Sermão de Domingo

INSATISFAÇÃO

TEXTO:Lc. 15:25-32

INTRODUÇÃO: A parábola do filho pródigo é a mais bonita e a mais conhecida de todas as que Jesus contou. O jovem insatisfeito com a vida na fazenda de seu pai, sai de casa e cai no mundo. Depois de sofrer e passar fome e ser humilhado, é recebido amorosamente pelo seu pai.

A palavra pródigo é sinônimo de gastador, esbanjador, desperdiçador. Este jovem ganhou este título pelo fato de ter desperdiçado a comunhão e os bens de seu pai, vivendo dissolutamente em terras longínquas.

A história do filho pródigo mostra-nos a rebeldia de um filho que tinha tudo, porém não o tinha percebido . Por outro lado, mostra-nos o amor de um pai que não é limitado pelas ações do filho. TODOS CONHECEM O PRÓDIGO QUE SAIU. MAS NA PARÁBOLA HÁ O QUE FICOU. O filho mais velho, o que nunca deixou o lar , o que nunca transgrediu um só mandamento – porém ele era também um desperdiçador. Como seu irmão mais novo, não soube aproveitar as bênçãos e a comunhão do lar paterno.

Deus Pai não desiste de seus filhos, apesar dos muitos recuos em nossa vida cristã, “Aquele que começou boa obra em vós há de completá-la...” (Fp 1:6). O evangelho intromete-se , confronta, perturba. Procura trazer de volta o pecador para o lar. No lar há alegria, satisfação, liberdade e responsabilidade.

O caçula estava insatisfeito com a vida e saiu de casa, percebeu o que havia perdido e voltou. Seu pai ficou muito feliz, porque ele “estava morto e reviveu estava perdido e foi achado” v.24. O mais velho no entanto estava insatisfeito e não fez nada. Continuou em casa – morto, perdido e frustrado.

IDÉIA CENTRAL: A insatisfação, tem sido o traço mais marcante na vida de muitos que se abrigam na casa de Deus. Vivem sob o teto do Pai, procuram servi-lo e obedecer-lhe, mas intimamente se sentem descontentes e frustrados. Vivem a murmurar, a reclamar, a remoer insucessos, as injustiças e os desafetos, numa disposição de alma amarga e sombria. Quando isso acontece conosco, colocamo-nos na mesma situação do pródigo que ficou.
(procuremos sinais de insatisfação)

1.A INSATISFAÇÃO É DETECTADA
O problema do filho mais velho se evidencia, a princípio, por permanecer calado.
O mais velho permanece em silêncio porque ele também estava insatisfeito. Só não saía de casa por uma questão de obrigação (ele era cumpridor da lei e dos deveres filiais) e por uma questão de segurança, afinal, na casa do pai, ele tinha abundância de pão.

Há um grande número de crentes cuja relação com Deus se reduz tão somente a sentimentos de obrigação e segurança. Seguem-no por medo ou por costume. Servem-no por interesse ou dever. O resultado é uma vida cristã sem alegria, sem abundância sem realizações – uma vida insatisfeita. E é claro que não é esse tipo de vida que o Pai quer para seus filhos. Ele quer que vivamos uma “vida em abundância” - que vivamos satisfeitos. O apóstolo Paulo, por exemplo, estava sempre querendo melhorar (cf. Fp 3: 13-14). Ao mesmo tempo vivia satisfeito (cf Fp 4:11-12)
Quando a nossa insatisfação se traduz em reclamações, amargura de alma, murmurações, pessimismo, estamos declarando a Deus que ele afinal de contas, não é um Pai tão bom assim. Mesmo que não digamos isso com os lábios, o nosso silêncio nos denunciará como aconteceu com o filho mais velho da parábola.

2.A INSATISFAÇÃO REVELADA
Ao voltar da jornada no campo e ouvir o som das musicas, das vozes e dos gritos de júbilo, o filho mais velho achou que havia algo errado, cf.vv.25-26.
O que era apenas uma suspeita então se confirmou: o pródigo que ficou, na verdade, trabalha, mas vê com desconfiança tudo o que é júbilo e festa.

Assim também aquele que serve a Deus por obrigação duvida da alegria do crente sincero, simples e profundamente abençoado. Sente-se preterido, discriminado, e menos amado pelo Senhor. COMO VOCÊ TEM SE SENTIDO? Deus o ama muito (cf Rm 8:31,32).

3. A INSATISFAÇÃO É DECLARADA
Chegamos ao ponto da história em que o próprio filho confessa o seu descontentamento – E veja bem: isso já é um progresso enorme!
Há muitos que vivem insatisfeitos mas são incapazes de admitir o fato para si mesmos, para os outros e muito menos para Deus. Ele estava consciente da sua frustração e derramou-a irado sobre seu pai, na forma de lamúrias e reclamações, e o que ele dia é profundamente revelador: em primeiro lugar, o pródigo que ficou mostra que se vê como servo e não como filho. “Há tantos anos que te sirvo” (v. 29). Ele não tinha um pai, tinha um patrão para quem trabalhava e de quem esperava em troca alguma compensação. Não havia afeto, não havia nada de graça, de misericórdia nessa relação: só lei e interesse. Não é de admirar, pois, que vivesse insatisfeito e triste. Não pode haver contentamento na obrigação. Só no amor há alegria.

4. A INSATISFAÇÃO É CONFRONTADA
O que o pai da parábola fará para ganhar o seu filho revoltado? Se ele exigir, o filho entrará em casa e participará da festa, ainda que a contragosto. Mas não é o que o pai deseja. Então fala a ele de maneira diferente: “Meu filho”. Demonstra amor. Em nenhum momento o pródigo que ficou o chamou de pai, é o mais moço quem faz isso (v. 21). O caçula acaba se revelando mais amoroso apesar de sua rebeldia. E você? Vê Deus como um pai, ou como um patrão, um carrasco, um juiz?
“Tu sempre estás comigo”(v. 31). Esse era o privilégio do qual o caçula abrira mão e depois se arrependera amargamente. O mais velho conservava tal privilégio, tinha o melhor pai do mundo e estava bem perto dele! Mas não percebia, não valorizava isso. Também era um pródigo – estava desperdiçando a comunhão com um pai que tantos gostariam de ter. “Tudo o que é meu é teu”. Todas as bênçãos e bens, toda a herança estava à sua disposição não como um pagamento feito a um servo, mas como um direito do filho. Ele não matou um cabrito para alegrar-se com os amigos porque não quis.

Preocupamo-nos, reclamamos de pobreza, de problemas e de privações, quando todas bênçãos de Deus se acham ao nosso dispor.

CONCLUSÃO
O pai da história que Jesus contou tinha dois filhos: um insatisfeito que se foi e um insatisfeito que ficou. Os dois foram pródigos pois ambos desperdiçaram a comunhão e os bens do lar paterno. Não souberam valorizar o pai nem o que ele lhes proporcionava. Um caiu em si, arrependeu-se, reconciliou-se. Esse terminou a história com uma vestimenta nova, um anel, os pés calçados e a comunhão do pai, regozijando-se numa festa sem fim. E o outro? O que terá acontecido com ele? Jesus não relata pois o outro somos nós, e ele deixou o final em aberto para que o escrevêssemos.

O que faremos? A parábola do filho pródigo se encerra com um duplo apelo: ao amor, para que nos alegremos com o pai e com os irmãos; e ao arrependimento para que, mortos, revivamos e, perdidos, encontremo-nos. Deixa-nos também uma lição final: Deus se relaciona conosco pelo amor não pela obrigação. Trata com gente, não com coisas. Opera através de relacionamentos, não de leis. O amor é a essência da vida cristã e não há outra forma de vivermos satisfeitos, contentes, a não ser amando a Deus sobre todas as coisas e o nosso próximo como a nós mesmos.

2 comentários:

Tiagão disse...

Qualquer dia as ovelhas vêm ler o teu sermão aqui e não aparecem no culto.:p
Amanhã também prego, na ED. Malaquias 1:6-14.
Boas reuniões. Deus vos abençoe.

Anônimo disse...

boa é esta palavra eu estava precisando dela que DEUS te abençoe

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